Quarta temporada de Ted Lasso traz Lady Greyhounds e novo elenco; veja quem é quem

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A comédia sensação do Apple TV+, “Ted Lasso”, desembarca na plataforma com a aguardada quarta temporada e, desta vez, o time que entra em campo ganhou um reforço inédito: as Lady Greyhounds. A ideia, plantada por Keeley no fim do terceiro ano, torna-se realidade quando Rebecca, Higgins e o próprio Ted viajam ao Kansas para convencer o treinador a liderar a equipe feminina.

O “soft reboot” mencionado pela crítica não se resume à troca de uniforme. Ao redor do técnico otimista, surge um grupo de personagens completamente novo que reenquadra a narrativa, amplia os desafios de bastidores e dá espaço para interpretações que equilibram humor, drama e crítica esportiva.

Quem são as Lady Greyhounds? Elenco e personagens

Com a saída do elenco principal do AFC Richmond masculino, a série aposta em rostos inéditos para preencher o vestiário. O roteiro — escrito pelo núcleo liderado por Jason Sudeikis e Brendan Hunt — adota a mesma mistura de sarcasmo e ternura que consagrou as primeiras temporadas, mas agora testado em uma realidade de menor investimento e pouco reconhecimento no futebol feminino.

A seguir, detalhamos as atuações de cada nova peça do tabuleiro, mostrando como direção, texto e elenco se alinham para dar identidade ao “lado B” do Richmond.

Alice Chilton — a assistente que dispensa tapinha nas costas

Interpretada por Tanya Reynolds, Alice Chilton surge como a antítese do otimismo lassoano. Ex-atleta interrompida por lesão, ela traz uma rigidez técnica que expõe falhas e dispensa frases motivacionais. Reynolds, conhecida por “Sex Education” e “Emma”, trabalha com silêncios calculados; seu olhar afiado vale mais que um discurso inteiro, imprimindo tensão sempre que divide cena com Ted.

A direção de episódios iniciais aposta em enquadramentos fechados para revelar pequenas reações da personagem — um leve levantar de sobrancelha, um suspiro impaciente — que a atriz traduz com naturalidade. O roteiro dá a ela falas curtas e diretas, reforçando o contraste com o treinador falastrão. Dessa fricção nasce uma química cômica que lembra, em tom menor, a dobradinha Ted-Roy das primeiras temporadas.

O maior acerto na construção de Alice é fugir do clichê “treinadora amarga”. O texto revela gradualmente sua dedicação feroz às jogadoras, permitindo que Reynolds module entre a dureza e a vulnerabilidade sem jamais perder credibilidade.

Boots — a goleira sem luvas que rouba a cena

Jude Mack, vista em “Such Brave Girls”, entrega leveza quase anárquica como Boots, a arqueira que recusa luvas, anestesia no dentista e qualquer restrição à própria liberdade. A performance abraça o exagero, mas sem descambar para a caricatura; Mack dosa expressões faciais e timing cômico para tornar crível cada excentricidade.

Nas mãos da direção, Boots ganha planos abertos que evidenciam sua disposição física. As sequências de treinamento — filmadas com câmera de ombro para transmitir urgência — destacam a atriz executando defesas difíceis, reforçando autenticidade. O roteiro brinca com as restrições financeiras do time: não há verba para equipamentos de última geração, um fator que potencializa a teimosia da goleira.

Além do humor, Boots serve como ponte dramática. Quando enfrenta críticas pela falta de material “profissional”, a personagem expõe o preconceito institucional contra o futebol feminino. Mack conduz essas cenas com um olhar firme, lembrando que a comédia de “Ted Lasso” nunca abre mão de comentar realidades sociais.

Siobhan & Niamh — rivalidade fraterna em campo

Os gêmeos Siobhan (interpretada por Rex Hayes) e Niamh (vivida por Aisling Sharkey) carregam no DNA a centelha do conflito. Hayes, que veio de séries como “Bang” e “The Pact”, incorpora a defensora agressiva e protetora, enquanto Sharkey, recém-chegada de “Jurassic World: Dominion”, investe energia juvenil na atacante que sempre quer provar algo.

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Imagem: Internet

O roteiro explora a rivalidade como motor de cenas cômicas e dramáticas. Close-ups alternados mostram insultos sussurrados durante marcações apertadas, e a direção intercala cortes rápidos para reforçar a sensação de duelo interno. Hayes usa postura corporal rígida, ombros erguidos, sugerindo pronta-resposta a qualquer provocação. Já Sharkey prefere gestual expansivo e fala acelerada, evidenciando impaciência.

A dinâmica das irmãs ancora um dos melhores arcos do início da temporada. Quando a equipe vacila, Ted transforma a briga constante em exercício de cooperação, permitindo que as atrizes exibam sutilezas: um sorriso tímido aqui, um gesto de apoio ali. A transformação gradual convence porque ambas mantêm coerência emocional, evitando redenções instantâneas.

Lizzie Davis — zagueira e mãe em tempo integral

Veterana de “Game of Thrones”, Faye Marsay assume Lizzie Davis, a zagueira que equilibra treinos com a criação de um filho pequeno. Marsay entrega a solidez esperada de alguém que “segura as pontas” dentro e fora de campo. Sua voz firme e cadenciada contrasta com o caos de colegas mais jovens, funcionando como bússola moral da equipe.

Nas cenas familiares, a fotografia suaviza a paleta de cores, e a direção valoriza a proximidade entre mãe e filho, reforçando o universo particular de Lizzie. Quando volta ao gramado, cortes secos e som ambiente elevado enfatizam a transição para o papel de líder. Marsay domina os dois registros sem esforço aparente, reforçando a experiência que carrega desde “The White Queen”.

O texto presenteia a atriz com diálogos que funcionam quase como sermões afetuosos. Em vez de soar paternalista, a entrega de Marsay cria empatia imediata: ela impõe respeito sem autoritarismo, algo que ecoa a filosofia de Ted sobre “ser duro sem perder a ternura”.

Gemma — ataque fulminante e ambição jurídica

A galesa Abbie Hern, destaque de “Peaky Blinders” e “Enola Holmes 2”, interpreta Gemma, estudante de Direito e nova camisa 9 do Richmond feminino. Hern constrói uma personagem extremamente focada, cuja disciplina escolar atravessa o vestiário. Fala baixa, postura ereta e olhar avaliativo marcam sua composição, sugerindo que cada jogada é analisada como um caso judicial.

O roteiro adiciona combustível dramático ao revelar a história pregressa entre Gemma e a assistente Alice Chilton. As duas dividem cenas carregadas de tensão contida; Reynold e Hern esticam silêncios desconfortáveis que dizem mais que qualquer flashback. A direção, por sua vez, usa profundidade de campo rasa nessas sequências, isolando as duas figuras do resto da equipe e destacando o atrito.

Quando a bola rola, Gemma mostra explosão física. A atriz treinou finalizações de primeiro toque, e a câmera lenta em gols importantes ressalta a técnica. A ambição da personagem, na visão dos roteiristas, serve como contraponto ao otimismo despretensioso do elenco clássico, adicionando camadas de conflito sobre prioridades e futuro profissional.

Com esse leque de atuações fortes, “Ted Lasso” comprova que a troca de elenco não reduz a química que encantou o público. Ao contrário: o painel diverso das Lady Greyhounds amplia discussões sobre gênero, investimento esportivo e identidade, enquanto preserva o coração caloroso que tornou a série fenômeno global.

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Sou redator especializado em conteúdo de beleza, moda e crochê. Produzo conteúdos desde 2021, tendo experiência como colunista em sites de referência.