2026 tem sido generoso para a Hulu. A plataforma, conhecida por equilibrar entretenimento popular e produções de prestígio, reuniu uma safra de séries que se destacaram sobretudo pelas performances de elenco e pela assinatura de seus criadores.
- Hulu mostra força em 2026
- King of the Hill – Temporada 15
- The Beauty – 1ª Temporada
- Love Story – Caso JFK Jr. & Carolyn
- Tell Me Lies – Temporada 3 (Final)
- Deli Boys – Temporada 2
- Malcolm in the Middle: Life’s Still Unfair
- The Bear – Temporada 5 (Final)
- Furious – 1ª Temporada (parcial)
- The Testaments – 1ª Temporada
- Paradise – Temporada 2
Do retorno de animações queridas a dramas inéditos, cada título deste top 10 revela como direção afiada, roteiros bem conduzidos e interpretações precisas continuam sendo o motor — e a vitrine — da marca Hulu.
Hulu mostra força em 2026
Sem um “fenômeno monocultural” único como The Handmaid’s Tale em seu auge, o serviço apostou na variedade. A estratégia rendeu indicações ao Emmy distribuídas por vários catálogos e consolidou 2026 como um ano de elenco forte, escritores ousados e showrunners em plena forma.
A seguir, confira os dez programas roteirizados que melhor representaram a plataforma neste ano, analisando sobretudo atuação, direção e texto.
King of the Hill – Temporada 15
A dupla Mike Judge e Greg Daniels manteve intacto o DNA da série, e isso se reflete nas atuações vocais. Mike Judge continua impecável como Hank, usando pequenas variações de tom para realçar o humor contido que sempre definiu a animação. Já Pamela Adlon, como Bobby, encontra novas nuances ao mostrar a transição do personagem para a vida adulta.
A direção de episódios aposta em planos estáticos que valorizam a pausa cômica típica da série. O roteiro evita cair em piadas fáceis sobre o mundo moderno; prefere atualizar Arlen de modo sutil, evidenciando amadurecimento sem perder a sátira social.
O resultado? Um 100% no Rotten Tomatoes e a sensação de que a Hulu entendeu como reviver uma sitcom animada sem transformá-la em pastiche.
The Beauty – 1ª Temporada
Ryan Murphy assume os exageros que o consagraram, e o elenco entrega. Evan Peters mergulha no terror corporal com expressão corporal tensa e olhar alucinado, transmitindo desconforto até em silêncios. A novata Zoë de Grand’Maison, por sua vez, segura as pontas ao equilibrar inocência e perversão.
A fotografia neon realça o grotesco, enquanto a direção de arte transforma cada sala de cirurgia em palco operístico. O roteiro, adaptado dos quadrinhos, não aprofunda tanto a crítica às pressões estéticas, mas exibe ritmo frenético que prende a audiência.
Apesar de chances pequenas de renovação, a minissérie se consolidou como experiência visual ousada e vitrine para as atuações extremas do time de Murphy.
Love Story – Caso JFK Jr. & Carolyn
Sarah Pidgeon carrega a minissérie nos ombros. Sua Carolyn emerge frágil e, ao mesmo tempo, resistente, numa performance de sutilezas que explicitam o peso da fama. Paul Anthony Kelly, porém, não alcança a mesma complexidade em JFK Jr.; a escrita simplifica o herdeiro Kennedy em estereótipos de playboy atormentado.
A direção alterna entre glamour e tragédia, recorrendo a takes claustrofóbicos dentro do avião para enfatizar fatalidade iminente. Ainda que o roteiro não ofereça novas revelações sobre o clã Kennedy, o apelo voyeurístico rendeu à série o título de limitada mais vista na Hulu em 2026.
Com sete indicações ao Emmy, Love Story assegura espaço principalmente pela atuação magnética de Pidgeon.
Tell Me Lies – Temporada 3 (Final)
Grace Van Patten e Jackson White elevam o jogo psicológico de Lucy e Stephen ao limite. Ela molda expressões mínimas para denunciar insegurança latente; ele, com sorriso frio, expõe manipulação cínica. O duelo de performances sustenta a tensão da temporada final.
A showrunner Meaghan Oppenheimer fecha o arco sem suavizar a toxicidade do casal. A direção usa close-ups sufocantes, deixando claro que o verdadeiro campo de batalha é emocional.
Com 100% de aprovação crítica, a série encerra trajetória de modo corajoso: sem redenção fácil, apenas o retrato cru de um relacionamento destrutivo que, paradoxalmente, mantém o público vidrado.
Deli Boys – Temporada 2
O trio principal — Ali Sohaili, Asif Ali e Saagar Shaikh — mostra química ainda mais afiada. Os diálogos rápidos, escritos por Abdullah Saeed, exploram timing cômico e criam espaço para improvisos que voam naturalíssimos.
A direção de Richa Shukla vingança ritmo acelerado, necessário após a redução de dez para seis episódios. Mesmo assim, algumas tramas secundárias soam comprimidas, sinalizando que o show merecia temporada mais longa.
Com novo 100% no Rotten Tomatoes, Deli Boys prova que humor de cunho cultural pode dialogar com crime e família sem perder autenticidade.
Imagem: Internet
Malcolm in the Middle: Life’s Still Unfair
Bryan Cranston e Jane Kaczmarek revisitam Hal e Lois com energia intacta, dominando o caos doméstico. Mas é Frankie Muniz, agora interpretando Malcolm pai, quem surpreende: ele replica neurose juvenil convertida em paranóia paterna, oferecendo espelho divertido da geração anterior.
A direção de Todd Holland opta por plano-sequência em cenas de confusão familiar, resgatando estética da série original. O roteiro de Linwood Boomer evita nostalgia vazia ao refletir sobre herança comportamental.
Mesmo concebida como evento de quatro partes, a minissérie cumpre a missão: atualizar temas sem entupir de referências, reforçando a força do elenco em ritmo de sitcom moderna.
The Bear – Temporada 5 (Final)
Jeremy Allen White retorna à intensidade inicial de Carmy, dosando ansiedade e ternura. Ayo Edebiri, como Sydney, exibe liderança silenciosa que sustenta o coração da cozinha. A química entre os dois, guiada por diálogos de Christopher Storer, recupera a chama das primeiras temporadas.
Na direção, Storer traz de volta episódios focados no restaurante, usando câmera trêmula e tempo real para transmitir urgência culinária. O roteiro evita pirotecnias das temporadas 3 e 4, concentrando-se em arcos pessoais claros.
O resultado é um fim agridoce, mas coerente, para uma das produções que definiram a identidade moderna da Hulu.
Furious – 1ª Temporada (parcial)
Lizzy Caplan interpreta a serial killer com frieza carismática, enquanto Kaitlyn Dever se destaca como a agente do FBI cuja moral escurece a cada episódio. Elizabeth Meriwether, criadora, equilibra humor ácido e suspense sombrio, lembrando ao público de sua versatilidade pós-New Girl.
Direção de Jamie Babbit acerta no duelo psicológico, apostando em reflexos e enquadramentos espelhados para sugerir ligações entre caçadora e presa. O roteiro recusa binarismo: ninguém é inocente, todo mundo tem algo a perder.
Com metade dos capítulos no ar, a série já domina debates críticos e promete desfecho imprevisível — mérito claro da construção de personagens e dos desempenhos intensos.
The Testaments – 1ª Temporada
Chase Infiniti, como Agnes, oferece olhar interno de Gilead com ternura e medo, marcando contraste forte em relação à visceral June de Elisabeth Moss. Ann Dowd revisita Aunt Lydia adicionando camadas de dúvida ao fanatismo, num trabalho que evita caricatura.
No comando, a roteirista showrunner Yahlin Chang privilegia narrativa de amadurecimento, diluindo violência gráfica para focar trauma psicológico. A direção aposta em tons sépia, retomando clima opressivo da série-mãe.
Apesar de debates sobre “estender” a franquia, as atuações e a perspectiva juvenil provam que o universo de Margaret Atwood ainda guarda histórias convincentes.
Paradise – Temporada 2
Sterling K. Brown continua sendo a âncora emocional; seu Xavier carrega culpa e esperança nos ombros. A chegada de Shailene Woodley introduz mística inquietante: ela dosa serenidade e ameaça em doses equivalentes, enriquecendo o suspense.
Showrunner Sam Esmail expande o mundo pós-apocalíptico sem perder a tensão de claustro. A direção alterna cenários abertos e flashbacks para explorar diferentes pontos de vista sobre o mesmo desastre.
Com renovação já garantida, a série equilibra respostas e perguntas, mérito dos roteiros que abraçam o modelo “mystery-box”, mas respeitam o público ao fechar arcos suficientes por temporada.
Essas dez produções comprovam que a Hulu dominou 2026 investindo em elencos de peso, criadores autorais e roteiros dispostos a arriscar. Para quem procura séries que misturem entretenimento acessível e qualidade artística, a lista acima mostra por que o catálogo do serviço segue obrigatório.

