Quase quatro décadas de temporadas somadas fizeram do universo One Chicago um dos pilares da TV aberta norte-americana. Mesmo assim, a franquia criada por Dick Wolf coleciona saídas abruptas que intrigam o público — sobretudo quando atores queridos simplesmente deixam de aparecer.
- Despedidas que ficaram no imaginário do público
- Officer Vanessa Rojas – Chicago P.D.
- Dr. Crockett Marcel – Chicago Med
- Emily Foster – Chicago Fire
- Det. Kiana “Kay” Cook – Chicago P.D.
- Enf.ª Maggie Lockwood – Chicago Med
- Gianna Mackey – Chicago Fire
- Det. Erin Lindsay – Chicago P.D.
- Quando talento some, o roteiro sente
A seguir, analisamos sete casos emblemáticos em que personagens desapareceram sem um arco de despedida convincente. O foco é a performance dos intérpretes, as decisões de roteiro e o impacto criativo das escolhas dos showrunners.
Despedidas que ficaram no imaginário do público
Enquanto nomes como Jason Beghe, Taylor Kinney e S. Epatha Merkerson permanecem desde o piloto de suas séries, outros colegas tiveram saídas relâmpago. Falta de tempo na sala de roteiristas, trocas de comando e até problemas pessoais fora das câmeras ajudam a explicar parte desses sumiços.
Officer Vanessa Rojas – Chicago P.D.
Lisseth Chavez chegou na 7ª temporada incorporando a carismática Vanessa Rojas, especialista em trabalho infiltrado. A atriz foi elogiada pela química imediata com LaRoyce Hawkins e Tracy Spiridakos, entregando nuances de vulnerabilidade de quem ainda aprendia a rotina da Inteligência.
Rick Eid, showrunner de Chicago P.D., admitiu que tentaram incluir uma cena explicando a ausência da policial no episódio de estreia da 8ª temporada, mas tudo soou “forçado”. O resultado foi um vazio narrativo que frustrou quem acompanhava o amadurecimento de Rojas.
A saída relâmpago destacou um problema recorrente na franquia: quando a vida real exige mudanças — Chavez migrou depois para The Rookie — o roteiro nem sempre oferece espaço para um encerramento digno.
Dr. Crockett Marcel – Chicago Med
Dominic Rains assumiu o posto de cirurgião principal após a partida de Colin Donnell e rapidamente conquistou público e crítica. Seu Crockett exibia segurança técnica ao mesmo tempo em que lidava com traumas pessoais, algo que Rains conduziu com sutileza.
O final da 9ª temporada, escrito por Diane Frolov e Andrew Schneider, colocou o médico em crise depois de um transplante mal-sucedido. Parecia apenas um gancho dramático, mas a 10ª temporada abriu informando que ele havia se mudado para Boston. A decisão, vinda junto com a troca de showrunner para Allen MacDonald, minimizou anos de construção emocional.
A cena única que menciona a partida do personagem careceu de peso dramático, desperdiçando o talento de Rains e deixando o elenco órfão de seu anti-herói.
Emily Foster – Chicago Fire
Annie Ilonzeh entrou na 7ª temporada como Emily Foster, trazendo um passado complexo: ex-residente de cirurgia expulsa por trapaça acadêmica. A atriz convenceu ao equilibrar autoconfiança e insegurança, refletindo dilemas éticos típicos de roteiros assinados por Derek Haas e Michael Brandt.
Embora a proposta de voltar à medicina surgisse no fim da 8ª temporada, muitos imaginaram que Foster migraria para Chicago Med, mantendo o crossover vivo. A pandemia interrompeu as filmagens e, sem novas cenas, a paramédica foi esquecida — um anticlímax que não condiz com o arco que vinha sendo traçado.
A ausência de uma simples visita ao hospital no ano seguinte evidenciou como mudanças de bastidor podem quebrar a verossimilhança entre as séries irmãs.
Det. Kiana “Kay” Cook – Chicago P.D.
Toya Turner incorporou Kay Cook na 12ª temporada, personagem moldada para desafiar métodos de Hank Voight. A atriz construiu empatia rápida com Benjamin Levy Aguilar (Torres), e roteiristas dedicaram vários episódios ao seu passado.
Mesmo presente no casamento de Burgess e Ruzek, Cook foi mencionada apenas em diálogo por Voight no capítulo seguinte: teria aceitado vaga no 17º Distrito. O retorno de todo o time original no mesmo episódio expôs ainda mais a falta de lógica em deixá-la de fora.
Imagem: Internet
Sem um epílogo ou cameo, parte do público considerou o tratamento dispensado à personagem um retrocesso na complexidade que a 12ª temporada vinha apresentando.
Enf.ª Maggie Lockwood – Chicago Med
Marlyne Barrett é uma das fundadoras de Chicago Med e, até a 10ª temporada, sustentava o papel de bússola moral do pronto-socorro. Sua performance firme e acolhedora era ponto de equilíbrio nos roteiros densos da série.
Durante o hiato, veio o anúncio de que a atriz tiraria licença pessoal. A estreia da 11ª temporada, escrita às pressas, limitou-se a um comentário de Sharon Goodwin: ninguém ouvira “um pio” de Maggie depois que ela partira.
Sem retorno confirmado para a 12ª temporada, a ausência cria um buraco sentimental e prático no enredo, deixando evidente o desafio que MacDonald enfrenta para manter coesão sem uma de suas vozes mais fortes.
Gianna Mackey – Chicago Fire
Adriyan Rae trouxe frescor ao turno de paramédicas na 9ª temporada ao viver Gianna Mackey, amiga de infância de Joe Cruz. A atriz combinou leveza e garra, impulsionando subtramas românticas com Gallo que prometiam longevidade.
Após nove episódios, Gianna aceita promoção no quartel 33. A justificativa — medo de perder Cruz após a morte do irmão — soou abrupta diante do investimento dramático anterior. Segundo o showrunner Derek Haas, a saída atendeu a “razões pessoais” da atriz.
Ainda assim, considerando o histórico de crossovers e visitas entre companhias, a ausência total da personagem em eventos subsequentes sublinha uma fragilidade estrutural nos roteiros.
Det. Erin Lindsay – Chicago P.D.
Sophia Bush liderou Chicago P.D. por quatro temporadas, entregando uma Erin Lindsay complexa, dividida entre lealdade a Voight e romance conturbado com Jay Halstead. Dirigida por Mark Tinker e escrita por Matt Olmstead, a atriz recebeu elogios por transformar traumas passados em motivação convincente.
O final da 4ª temporada indicou transferência para a Unidade de Narcóticos do FBI em Nova York. A 5ª temporada, porém, passou quase batida pelo assunto, limitando-se a frases vagas. Nos bastidores, Bush revelou em podcast que problemas no ambiente de trabalho e preocupação com saúde mental motivaram seu pedido de rescisão contratual.
A decisão de não exibir uma despedida alinhada à importância de Lindsay ainda é lembrada como um deslize narrativo, principalmente porque a personagem influenciava diretamente as motivações de Halstead.
Quando talento some, o roteiro sente
Os casos acima deixam claro que a força de One Chicago reside, em grande parte, na entrega dos atores e na habilidade dos roteiristas em costurar arcos coerentes. Quando questões externas atropelam a narrativa, o público percebe e cobra.
Resta acompanhar as próximas temporadas para ver se futuras despedidas receberão o cuidado dramático que fãs e intérpretes merecem.

