Do pior ao melhor: as séries de Guy Ritchie que mostram a evolução do diretor na TV

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Conhecido por redefinir o cinema de gângster britânico, Guy Ritchie intensificou sua presença na TV nos últimos anos. Entre 2024 e 2026, ele emplacou cinco produções em diferentes plataformas de streaming, todas recheadas de diálogos afiados e cenas de ação aceleradas.

O resultado é um catálogo televisivo que vai do experimental ao consagrado. A seguir, listamos essas séries — da menos impactante à mais elogiada — avaliando atuações, direção e roteiros que mantêm viva a marca registrada do cineasta.

Da estreia hesitante ao grande acerto: o caminho das séries de Guy Ritchie

Cada produção confirma a habilidade do diretor em transpor seu ritmo cinematográfico para episódios de 40 minutos. Mesmo quando Ritchie assume um papel mais discreto, o DNA de seus filmes permanece visível, seja na montagem frenética ou no humor sarcástico que atravessa tiroteios e trapaças.

5. Lock, Stock (2000)

Lisa Rogers in Lock, Stock... (2000)

Lançada como derivada do sucesso “Lock, Stock and Two Smoking Barrels”, a série tenta capturar o charme do longa, mas sem o elenco original e com Ritchie atuando apenas como criador e roteirista do episódio piloto. A ausência de seus colaboradores habituais dilui a química que marcou o filme, resultando em tramas episódicas pouco conectadas ao arco central.

A performance do elenco liderado por Lisa Rogers até sustenta a leveza cômica, mas carece do timing que Jason Statham e Vinnie Jones exibiram no cinema. A direção, entregue a nomes menos experientes, repete enquadramentos rápidos e cortes secos, porém sem a precisão que se espera de Ritchie, gerando cenas de ação que soam genéricas.

No roteiro, piadas internas e gírias londrinas continuam presentes, mas a falta de um conflito maior reduz o impacto dramático. Mesmo assim, a série manteve audiência modesta no Reino Unido, provando que o charme “cockney” ainda conquista curiosos, embora não passe de uma sombra do material original.

4. The Diamond Heist (2025)

The Diamond Heist

Coproduzido pela Netflix, o documentário dramático recria um roubo ousado com a estilização típica de Ritchie. Narrado pelo verdadeiro líder do grupo, Lee Wenham, o programa intercala depoimentos e reencenações aceleradas, resultando em ritmo envolvente. A câmera de mão e closes nervosos remetem diretamente a “Snatch”, gerando tensão mesmo quando o desfecho é conhecido.

Como não há atores fixos interpretando um protagonista, o destaque vai para a montagem, que costura flashbacks, planilhas e gravações reais em um mosaico ágil. O formato híbrido, entre true crime e filme de assalto, foi elogiado pela crítica por revitalizar um subgênero saturado na plataforma.

Embora falte o desenvolvimento de personagens aprofundados, o carisma do narrador e a direção esperta de Ritchie garantem entretenimento de ponta a ponta. “The Diamond Heist” mostra que o diretor sabe aplicar sua estética a qualquer formato, mesmo fora da ficção tradicional.

3. MobLand (2025-presente)

Tom Hardy as Harry Da Souza looking up in MobLand

Estrelada por Tom Hardy, a série funciona como um prelúdio não declarado de “Ray Donovan”, acompanhando o mediador Harry Da Souza no submundo londrino. Ritchie volta às raízes do gangster movie, dirigindo episódios que valorizam becos apertados, pubs esfumaçados e diálogos trocados a meio-tom.

Hardy domina a tela com presença física dominante e silêncios ameaçadores, compensando roteiros que, por vezes, reciclam conflitos familiares já vistos em outros trabalhos do diretor. A química entre o protagonista e rivais interpretados por veteranos britânicos sustenta a trama, mesmo quando o enredo se repete.

Visualmente, “MobLand” traz fotografia escura e trilha percussiva que acentuam o clima urbano. No entanto, a série ainda carece de viradas ousadas para se diferenciar dentro do catálogo de crimes londrinos já extenso, permanecendo em um confortável — mas nada revolucionário — terreno conhecido.

2. The Gentlemen (2024-presente)

Theo James looking directly into the camera in the forest in The Gentlemen season 1

Baseada no filme homônimo de 2019, a atração da Netflix troca becos por salões aristocráticos, conduzindo o novato Eddie Horniman (Theo James) à chefia de um império de drogas escondido em uma mansão tradicional. A direção de Ritchie explora contrapontos visuais: porcelanas caríssimas ao lado de estufas de maconha, tiroteios em jardins cuidadosamente podados.

Theo James entrega um protagonista dividido entre a etiqueta nobre e a brutalidade do negócio, enquanto Kaya Scodelario rouba cenas com sarcasmo cortante. Vinnie Jones, parceiro antigo de Ritchie, surge como elo entre a velha guarda gangster e a nova elite, reforçando o humor ácido da série.

O roteiro potencializa choques culturais, criando situações absurdas que ganham ritmo graças a diálogos rápidos e edição frenética. Com a segunda temporada a caminho, a produção se consolida como vitrine do estilo cômico-criminal do diretor, equilibrando violência e sátira de forma quase cirúrgica.

1. Young Sherlock (2026-presente)

Young Sherlock

Exibida no Prime Video, a série reimagina a juventude de Sherlock Holmes e rapidamente assumiu o topo dos rankings mundiais de streaming. Ritchie dirige episódios-chave, combinando ação de época com investigação, algo que dialoga tanto com suas aventuras históricas quanto com tramas de crime moderno.

Hero Fiennes Tiffin vive um Sherlock impulsivo, ainda lapidando o raciocínio analítico que o tornaria lendário. Sua química com Zine Tseng, que interpreta a Princesa Gulun Shouan, acrescenta camada emocional rara em adaptações do detetive. A evolução do protagonista por meio de pistas visuais e flashbacks incrustados na narrativa sustenta o interesse episódio após episódio.

A fotografia saturada, figurinos detalhados e cenas de luta coreografadas dão frescor ao universo vitoriano, sem perder o toque irreverente típico de Ritchie. A crítica elogiou a mescla de ritmo moderno e fidelidade temática, apontando “Young Sherlock” como a produção televisiva com maior legado potencial na carreira do diretor.

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Sou redator especializado em conteúdo de beleza, moda e crochê. Produzo conteúdos desde 2021, tendo experiência como colunista em sites de referência.