O Rio Fashion Week voltou a ocupar o Píer Mauá – e, num momento histórico, também a Sapucaí – após quase dez anos fora do calendário. Entre 14 e 18 de abril, a maratona de desfiles apresentou um mosaico de cores, texturas e volumes que reposiciona a moda carioca no cenário global.
- Oito apostas que definiram o tom do RFW 2026
- 1. Cabeças cobertas: chapéus e lenços repaginados
- 2. Silhuetas amplas e volumes dramáticos
- 3. Verde em todos os tons
- 4. Tops reconstruídos: recortes e amarrações
- 5. Movimento contínuo: franjas e contas artesanais
- 6. Transparência estratégica
- 7. Estampas artísticas e experimentais
- 8. Bolsas de formatos inusitados
Da estreia de novos talentos às coleções autorais de nomes consagrados, os quatro dias foram marcados por bordados elaborados, beachwear repaginado e muito diálogo com o streetwear. A seguir, reunimos os pontos altos que roubaram a cena nas passarelas.
Oito apostas que definiram o tom do RFW 2026
Dos acessórios de impacto às modelagens nada óbvias, cada desfile trouxe um elemento-chave capaz de sintetizar a energia criativa da semana. Selecionamos os oito temas que apareceram de forma recorrente – e que, ao que tudo indica, devem migrar rapidamente das passarelas para as ruas.
1. Cabeças cobertas: chapéus e lenços repaginados
Salinas, Argalji e Hisha investiram pesado nos chapéus de abas largas, turbantes estruturados e lenços amarrados de maneira descontraída. O resultado foi uma leitura cool de proteção solar, distante do óbvio e alinhada ao clima tropical do evento.
Os acessórios surgiram em palha trançada, tecidos tecnológicos e até em couro – sempre combinados a biquínis minimalistas ou vestidos fluidos. O styling unificou todo o visual, criando uma atmosfera veranil sem perder sofisticação.
Para além da estética, a proposta reforça a funcionalidade: peças leves, dobráveis e resistentes, pensadas para quem acompanha o sol do nascer ao pôr. Esse pragmatismo fashion agradou compradores internacionais presentes na primeira fila.
2. Silhuetas amplas e volumes dramáticos
Lucas Leão, Helo Rocha e Isabela Capeto apostaram em shapes inflados, mangas bufantes e saias estruturadas. O exagero das proporções trouxe teatralidade e tornou cada look memorável mesmo em meio a uma agenda lotada de apresentações.
Plumas discretas, tecidos acolchoados e recortes geométricos ajudaram a moldar volumes arquitetônicos sem comprometer a leveza. O truque foi equilibrar materiais ultrafinos com bases rígidas, criando contraste visual e movimento.
Além de garantir impacto imediato, as formas maxi sinalizam uma mudança de comportamento: conforto e liberdade de movimento seguem como prioridades para o verão, mas agora aliados a doses extras de drama.
3. Verde em todos os tons
Se existiu uma cor onipresente, foi o verde. Angela Brito, Handred e MISCI desfilaram variações que iam do lima cítrico ao oliva profundo, confirmando o tom como protagonista da estação.
Em tecidos acetinados, tramas artesanais ou malhas esportivas, o green mood serviu como base neutra para mixagens cromáticas ou surgia vibrante como detalhe de destaque. O resultado? Peças versáteis que dialogam com diferentes estilos.
A escolha também conversa com questões de sustentabilidade, já que a cartela terrosa remete à natureza. Marcas como MISCI reforçaram esse discurso durante o desfile na Sapucaí, tema aprofundado no artigo sobre o show “Escapismo Tropical”.
4. Tops reconstruídos: recortes e amarrações
Blueman, Normando e Salinas transformaram o básico top de verão em peça-statement. Recortes assimétricos, alças moduláveis e amarrações diagonais garantiram novas ergonomias ao corpo.
Essa reinvenção dialoga com a tendência de autoconstrução do look: o consumidor ajusta, amarra e personaliza a roupa conforme a ocasião. A pegada DIY apareceu tanto em tecidos nobres quanto em malhas esportivas recicladas.
Combinados a cinturas baixas ou saias volumosas, esses tops funcionaram como ponto focal do styling, mostrando que uma única peça diferenciada pode atualizar o guarda-roupa inteiro na próxima temporada.
Imagem: Internet
5. Movimento contínuo: franjas e contas artesanais
Handred, Hisha e Lenny Niemeyer levaram para a passarela vestidos e saias ornados por franjas longilíneas e miçangas aplicadas manualmente. Cada passo dos modelos produzia ritmo hipnótico, amplificando o efeito cenográfico.
As peças foram produzidas em ateliês locais, reforçando o trabalho manual como valor agregado. O público respondeu com entusiasmo aos detalhes artesanais, vistos como assinatura do Made in Brazil.
O balanço das franjas também dialoga com o clima festivo do Rio, conectando a moda a referências de samba-enredo e carnaval, atmosfera reforçada ao longo de toda a semana.
6. Transparência estratégica
Helo Rocha, Dendezeiro e MISCI provaram que o jogo de mostra-esconde continua atual, agora de maneira mais sofisticada. Tules, organzas e tricôs vazados revelavam a pele de forma seletiva, sem cair no óbvio.
A sobreposição foi o recurso preferido: slip dresses por baixo de camadas quase etéreas criavam profundidade visual. O truque também permitiu que a mesma peça transite do dia para a noite apenas trocando o forro.
A abordagem equilibrada conquistou elogios da crítica, que destacou a maturidade das marcas em lidar com sensualidade. O tema ainda ganhou eco entre celebridades: na semana anterior, Anitta escolheu um vestido transparente para o SNL, repercutido na matéria sobre o look da artista.
7. Estampas artísticas e experimentais
Dendezeiro, Normando e Patricia Viera abandonaram o padrão geométrico tradicional e apostaram em prints que lembram pinceladas, colagens digitais e grafismos abstratos. Cada peça parecia tela em movimento.
Ao explorar técnicas de sublimação, airbrush e patchwork, os estilistas criaram efeitos visuais que mudam conforme a luz e o ângulo. O resultado é uma moda menos previsível e mais autoral.
As estampas também dialogam com a cultura brasileira: cores tropicais, referências à flora e grafismos de rua se misturaram em composições únicas, reforçando a identidade local com pegada global.
8. Bolsas de formatos inusitados
Osklen, Aluf e Blueman provaram que acessórios podem se transformar em peça-estrela. Clutches infláveis, shoulder bags geométricas e bolsas-escultura chamaram tanta atenção quanto os próprios looks.
Materiais como EVA reciclado, fibras naturais e couro reaproveitado permitiram criar formas tridimensionais sem pesar. O foco esteve no design sustentável, reforçando a preocupação ambiental presente em todo o evento.
Ao desafiar a função tradicional – algumas bolsas cabiam apenas celular e batom – os estilistas transformaram o acessório em manifesto fashion que promete invadir o street style carioca no próximo verão.
Com essas oito apostas, o Rio Fashion Week 2026 encerrou sua edição de retorno apontando caminhos claros para a estação quente: criatividade afiada, valorização do trabalho manual e uma pitada de ousadia visual que só o Rio de Janeiro sabe entregar.









