Reunião de astros surpreende e satiriza Hollywood em The Boys 5×05

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O quinto episódio da quinta temporada de The Boys, batizado de “One-Shots”, transforma o caos habitual da série em um desfile de participações especiais que brincam com as próprias carreiras dos convidados. A reunião de comediantes, ex-colegas de elenco e astros do cinema funciona como ferramenta narrativa para ampliar a sátira ao universo de super-heróis e, ao mesmo tempo, testar a química entre velhos conhecidos diante das câmeras.

Eric Kripke, criador da atração, volta a demonstrar domínio do timing cômico ao costurar sete aparições de celebridades em histórias curtas, mas entrelaçadas. O roteiro, assinado em conjunto com Jessica Chou e Anslem Richardson, mantém o foco na busca de Homelander e Soldier Boy pelo misterioso soro V-One, porém reserva tempo suficiente para que cada convidado brilhe — ou seja partido ao meio, em puro estilo The Boys.

Cameos que roubam a cena em “One-Shots”

Os convidados surgem dentro de uma festa privê organizada por Mr. Marathon, ex-membro dos Sete, em Los Angeles. Ali, entre mesas de pôquer e debates sobre cancelamentos, os atores interpretam versões exageradas de si mesmos ou Supes secundários, servindo tanto à comédia quanto ao comentário social que a série adora explorar.

Jared Padalecki como Mr. Marathon

A maior surpresa do episódio é a chegada de Jared Padalecki no uniforme vermelho de Mr. Marathon, velocista aposentado que perdeu lugar nos Sete para A-Train. Conhecido por 15 temporadas como Sam Winchester em Supernatural, o ator encontra aqui terreno fértil para satirizar o arquétipo do herói narcisista. Sua performance aposta em um humor resignado: Marathon vive cercado de troféus da Vought, mas carrega o peso da relevância perdida.

Kripke dirige Padalecki com afeto de velho parceiro, permitindo que a dinâmica com Jensen Ackles (Soldier Boy) brilhe. Os diálogos carregam referências internas à série de caçadores de demônios, mas sem bloquear o público leigo. Em poucos minutos, Padalecki estabelece um personagem à altura do sadismo típico de The Boys, culminando em sequências de violência estilizada que reforçam a crítica à idolatria de celebridades.

Mr. Marathon correndo

Misha Collins como Malchemical

Misha Collins assume Malchemical, um Supe de poucos amigos que nutre raiva antiga por Homelander. A atuação investe em sutilezas: olhar baixo, fala pausada, mas com explosões repentinas de ironia. A direção de fotografia, com closes que destacam o desconforto do personagem, enfatiza seu papel de “bomba relógio” na trama.

O roteiro brinca com a imagem angelical de Collins em Supernatural, invertendo expectativas quando Malchemical decide nocautear Homelander com gás paralisante. Esse momento, visualmente coreografado para chocar, mostra como a série equilibra humor meta com tensão genuína.

Malchemical encara Homelander

Seth Rogen interpretando a si mesmo

Produtor executivo de The Boys, Seth Rogen retorna como “Seth Rogen”, celebridade que constantemente aceita projetos duvidosos da Vought. Sua participação explora a persona pública do ator: riso inconfundível, piadas improvisadas e receio real de ser cancelado nas redes.

No pôquer, Rogen diverte ao sublinhar a hipocrisia de campanhas virtuais, até ser literalmente dividido em duas metades por Mr. Marathon. A cena, grotesca e cômica, sintetiza a proposta do episódio: escancarar o espetáculo sangrento que a cultura pop consome com entusiasmo.

Seth Rogen apavorado

Kumail Nanjiani em papel duplo na franquia

Kumail Nanjiani surge novamente como ele mesmo, ampliando seu histórico no universo da série — ele já havia dublado o cientista Vik no spin-off animado Diabolical. Aqui, o ator ironiza a transição física que fez para viver um herói na Marvel, soltando: “Tô trincado agora”.

Nanjiani domina o timing ao liderar um coro de celebridades supostamente engajadas contra Homelander, apenas para cair na própria vaidade performática. A cena destaca a edição ágil de David Moritz, que intercala planos fechados nos rostos nervosos dos convidados com a aproximação ameaçadora do vilão.

Kumail Nanjiani discursando

Reunião de astros surpreende e satiriza Hollywood em The Boys 5×05 - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

Christopher Mintz-Plasse tira sarro de Michael Cera

Velho colaborador de Rogen, Christopher Mintz-Plasse participa como mais um jogador de pôquer, fazendo piada interna sobre disputar papéis com Michael Cera desde Superbad. A atuação combina insegurança cômica e autoparódia, entregando um dos diálogos mais memetizáveis do capítulo.

Quando o grupo entra em pânico, Mintz-Plasse tenta apaziguar os ânimos… para logo depois sugerir que “talvez devêssemos mesmo capturar o Cera”. Essa guinada revela a sagacidade do roteiro em evidenciar o egoísmo latente até nas figuras aparentemente inocentes.

Christopher Mintz-Plasse desesperado

Will Forte cutuca o legado do Saturday Night Live

Will Forte rouba a atenção já na primeira fala, ao celebrar a execução fictícia de Bill Hader pela Vought. A direção de Kripke explora a entrega vocal característica do ator, alternando entre o absurdo e o nervosismo enquanto ele tenta bajular Homelander.

Quando o conflito estoura, Forte corre para escapar, mas acaba usado como escudo humano por Soldier Boy. A queda do comediante reforça a mensagem de que, em The Boys, ninguém está a salvo do massacre midiático — nem mesmo veteranos do humor televisivo.

Will Forte tentando fugir

Craig Robinson fecha a lista com humor ácido

Dando as caras numa saída de banheiro, Craig Robinson emenda referência ao restaurante de Danny Trejo antes de gritar “Soldier Boy!”. Sua presença breve, porém certeira, injeta humor físico à sequência final. Robinson é rapidamente arremessado contra Mr. Marathon e se torna mais uma vítima da carnificina.

O contraste entre seu entusiasmo inicial e o destino sanguinolento reforça o tom imprevisível da série, costurando a crítica à industrialização do entretenimento: celebridades entram em cena, entregam uma frase de efeito e desaparecem sob aplausos — ou respingos de sangue.

Craig Robinson surpreso

A mão firme de Eric Kripke no comando

Embora o festival de rostos conhecidos roube os holofotes, a condução de Kripke é o que impede o episódio de se tornar apenas um mosaico de piadas internas. A montagem paralela mantém o ritmo acelerado, enquanto a trilha de Christopher Lennertz ressalta a tensão crescente.

Na escrita, Kripke e equipe equilibram comentários metalinguísticos com avanços na trama principal — a caçada pelo V-One continua, e cada morte reforça o descontrole de Homelander. Com isso, “One-Shots” se sustenta como capítulo funcional da temporada e, ao mesmo tempo, um manifesto cômico sobre a efemeridade da fama em um mundo superpoderoso.

Sem poupar sangue nem gargalhadas, The Boys prova mais uma vez por que se mantém relevante no debate cultural, transformando camafeus em instrumentos de crítica e lembrando ao público que, no universo de Kripke, não existe participação especial imune ao caos.

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Sou redator especializado em conteúdo de beleza, moda e crochê. Produzo conteúdos desde 2021, tendo experiência como colunista em sites de referência.