12 animações ocidentais imperdíveis para quem ama anime

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Nas últimas décadas, algumas produções ocidentais provaram que a qualidade de animação e o cuidado narrativo já não são exclusividade do Japão. Séries criadas nos EUA, Canadá e Europa vêm entregando arcos complexos, personagens bem trabalhados e direção ousada, conquistando o público que normalmente maratona animes.

Reunimos 12 títulos que se destacam justamente por unir roteiros ambiciosos, atuações de voz impactantes e escolhas estéticas que dialogam diretamente com o universo otaku. Confira a lista e descubra qual deve ser a próxima maratona.

Produções que elevam o padrão da animação seriada

Cada série a seguir foi selecionada por três critérios centrais: direção consistente ao longo das temporadas, roteiro capaz de sustentar tramas de longo prazo e performances de dublagem que adicionam camadas de emoção aos personagens. O resultado são obras que competem de igual para igual com muitos animes de renome.

Voltron: Legendary Defender

A equipe de produção liderada por Joaquim Dos Santos e Lauren Montgomery modernizou a franquia dos anos 80 com um ritmo cinematográfico, cortes rápidos e lutas coreografadas ao estilo mecha japonês. O roteiro de Tim Hedrick não tem medo de inserir temas maduros, explorando perda, culpa e responsabilidade sem perder o foco na aventura.

No elenco original, destaca-se Josh Keaton como Shiro, entregando vulnerabilidade mesmo nos momentos de liderança. Jeremy Shada (Lance) garante alívio cômico equilibrado com cenas dramáticas, enquanto Bex Taylor-Klaus (Pidge) traz camadas de sensibilidade ao arco de identidade de gênero da personagem.

O resultado é um reboot que respeita o material clássico, mas evolui em escala e profundidade, oferecendo batalhas viscerais que lembram Gundam e narrativa serializada típica de animes de space opera.

Young Justice

A dupla Greg Weisman e Brandon Vietti conduz a série com uma estrutura de thriller político, costurando conspirações e reviravoltas a cada episódio. A evolução de Aqualad, Robin e Superboy é guiada por scripts que priorizam consequências reais para decisões impetuosas de heróis adolescentes.

Nas cabines de gravação, Jesse McCartney (Robin/Nightwing) e Khary Payton (Aqualad) sustentam uma química que reflete rivalidade e irmandade ao mesmo tempo. Nolan North, que dubla Superboy e Superman, diferencia vocalmente cada papel, reforçando conflitos internos.

Com animação fluida do estúdio coreano MOI e cenas de combate que valorizam coreografia, a série atinge um equilíbrio entre ação de quadrinhos e drama de formação, agradando a quem curte shounens como My Hero Academia.

Teen Titans

Glen Murakami, veterano de Batman: The Animated Series, assume a direção mesclando estética anime, cortes estilizados e trilha sonora pop punk. O time de roteiristas cria arcos que alternam episódios leves e sagas intensas, destacando Raven e Terra como pontos altos de profundidade emocional.

Hynden Walch imprime em Starfire uma ingenuidade carismática, enquanto Tara Strong (Raven) navega por tons mais sombrios sem perder a vulnerabilidade da personagem. Greg Cipes (Beast Boy) injeta humor físico através da entonação, algo que lembra dublagem de comédias japonesas.

O resultado é uma série que marcou gerações, equilibrando estética de mangá e narrativa ocidental, prova de que cartoons podem abraçar arcos longos sem perder o frescor.

Invincible

Robert Kirkman adapta seu próprio quadrinho ao lado dos showrunners Simon Racioppa e David Alpert. A direção violenta e sem censura rompe expectativas do gênero de super-herói, com enquadramentos que não poupam detalhes sangrentos para reforçar o choque dramático.

Steven Yeun (Mark Grayson) entrega uma performance gradativa: a voz quebra na adolescência alegre do início e ganha peso conforme as revelações sobre Omni-Man, vivido de forma ameaçadora por J.K. Simmons. Sandra Oh completa o núcleo familiar com sutileza emocional.

A produção do estúdio coreano MAFIA traz animação dinâmica, especialmente nos voos e colisões, lembrando a fluidez de lutas em animes como One-Punch Man, mas com comentário social mais ácido.

She-Ra and the Princesses of Power

Noelle Stevenson redefine o universo de Etheria com roteiro que investe em trauma, amizade e redenção. A direção de Jen Bennett mantém tom aventureiro sem infantilizar o público, criando batalhas estratégicas que refletem dilemas morais.

Aimee Carrero dá vida a Adora/She-Ra com um timbre que transita entre a insegurança da recruta e a firmeza da heroína. AJ Michalka (Catra) constrói a antagonista com camadas de vulnerabilidade, resultando em um dos relacionamentos mais comentados da animação recente.

A paleta de cores vibrante contrasta com a seriedade dos temas, reforçando a mensagem de esperança. A série demonstra que representatividade pode ser orgânica sem comprometer ritmo ou tensão dramática.

The Dragon Prince

A dupla Aaron Ehasz e Justin Richmond utiliza cell-shading para fundir 3D e 2D, criando batalhas mágicas visualmente distintas. O roteiro de Ehasz, ex-Avatar, constrói mitologia densa de forma acessível, girando em torno de conflitos políticos, preconceito e destino.

Jack DeSena (Callum) e Sasha Rojen (Ezran) oferecem contrastes de maturidade, enquanto Paula Burrows (Rayla) adiciona sotaque escocês que ressalta a origem élfica. As interações carregam humor, mas não escapam da carga dramática exigida pelos eventos.

Ao longo das temporadas, a direção mescla aventura leve com momentos sombrios, aproximando-se da estrutura épica vista em animes de fantasia como Fullmetal Alchemist.

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Imagem: Casandra Rning

RWBY

Criada por Monty Oum e produzida pela Rooster Teeth, RWBY aposta em animação 3D estilizada e coreografias que remetem a videogames e shounen. O roteiro assinado por Kerry Shawcross evolui de cotidiano escolar para ameaça global, ampliando stakes a cada volume.

Lindsay Jones (Ruby) se destaca ao transmitir ingenuidade e liderança, enquanto Kara Eberle (Weiss) dá rigidez aristocrática que quebra em momentos emocionais. A trilha de Jeff Williams pontua lutas com impacto, lembrando aberturas de anime.

Apesar do orçamento limitado inicial, a equipe de direção encontrou soluções criativas que resultaram em cenas de ação fluidas, valorizando armas híbridas e poderes semestrais, o que atrai fãs de animes como Fairy Tail.

Samurai Jack

Genndy Tartakovsky concebeu uma obra pautada no minimalismo, usando silêncio e cenários amplos para ampliar tensão. A narrativa episodicamente poética se tornou mais sombria na quinta temporada, fechando o arco com peso emocional.

Phil LaMarr empresta voz a Jack com entonação contida, refletindo disciplina zen e dor interna. Mako Iwamatsu, e posteriormente Greg Baldwin, dão vida a Aku com teatralidade que equilibra humor e ameaça.

O traço angular e paleta reduzida criam identidade visual inconfundível, enquanto as cenas de ação lembram coreografias de chanbara japonês, resultando em experiência quase contemplativa.

The Legend of Korra

Michael Dante DiMartino e Bryan Konietzko retornam ao universo Avatar focando em política, tecnologia e espiritualidade. A estrutura em “livros” permite arcos fechados com vilões ideológicos, de Amon a Kuvira, cada qual refletindo questões sociais atuais.

Janet Varney dá voz à protagonista com firmeza, explorando vulnerabilidade frente ao PTSD. J.K. Simmons aparece novamente na lista como Tenzin, mentor austero porém carinhoso.

A animação do Studio Mir mantém fluidez de artes marciais inspiradas no kung fu clássico, garantindo combates que competem com muitos shounens populares.

Castlevania

Warren Ellis conduz os roteiros adaptando a franquia da Konami com foco em diálogos afiados e temas de fé, vingança e moralidade. A direção de Sam Deats opta por estética gótica sombria, realçada pela arte do estúdio Powerhouse.

Richard Armitage (Trevor) entrega sarcasmo à la anti-herói, enquanto James Callis (Alucard) equilibra melancolia aristocrática. Graham McTavish, como Drácula, oferece uma das mais comoventes versões do vampiro, sustentando dor e fúria em igual medida.

Com violência gráfica, enquadramentos dinâmicos e trilha atmosférica, a série lembra animes de dark fantasy como Berserk, mas traz identidade própria.

Arcane

Christian Linke e Alex Yee transformam o universo de League of Legends em drama steampunk. A parceria com o estúdio francês Fortiche resulta em animação híbrida que mistura pintura digital e 3D, criando quadros dignos de arte conceitual.

Hailee Steinfeld (Vi) e Ella Purnell (Jinx) conduzem a história de irmãs com interpretações cruas, sustentadas por diálogos que revelam traumas e lealdades quebradas. Kevin Alejandro (Jayce) e Katie Leung (Caitlyn) completam o elenco com nuances políticas e emotivas.

A fotografia, som e roteiro se alinham para entregar clímax emocionais potentes, conquistando até quem nunca jogou o game, em um modelo que redefine expectativas para adaptações de videogame.

Avatar: The Last Airbender

Finalizando a lista, a criação de DiMartino e Konietzko equilibra jornada de amadurecimento, guerra e espiritualidade. A estrutura de três livros permite acompanhar Aang dominando cada elemento, enquanto roteiristas abordam temas como genocídio e perdão.

Zach Tyler Eisen (Aang) confere leveza infantil que amadurece conforme a pressão da guerra aumenta. Dante Basco rouba a cena como Zuko, modulando ira, culpa e redenção ao longo de 61 episódios.

Com coreografias de artes marciais reais para cada estilo de dobra, direção de arte inspirada em culturas asiáticas e narrativa serializada, a produção se consolida como referência para todas as demais séries desta lista.

Esses 12 títulos mostram que a animação ocidental pode dialogar com a tradição dos animes sem perder sua identidade, oferecendo tramas ricas, atuações marcantes e direção de primeira linha. Uma prova de que, quando o assunto é boa história, a fronteira entre Oriente e Ocidente é cada vez menor.

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Sou redator especializado em conteúdo de beleza, moda e crochê. Produzo conteúdos desde 2021, tendo experiência como colunista em sites de referência.