Da estreia à reinvenção: os 10 desenhos de Scooby-Doo que marcaram a TV

Por Willian
10 Leitura mínima

Desde 1969, Scooby-Doo e a turma da Mistério S/A atravessam gerações com novos formatos, estilos de animação e, principalmente, elencos de voz que ajudam a renovar o fôlego da franquia.

O ranking a seguir revisita dez produções televisivas disponiveis para serem assistidas através da recarga UNITV. Nosso ranking avalia a química entre dubladores, escolhas de roteiro e direção, e mostra como cada título deixou sua marca – para o bem ou para o mal – no legado do cão mais medroso (e carismático) dos desenhos.

Da estreia em 1969 aos reboots contemporâneos

A lista parte das séries menos celebradas até chegar às favoritas do público, sempre destacando quem conduziu a dublagem original, quem esteve por trás da sala de roteiristas e como a direção influenciou o resultado na tela.

Scooby-Doo and Scrappy-Doo (1979 – segmentos de 7 minutos)

Com direção de Ray Patterson e dublagem principal de Don Messick (Scooby) e Lennie Weinrib (Scrappy), a série apostou em episódios curtos que deixavam Fred, Daphne e Velma de fora. A ausência do grupo completo tirou força dos mistérios e cansou parte da audiência.

O roteiro, centrado em piadas rápidas e perseguições, dependia demais da ousadia de Scrappy para resolver situações que antes exigiam dedução. A repetição da fórmula em apenas sete minutos pesou contra a profundidade das tramas.

Embora Patterson tentasse dinamizar a animação, a montagem acelerada e a ênfase em gags visuais reduziram a atmosfera de suspense que caracterizava a série original, prejudicando o engajamento de quem buscava investigações mais elaboradas.

Velma (2023, HBO Max)

Desenvolvida por Charlie Grandy e Mindy Kaling – que também dubla a protagonista –, Velma se propõe a repaginar a origem da equipe em tom adulto. A direção de animação conduz situações de humor ácido, mas a decisão de excluir Scooby gerou forte rejeição.

O elenco diverso, com Constance Wu (Daphne) e Sam Richardson (Norville), mostra bom timing cômico, porém os roteiros optam por referências metalinguísticas que eclipsam o mistério. A crítica apontou excesso de autoconfiança no texto, sem o charme leve da franquia.

Mesmo com acabamento visual caprichado, a série perde o equilíbrio entre sátira e homenagem, tornando-se alvo de avaliações negativas que impactaram seu desempenho junto ao público e à imprensa especializada.

Scooby-Doo and Scrappy-Doo (1979 – meia hora tradicional)

Nesta outra encarnação homônima, dirigia-se novamente Ray Patterson, agora com episódios completos. A presença integral da turma ajudou a recuperar parte da dinâmica, mas Scrappy ainda assumia o protagonismo com sua coragem intempestiva.

Frank Welker (Fred) e Heather North (Daphne) retornaram às vozes originais, garantindo familiaridade ao time. Mesmo assim, o roteiro os deixava em segundo plano, o que limitava cenas de investigação coletiva.

O resultado foi positivo para números de audiência na época, mas a superexposição do sobrinho irritou fãs mais antigos e consolidou a imagem de Scrappy como personagem divisivo dentro do universo da série.

The Scooby-Doo Show (1976-1978)

Produzida por Joe Ruby e Ken Spears, a atração reunia segmentos variados, alguns oriundos de especiais como The Scooby-Doo/Dynomutt Hour. A alternância de histórias trouxe participações especiais que dividiram opiniões.

Don Messick, Casey Kasem (Shaggy) e o restante do elenco mantiveram a química, mas o roteiro diluiu o suspense ao inserir personagens convidados com pouco peso dramático. A direção optou por ritmo leve, afastando-se do clima de investigação.

Além disso, a estreia do primo Scooby-Dum não agradou: o humor simplista do personagem foi visto como estereotipado, repercutindo negativamente entre críticos e espectadores da época.

The New Scooby-Doo Mysteries (1984-1985)

Sob a batuta do diretor Oscar Dufau, a série marcou o retorno de Daphne (dublada por Heather North) e reforçou o elemento sobrenatural. Scooby, Shaggy e Scrappy lideravam a maior parte dos episódios, deixando Fred e Velma em aparições pontuais.

A intenção era recriar a tensão fantasmagórica, mas o roteiro se ressentia da falta do time completo, gerando sensação de aventura incompleta. Ainda assim, a qualidade da dublagem manteve a identidade vocal da franquia.

Quando Fred e Velma apareceram no fim da temporada, a recepção melhorou, mas já era tarde para transformar a série em referência duradoura, resultando num produto visto como interlúdio dentro da cronologia.

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Imagem: Internet

Be Cool, Scooby-Doo! (2015-2018)

Com roteiro liderado por Jon Colton Barry e direção de Andy Thom, a animação trocou o traço clássico por um design estilizado e colorido que chocou parte dos fãs. A trama acompanha a última viagem de verão antes da faculdade.

Os dubladores originais continuaram: Frank Welker agora em dose dupla (Scooby e Fred) e Grey Griffin (Daphne). O humor ganhou ritmo mais sarcástico, equilibrando piadas inteligentes e a solução de mistérios tradicionais.

Após o estranhamento inicial com a arte, a série conquistou boa avaliação por devolver casos semanais bem estruturados, embora não tenha alcançado o topo do cânone devido ao visual considerado “garish” por alguns críticos.

Shaggy & Scooby-Doo Get a Clue! (2006-2008)

Último projeto com envolvimento direto de Joseph Barbera, a produção comandada por Ray DeLaurentis levou a dupla para aventuras ligadas a uma herança bilionária. A estética moderna dividiu opiniões, mas mostrou ousadia.

Matthew Lillard assumiu Shaggy após viver o personagem em live-actions, emprestando frescor à voz; Frank Welker manteve o tom clássico de Scooby. O foco, entretanto, permaneceu quase sempre na dupla, afastando o espírito investigativo coletivo.

Com apenas duas temporadas, o projeto é lembrado pelo experimento visual e por ser o canto do cisne de Barbera, mas não atingiu o status de imprescindível justamente pela ausência constante de Fred, Daphne e Velma.

The New Scooby-Doo Movies (1972-1973)

Primeira expansão da série original, o programa foi dirigido por Joseph Barbera e contou com roteiros que incluíam celebridades reais em cada episódio. Nomes como Sonny & Cher e Dick Van Dyke contracenavam com a gangue.

A química entre os dubladores clássicos e os convidados garantia espontaneidade, enquanto os mistérios mantinham tom leve e camp. A direção de episódios de 45 minutos permitia mais desenvolvimento de enredo.

Mesmo que muitos famosos já não sejam conhecidos do público atual, o formato provou a versatilidade da marca e abriu caminho para futuros crossovers no universo de Scooby-Doo.

Scooby-Doo and Guess Who? (2019-2021)

Criada por Chris Bailey, a série retomou a ideia de convidados especiais, desta vez com nomes contemporâneos como Mark Hamill, Ricky Gervais e Weird Al Yankovic. O roteiro integrava os visitantes de forma orgânica às tramas.

Frank Welker, Grey Griffin, Matthew Lillard e Kate Micucci (Velma) mostraram entrosamento afinado, enquanto a direção equilibrou humor e mistério sem ofuscar os protagonistas. O resultado foi elogios pela atualização bem-sucedida do conceito.

A estética moderna, aliada a participações de personagens icônicos como Batman e Sherlock Holmes, garantiu ritmo dinâmico e manteve a série relevante para o público jovem e nostálgico.

The 13 Ghosts of Scooby-Doo (1985-1986)

Com apenas 13 episódios dirigidos por Ray Patterson, a série mergulhou de vez no sobrenatural: após libertar 13 fantasmas, Scooby, Shaggy, Daphne, Scrappy e o garoto Flim Flam precisavam capturá-los novamente.

A dublagem de Vincent Price como Vincent Van Ghoul trouxe clima gótico e sofisticado, elevando a tensão dramática. O roteiro apostou em continuidade, algo raro na franquia, criando senso de urgência inédito.

O encerramento em aberto deixou fãs curiosos por décadas, até que o longa Scooby-Doo! and the Curse of the 13th Ghost (2019) concluiu a história. O arco compacto e o tom sombrio fazem desta versão uma das mais cultuadas da saga.

De Scrappy a Velma, cada tentativa de reinvenção demonstra a elasticidade criativa de Scooby-Doo, sustentada por direções que ora arriscam, ora reverenciam a fórmula clássica, mas sempre contam com dubladores que mantêm viva a essência investigativa da Mistério S/A.

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