Os anos passaram desde o fim de Game of Thrones, mas o universo de George R. R. Martin continua se expandindo na HBO. A próxima parada é A Knight of the Seven Kingdoms, série comandada por Ira Parker que adapta as novelas Dunk & Egg e tem direção inicial de Owen Harris.
Como a trama se passa quase um século antes da guerra pelo Trono de Ferro, alguns rostos conhecidos – ou melhor, mais jovens – podem surgir como easter eggs. Relembramos quem, na cronologia oficial, já respirava o ar de Westeros nesse período e analisamos como suas antigas interpretações marcaram a série original.
Personagens que já caminhavam por Westeros antes de Dunk & Egg
A lista a seguir considera a linha do tempo apresentada nos livros e na produção da HBO. Mesmo sem a promessa de retornos de elenco, o material de referência de Martin abre espaço para conexões sutis que fãs atentos certamente vão caçar.
Aemon Targaryen
No futuro, Peter Vaughan deu vida ao maester cego que aconselhou Jon Snow na Muralha. Suas cenas, cheias de serenidade e melancolia, tornaram-se um porto seguro para o público logo na primeira temporada.
Durante os eventos de A Knight of the Seven Kingdoms, Aemon ainda é um estudante na Cidadela. O roteiro de Ira Parker pode explorar esse período de formação, revelando o momento em que ele recusa o trono em favor do irmão, Egg – ponto decisivo que nunca ganhou representação visual.
O diretor Owen Harris, conhecido por valorizar silenciosos conflitos internos, teria material farto para mostrar a abdicação de Aemon sem perder a essência que Vaughan imortalizou, mesmo que outro ator precise assumir o papel.
Brynden Rivers
Nos livros, o bastardo real mais tarde se transforma no Corvo de Três Olhos. Na TV, o personagem apareceu brevemente (interpretado por Struan Rodger e, depois, Max von Sydow) transmitindo a áurea enigmática que definiu a jornada mística de Bran Stark.
No período da nova série, Brynden ainda é o controverso Mão do Rei que será exilado para a Patrulha. O roteiro pode aproveitar essa fase política para ampliar os bastidores das Rebeliões Blackfyre, oferecendo ao espectador contexto inédito sobre a gênese do futuro mentor de Bran.
Visualmente, Harris poderá resgatar o marcante sinal de nascença vermelho – detalhe ausente na versão final de Game of Thrones – reforçando a fidelidade que a adaptação promete ter com as descrições de Martin.
Old Nan
A anciã de Winterfell apareceu só na primeira temporada, interpretada pela veterana Margaret John, mas bastou para gravar seus contos sombrios na memória dos fãs. Seu destino ficou fora de tela no seriado, aumentando o mistério.
Cronologicamente, Nan já é viva décadas antes de Dunk & Egg e poderia surgir como jovem camponesa enviada ao Norte. Essa passagem permitiria homenagear a performance delicada de John, explorando a origem das lendas que, mais tarde, embalam Bran Stark.
Se surgir, o desafio de elenco será manter o tom caloroso que a atriz imprimiu, unindo doçura e temor ancestral – uma combinação que fez de Nan uma narradora tão cativante quanto sinistra.
Walder Frey
Interpretado por David Bradley, o senhor da Travessia tornou-se símbolo da traição após o Casamento Vermelho. Seu sarcasmo calculado foi um dos pontos altos das temporadas 3 e 6.
No recorte de A Knight of the Seven Kingdoms, Walder tem apenas quatro anos e aparece na novela The Mystery Knight durante o casamento de sua irmã. Um breve cameo infantil bastaria para manter coerência com a linha do tempo e, ao mesmo tempo, acenar aos fãs sem cair em fan service excessivo.
Imagem: Internet
O texto de Parker pode usar a impaciência já perceptível na criança para espelhar o temperamento que Bradley entregou com maestria – prova de que, em Westeros, certos defeitos não vêm com a idade, mas de berço.
Leaf
A Criatura da Floresta ganhou destaque na sexta temporada sob interpretação de Kae Alexander, em cenas que explicaram a origem dos White Walkers. A maquiagem elaborada e movimentos etéreos destacaram a personagem entre tantos humanos.
Nos romances, Leaf tem cerca de duzentos anos na era Dunk & Egg, o que abre margem para aparições em possíveis arcos que avancem para além da Muralha, sobretudo se a série retratar o sumiço de Brynden Rivers no Norte profundo.
Visualmente, Owen Harris pode retomar o design da temporada 6, mantendo continuidade estética e ressaltando a importância de efeitos práticos aliados a CGI, combinação que rendeu elogios à produção original.
Melisandre
Carice van Houten fez da Sacerdotisa Vermelha uma figura hipnotizante, balanceando fervor religioso e vulnerabilidade, especialmente após a revelação de sua verdadeira idade na sexta temporada.
Martin nunca confirmou quantos séculos Melisandre tem, mas tudo indica que ela já vive na época de Dunk & Egg. O roteiro poderia insinuar sua presença em eventos como a Tragédia de Summerhall, onde rumores de pirotecnia e magia abundam.
Mesmo sem participação direta, menções a sacerdotes vermelhos podem reforçar a coerência interna e manter viva a aura de mistério que van Houten tão bem estabeleceu.
White Walkers
Na cronologia televisiva, as criaturas geladas ficam adormecidas por milênios. A estreia delas em Game of Thrones mostrou design marcante, criado com próteses e CGI, que rendeu indicações a prêmios de maquiagem.
Durante Dunk & Egg, os Outros são lenda distante contada a crianças – posição perfeita para pequenas referências visuais ou diálogos que reforcem a ameaça em estado latente além da Muralha.
Sem necessidade de grandes batalhas, a simples imagem de símbolos congelados ou histórias assustadoras pode conectar a futura prequel ao imaginário que aterroriza Westeros séculos depois.
Com direção de Owen Harris e roteiro alinhado a George R. R. Martin, A Knight of the Seven Kingdoms tem terreno fértil para inserir esses personagens sem perder o foco nos protagonistas Dunk e Egg. Resta saber até que ponto a nova produção aproveitará as pontes já construídas pela série original.





