A Netflix prepara uma leva robusta de animações originais para os próximos anos, mirando públicos diversos e explorando gêneros que vão do terror ao steampunk. As produções listadas a seguir já despertam expectativa não apenas pelo apelo das histórias, mas também pelos nomes envolvidos na direção e no roteiro.
Mesmo sem datas de estreia definidas, cada título ganhou atenção graças ao histórico de seus criadores ou à força da obra que serviu de inspiração. A seguir, detalhamos como esses projetos pretendem se destacar no catálogo do streaming.
O que faz dessas animações apostas quentíssimas
De vozes consagradas da animação — como Genndy Tartakovsky — a estúdios cultuados, caso da Kyoto Animation, os seis projetos reúnem equipes dispostas a experimentar linguagens visuais e narrativas. Além disso, todos prometem manter respeito pelos materiais originais, fator que pesa na recepção de fãs veteranos e curiosos de primeira viagem.
Confira, item a item, o que já se sabe sobre cada produção e por que críticos vêm tratando essas séries como possíveis novos hits do streaming.
Midnight Sun
Anunciada em 2024, Midnight Sun retoma o universo de Crepúsculo ao adaptar o livro homônimo de Stephenie Meyer, desta vez sob o olhar de Edward Cullen. A decisão de transformar o romance em animação, e não em live-action, dá liberdade estética para brincar com o brilho vampiresco ao sol, algo complexo de reproduzir com atores reais.
Além disso, a série abre espaço para um trabalho de voz que pode aprofundar os dilemas internos do protagonista, já que o texto original mergulha em seus pensamentos. A equipe de roteiro deve equilibrar romance adolescente e suspense sobrenatural sem repetir o tom dos filmes.
Nos bastidores, ainda não há elenco confirmado, mas a escolha do estúdio de animação será decisiva para definir se o design seguirá a descrição literária ou referências vistas no cinema. Independentemente da direção tomada, a proposta é revigorar a marca sem competir diretamente com a saga live-action.
Para a Netflix, o projeto chega em um momento de redescoberta da franquia, que voltou a figurar entre os títulos mais vistos da plataforma. O desafio será manter o frescor e, ao mesmo tempo, conversar com a nostalgia dos fãs.
Motel Transylvania
Com Genndy Tartakovsky novamente à frente da direção, Motel Transylvania pretende resgatar o humor frenético que marcou os dois primeiros longas de Hotel Transylvania. A troca do castelo na Europa por um motel no deserto californiano promete situações inusitadas e novos monstros como hóspedes.
O roteiro, segundo a equipe, quer voltar ao “conceito base” do hotel como ponto de encontro de criaturas excêntricas, derrapada vista nos filmes 3 e 4 ao abandonar esse cenário. Drac, Mavis e demais personagens principais seguem no centro da trama, agora interagindo com a cultura pop californiana.
A animação continuará valorizando a elasticidade típica dos designs de Tartakovsky, com timing cômico marcado e cortes rápidos. Essa linguagem deverá dialogar tanto com crianças quanto com adultos que acompanham a franquia desde 2012.
Para quem gosta de bastidores, Tartakovsky comentou que a equipe estuda piadas metalinguísticas sobre a indústria de Hollywood, o que pode render boas críticas internas ao universo do entretenimento.
Mafalda
Clássico das tirinhas argentinas, Mafalda ganhará vida sob direção do cineasta vencedor do Oscar Juan José Campanella. Produzida em espanhol, a série promete manter o sarcasmo e a inquietação da protagonista de seis anos, que questiona política, sociedade e até os pais.
Campanella reforçou que a animação utilizará CGI sem perder o traço inconfundível de Quino. O equilíbrio entre modernidade visual e fidelidade ao material impresso será o principal trunfo para conquistar audiências na América Latina e além.
No roteiro, as esquetes originais servirão como base, mas com adaptações para temas atuais — desigualdade, meio ambiente e tecnologia devem entrar na roda de conversa de Mafalda com os amigos. O formato episódico facilita inserir comentários pontuais, mantendo ritmo leve e observações ácidas.
Analistas ressaltam que a chegada da personagem ao streaming ocorre em momento oportuno: o humor crítico, aliado ao olhar infantil, dá novo fôlego a discussões urgentes sem soar panfletário.
Imagem: Internet
Ghostbusters: The Animated Series
Anunciado em parceria com a Sony Animation em 2022, o desenho de Ghostbusters passou anos em sigilo. Informações de bastidores indicam que a trama se situará na década de 1990, durante a primeira campanha de Walter Peck à prefeitura de Nova York — período pouco explorado na cronologia da franquia.
O projeto de série dialoga com um filme animado também em desenvolvimento, mas cada produção terá foco distinto. Na TV, veremos a equipe de caça-fantasmas encarando novas ameaças enquanto lida com mudanças políticas na cidade.
Embora o elenco de vozes ainda não tenha sido revelado, espera-se um mix de veteranos e novatos para revitalizar a marca e atrair público infantil, fator que motivou o formato animado. A ambientação noventista abre margem para referências musicais e tecnológicas da época.
Visualmente, a Sony Animation é conhecida por misturar 2D estilizado e 3D moderno, o que pode resultar em cenas de ação dinâmicas sem perder o charme cartunesco dos Caça-Fantasmas originais.
Sparks of Tomorrow
Produzida pela Kyoto Animation, Sparks of Tomorrow marca o primeiro projeto totalmente inédito do estúdio desde o trágico incêndio de 2019. Ambientada em 1907, numa Kyoto steampunk, a obra segue Inako Momokawa e Kihachi Sakamoto em busca de um catálogo elétrico capaz de mudar o rumo da história.
A direção ainda não foi anunciada, mas a expectativa é de que veteranos da casa assumam o posto, garantindo a fluidez de movimento e a paleta vibrante características do estúdio. Storyboards detalhados deverão destacar engrenagens, trilhos suspensos e vapor em cada canto do cenário.
O roteiro promete mesclar aventura, drama coming-of-age e comentários sobre gênero e classe, ingredientes que renderam ao estúdio sucessos como Violet Evergarden. Críticos já apontam o título como forte candidato a anime do ano.
Com esse histórico, Sparks of Tomorrow também pode atrair quem busca tramas densas, mantendo a sensibilidade lírica típica da Kyoto Animation, agora aplicada a um universo de máquinas a carvão.
Something Is Killing the Children
Fechando a lista, Something Is Killing the Children adapta a premiada HQ de James Tynion IV e Werther Dell’Edera, vencedora do Eisner. O projeto terá versões em filme live-action e em série animada, ambas desenvolvidas pela Blumhouse em parceria com a Netflix.
A trama acompanha Erica Slaughter, caçadora de monstros que chega à cidade de Archer’s Peak após o sumiço de várias crianças. Conhecida pelo tom sombrio e cenas gráficas, a HQ exige classificação indicativa mais alta — algo que a plataforma já trabalha em sucessos como Castlevania.
Os produtores garantem respeito ao design original, famoso pelo uso de sombras e cores chapadas que destacam a violência. A animação facilita reproduzir a estética angustiante sem as limitações do live-action, sobretudo em criaturas fantásticas.
Se mantiver o ritmo tenso e o diálogo afiado dos quadrinhos, a série tem potencial para se transformar na “The Walking Dead” da plataforma, apresentando ao grande público uma narrativa de horror adulto e sangrento.
Com essa combinação de apostas variadas — de vampiros introspectivos a caçadores de monstros —, a Netflix reforça sua estratégia de ampliar o portfólio animado para todas as idades, mantendo o interesse tanto de fãs casuais quanto de entusiastas do gênero.

