Depois de quebrar recordes de audiência em 2023, The Night Agent caminha para a quarta – e última – temporada. Antes do encerramento, vale analisar como cada ciclo até aqui foi recebido por crítica e público, destacando atuações, direção e decisões de roteiro que elevaram (ou derrubaram) o suspense político da Netflix.
Com Gabriel Basso sempre no centro da conspiração como o agente Peter Sutherland, a série alternou altos e baixos. A seguir, ranqueamos as três temporadas já disponíveis, explicando o que funcionou em cada uma delas e onde os criadores Shawn Ryan, Seth Gordon e companhia escorregaram.
O que muda de uma temporada para outra de The Night Agent?
Embora baseada no livro de Matthew Quirk apenas na estreia, a produção precisou criar novos arcos a partir do segundo ano. Isso exigiu novas ameaças, ajustes de tom e, principalmente, a forma de explorar a química entre personagens como Peter e Rose Larkin, de Lucianne Buchanan.
O resultado é um mosaico de temporadas com identidade própria. Entre reviravoltas na Casa Branca, romances interrompidos e vilões inéditos, cada ano atingiu públicos diferentes – algo refletido nas notas do Rotten Tomatoes.
3º lugar – Temporada 2 (2024)
A tão aguardada continuação trouxe de volta Basso e Buchanan, mas apostou em uma conspiração inédita. Apesar de elevar a escala da ameaça, o roteiro dispersou foco: a relação entre Peter e Rose, pilar emocional do primeiro ano, perdeu força, limitando o protagonista a cenas de preocupação constante.
Do ponto de vista de atuação, Gabriel Basso manteve a intensidade física, mas precisou trabalhar com diálogos mais expositivos. Lucianne Buchanan, mesmo entregue, teve menos espaço para brilhar. Críticos reconheceram o aumento de tensão, refletido em 86% de aprovação, porém o público derrubou a temporada para 40% no agregador.
A direção buscou cenas de ação grandiosas, porém a edição fragmentada prejudicou o ritmo. Ainda assim, nomes de apoio, como novos antagonistas, seguraram parte da trama. Para quem curte outras produções da Netflix, a temporada vale pela dinâmica de “fuga constante”, mas fica aquém do potencial apresentado no início da série.
2º lugar – Temporada 1 (2023)
O ponto de partida adaptou fielmente o romance de Quirk e apresentou um agente de linha de frente relegado a um telefone que nunca toca. Quando o aparelho finalmente soa, Basso transforma Peter em um herói improvável, evoluindo de burocrata a peça-chave de um complô interno na Casa Branca.
Lucianne Buchanan divide a cena com segurança: Rose Larkin ganha confiança própria e motor dramático além de ser “a protegida”. A química entre os dois sustenta episódios densos, enquanto a direção de Seth Gordon alterna salas de crise claustrofóbicas e perseguições urbanas.
Imagem: Internet
Com 74% de aprovação crítica, o primeiro ano conquistou a audiência de forma meteórica: terceira maior estreia da história da plataforma em quatro dias, depois sexta série mais vista de todos os tempos. A fotografia sóbria e o roteiro enxuto garantem que cada pista de conspiração tenha peso. O sucesso imediato justificou a renovação antecipada para mais dois ciclos.
1º lugar – Temporada 3 (2025)
Após o tropeço do segundo ano, Shawn Ryan apostou em narrativa quase antológica. Rose não aparece em cena, o que dá liberdade a Peter para assumir missões de risco dentro do Salão Oval – retomando o fascínio pelo poder presidencial observado na estreia.
Esse espaço serviu para o ator explorar novas camadas do protagonista, agora menos refém de romances e mais próximo de dilemas éticos complexos. Genesis Rodriguez, no papel da assessora Isabel De Leon, entrou sem subtrama amorosa e fortaleceu o elenco com presença firme, resultando em diálogos afiados e tensão constante.
A temporada se destaca pelo volume de reviravoltas – cada uma coreografada por fotografia escura e trilha crescente. A recepção equilibrada entre crítica e público mostrou que a equipe criativa conseguiu resgatar o frescor do primeiro ano e ainda surpreender. Para completar, a ausência de Rose serviu como respiro dramático, preparando terreno para o retorno da personagem no desfecho final.
Com ação mais compassada e roteiro que amarra todas as subtramas, o terceiro ano estabeleceu novo patamar de qualidade para thrillers políticos do streaming. Não à toa, colocou pressão sobre o capítulo de encerramento, atualmente em produção, que deve amarrar pontas soltas e, quem sabe, dar a Peter Sutherland o descanso merecido.
Enquanto a quarta temporada não chega, o ranking atual evidencia que The Night Agent encontrou sua melhor forma ao recuperar o suspense de bastidores da política norte-americana e limitar melodramas paralelos. Resta saber se o adeus conseguirá superar o padrão alto estabelecido pelo terceiro ano e encerrar a série no topo.
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