The Boys: quais atores originais sobreviveram à temporada final e como brilharam em cena

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Sete anos depois de estrear na Amazon Prime Video, The Boys encerrou a sua quinta temporada com uma despedida sangrenta, mas não para todos. Mesmo com roteiristas e direção mantendo o costume de chocar o público, nove personagens que já estavam no primeiro ano da série atravessaram a carnificina e apareceram vivos nos minutos finais.

Além de sacramentar arcos dramáticos, o episódio “Blood and Bone” serviu como vitrine definitiva para o talento de atores que, na maioria dos casos, carregam a produção desde 2019. A seguir, analisamos como cada intérprete sustentou seu papel, a forma como o showrunner Eric Kripke conduziu essas jornadas e por que o roteiro premiou esses sobreviventes.

Quem ficou vivo em The Boys e como a atuação convenceu até o último segundo

O capítulo final orquestrado por Kripke equilibrou ação, crítica social e desenvolvimento de personagens. A câmera de Phil Sgriccia, que dirigiu o desfecho, deu espaço para performances intimistas no meio do caos. Confira como cada veterano se despediu — ou seguiu adiante — neste universo.

Hughie Campbell (Jack Quaid)

Jack Quaid concluiu a saga de Hughie mantendo a vulnerabilidade que o tornou o “coração” da série. O ator explora bem o contraste entre a timidez do rapaz e sua coragem explosiva nos momentos de perigo, algo que o roteiro reforça ao colocá-lo cara a cara com Oh Father e, logo depois, com Billy Butcher.

Hughie no final de The Boys

A direção insiste em planos fechados que captam cada microexpressão de Quaid, sublinhando a culpa e o alívio que convivem quando ele se vê finalmente livre para abrir a própria loja de eletrônicos. A resolução — inclusive a gravidez de Annie — sela a ideia de que a empatia, tema central da jornada do personagem, ainda é possível em meio ao cinismo da série.

Para quem acompanhou os quadrinhos, chama atenção como Kripke se afasta do material original ao preservar Hughie, justificando a escolha com um arco de amadurecimento convincente. Não por acaso, o show é constante assunto em discussões sobre última temporada de séries de super-herói.

Annie January / Starlight (Erin Moriarty)

Erin Moriarty leva Starlight a um equilíbrio delicado entre idealismo e trauma. A atriz brilha, sobretudo, quando o roteiro de Jessica Chou coloca Annie diante das contradições de ser símbolo público de resistência e, ao mesmo tempo, buscar uma vida doméstica com Hughie.

Starlight voando em The Boys

O plano-sequência em que ela elimina The Deep evidencia o controle corporal da atriz, já que a coreografia alterna momentos de poder absoluto e hesitação humana. O diálogo final, anunciando o nome da filha como Robin, é sutil e entrega fan service sem perder o tom dramático.

Kripke reforça a permanência da personagem como heroína ao mostrá-la voando para impedir outro crime. Assim, a série deixa claro que, mesmo com vitória sobre Homelander, a luta ética continua — fiel ao subtexto político que guiou todas as temporadas.

Marvin “Mother’s Milk” (Laz Alonso)

Laz Alonso sempre trouxe gravidade a MM, mas na quinta temporada o ator investe em um desgaste emocional palpável. A fotografia acentua olheiras e suor, criando a sensação de que o personagem está no limite. Ainda assim, o roteiro reserva a ele alguns dos momentos de estratégia mais inteligentes do episódio final.

Mother's Milk em combate em The Boys

O reencontro com a família pontuado por uma cerimônia simples no túmulo de Butcher mostra o alcance dramático de Alonso: poucos segundos bastam para transmitir alívio, luto e esperança. Ao levar Ryan para casa, o personagem assume novo propósito, encerrando seu arco de forma circular.

O cuidado na construção desse final confirma como direção e roteiro valorizam o tema da paternidade — um dos motores centrais da série desde o piloto, conforme já apontado em matérias sobre os quadrinhos originais.

Kimiko Miyashiro (Karen Fukuhara)

Sem falas durante boa parte da série, Kimiko exige de Karen Fukuhara uma atuação baseada em linguagem corporal. No desfecho, ela explode — literalmente — ao liberar uma rajada que neutraliza Homelander, Ryan e Butcher. A cena combina efeitos práticos e digital, mas é o olhar de Fukuhara que vende o peso da decisão.

Kimiko em batalha final de The Boys

Após o combate, a ida a um café em Paris funciona como epílogo silencioso e evidencia a delicadeza da direção: sem uma única palavra, a atriz comunica saudade de Frenchie e desejo de recomeço. É um fecho agridoce, coerente com a trajetória de abuso e busca por identidade da personagem.

Críticos têm elogiado a forma como Kripke entrega justiça poética à única integrante superpoderosa do grupo, mantendo a pegada social que discute imigração e arma biológica desde a temporada inicial.

Ryan (Cameron Crovetti)

Cameron Crovetti assume papel maior na reta final, e sua performance convence ao transmitir o conflito entre admiração pelo pai biológico e medo de se tornar um monstro. O momento em que Ryan decide lutar contra Homelander ganha força porque a câmera mantém o garoto em primeiro plano, destacando a maturidade precoce.

Ryan encara Homelander em The Boys

Sem poderes após a explosão, Ryan passa a depender de MM, o que oferece perspectiva para futuras tramas — caso ocorram derivados. A escolha da sala do Trono Oval como localização reforça o subtexto sobre sucessão de poder, dirigido de forma quase teatral por Sgriccia.

The Boys: quais atores originais sobreviveram à temporada final e como brilharam em cena - Imagem do artigo original

Imagem: Prime Video

A despedida no cemitério, discreta, alinha o personagem à mensagem de que ambiente e tutores influenciam mais do que genética, tema caro ao roteirista Craig Rosenberg desde a primeira temporada.

Ashley Barrett (Colby Minifie)

Especialista em humor desconfortável, Colby Minifie se beneficia de diálogos apimentados que expõem a hipocrisia corporativa. No fim, a personagem tenta capitalizar o caos político, mas a montagem intercala sua coletiva de imprensa com a notícia do impeachment — gag visual que resulta em crítica mordaz ao populismo.

Ashley Barrett na coletiva em The Boys

Minifie equilibra desespero e vaidade em gestos mínimos: o jeito de ajeitar os óculos ou a respiração ofegante antes de subir ao púlpito. A caricatura de “PR sem escrúpulos” ganha nuance quando Ashley coopera com The Boys, revelando medo genuíno de Homelander.

Ao deixá-la viva, o roteiro sinaliza que a engrenagem capitalista de Vought segue funcionando — um ponto martelado por Kripke ao longo do seriado.

Stan Edgar (Giancarlo Esposito)

Veterano em papéis de vilão cerebral, Giancarlo Esposito faz de Stan Edgar o arquétipo do capitalista imbatível. Mesmo aparecendo pouco na temporada final, cada cena dele carrega tensão autoritária, graças a pausas calculadas e tom de voz quase sussurrado.

Stan Edgar reassume Vought em The Boys

A reviravolta que o recoloca na presidência da Vought fecha o arco iniciado no piloto: o poder econômico vence, enquanto super-heróis se mostram descartáveis. A direção opta por enquadrá-lo de baixo para cima, enfatizando domínio absoluto do ambiente.

Esposito adiciona camadas de sarcasmo ao discurso sobre “capitalismo sempre triunfar”, transformando texto cínico em comentário social eficaz, sem soar panfletário.

Presidente Robert Singer (Jim Beaver)

Jim Beaver traz credibilidade ao político veterano, evitando que Singer vire mero figurante institucional. Na temporada 5, o ator destaca a frustração do presidente ao lidar com supe-política, apoiado por um roteiro que o coloca sob ameaça de golpe.

Presidente Singer discursa em The Boys

O retorno triunfal ao cargo, confirmado no clímax, utiliza discurso público como catarse. Beaver dosa bem firmeza e empatia, oferecendo contraste ao caos supe. A proposta de emprego para Hughie funciona como alívio cômico e projeção otimista da governança humana.

É sintomático que Kripke mantenha Singer vivo: a democracia, mesmo falha, continua sendo aposta da série diante do autoritarismo encarnado por Homelander.

Nathan Franklin e família (Christian Keyes)

Embora apareça pouco, Christian Keyes marca presença sempre que contracena com Jessie T. Usher (A-Train). A dinâmica fraterna reforça o dilema moral de Reggie e culmina na escolha de A-Train pelo sacrifício. Sem o velocista, Nathan se vê livre do fardo de viver à sombra da fama.

Nathan Franklin em The Boys

A sobrevivência da família Franklin funciona como nota de esperança: o roteiro sugere que pessoas comuns, sem poderes, podem recomeçar após a queda dos ídolos. A decisão de não mostrar a família no episódio final preserva a intimidade dos personagens, evitando melodrama excessivo.

Keyes entrega humanidade crua, principalmente nas cenas de hospital após a temporada 3, estabelecendo ligação emocional que justifica o impacto do desfecho.

Um final violento que ainda aposta na humanidade

Ao longo de cinco temporadas, The Boys combinou sátira política, ultraviolência e reflexão sobre celebridade. O último capítulo honra essa mistura, mas reserva espaço para que veteranos do elenco mostrem toda a extensão de seu trabalho. Sob a batuta de Eric Kripke, direção e roteiro deixam claro: salvar o mundo pode ser improvável, mas ainda há personagens — e atores — capazes de sobreviver sem perder a alma.

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Sou redator especializado em conteúdo de beleza, moda e crochê. Produzo conteúdos desde 2021, tendo experiência como colunista em sites de referência.