Shoresy escala 10 craques do hóquei da vida real: veja como eles brilham na série

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“Shoresy”, derivada de “Letterkenny”, levou a velha máxima “escrever sobre o que se conhece” ao pé da letra. Para retratar com fidelidade o universo do gelo, o criador Jared Keeso lotou o elenco de atletas e comentaristas que já viveram intensamente o esporte fora das telas.

Do veterano Marty McSorley às vozes do jornalismo esportivo como Kenzie Lalonde, todos trocaram a arena ou o estúdio por um set de filmagem. A seguir, veja como essa escalação inusitada impacta as atuações, a condução de Keeso na direção e o roteiro cheio de verve e palavrões.

Quando a experiência no gelo encontra a câmera

Cada participação reforça o realismo pretendido pela produção e ajuda a explicar o tom quase documental da série. Mesmo sem grande bagagem em atuação, esses nomes aproveitam o timing aprendido em entrevistas pós-jogo para entregar falas rápidas, sarcasmo afiado e, claro, muita pancadaria coreografada.

Marty McSorley – ele mesmo

Campeão de audiências nas transmissões esportivas, McSorley surge em “Shoresy” como convidado de um talk show onde discute enforcers lendários. A direção mantém a câmera fixa em seu semblante sério, potencializando o humor quando o protagonista tenta conduzir a conversa e falha miseravelmente.

A presença do ex-defensor, famoso por proteger Wayne Gretzky, adiciona peso dramático e histórico. O roteiro brinca com o incidente que encerrou sua carreira – a suspensão por agressão – sem jamais citá-lo diretamente, o que cria um subtexto ácido apreciado pelos fãs.

Mesmo interpretando a si próprio, McSorley evidencia segurança e timing cômico, fruto de anos concedendo entrevistas pós-partida. Resultado: a cena ganha autenticidade e serve de vitrine para a proposta meta da série.

Terry Ryan – Ted “Hitch” Hitchcock

Ex-promessa do Montreal Canadiens, Terry Ryan encarna Hitch, recrutado para reviver os Bulldogs. Seu sotaque da Terra-Nova vira piada recorrente, escrito por Keeso para arrancar risadas enquanto destaca a diversidade de dialetos canadenses.

Na atuação, Ryan mistura a malandragem de vestiário com um inesperado gosto por martinis. A direção explora esse contraste em planos fechados que captam seu olhar quase sempre semicerrado, sinal de que Hitch pode explodir a qualquer momento.

O roteirista usa o passado real do ator – calouro do ano em 1998 antes de uma lesão no tornozelo – para justificar falas nostálgicas sobre “o que poderia ter sido”, tornando o personagem tridimensional sem perder o humor.

Jonathan-Ismaël Diaby – Dolo

Escolhido no draft de 2013 pelo Nashville Predators, Diaby virou rapper e, em “Shoresy”, interpreta justamente um atleta que trocou a NHL pela música. A montagem insere faixas do próprio artista, reforçando a fusão entre vida real e ficção.

Diaby domina as cenas físicas; seus 1,96 m ocupam a tela e dão veracidade às coreografias de briga. A direção prefere planos abertos para mostrar sua envergadura, enquanto o roteiro aproveita cada pausa para piadas sobre a carreira musical.

O resultado é um dos personagens mais carismáticos da série, responsável por equilibrar a testosterona com momentos de flow que quebram a tensão.

Chase Coughlan – Mason

Atleta do Sudbury Wolves da OHL, Coughlan não precisou sair da cidade onde já joga para entrar na trama. Keeso utiliza essa coincidência geográfica em falas que citam pontos locais, aumentando o senso de comunidade.

Interpretando Mason, ele assume o papel de novato disposto a causar confusão. Sua experiência real no gelo permite sequências de jogo filmadas com poucos dublês, o que a câmera capta em long take para evidenciar autenticidade.

No roteiro, Mason serve como espelho para atletas jovens: confiante, ligeiramente insolente e sempre disposto a provar seu valor, tanto no rink quanto nos bastidores.

Brian McGonagle – Rear Admiral

Conhecido pelo podcast “Spittin’ Chiclets”, McGonagle aparece como ele mesmo num debate televisivo. A cena aproveita o fato de ser o único norte-americano na mesa para criar choques culturais e piadas sobre terminologia do hóquei.

Seu domínio de câmera, fruto de anos em frente ao microfone, deixa o diálogo ágil. O diretor intercala closes nos demais analistas para mostrar reações incrédulas ao ouvir que McGonagle desconhecia a fama de Shoresy como “o jogador mais sujo”.

A participação curta funciona quase como easter egg para quem acompanha podcasts de esportes, reforçando a estratégia transmídia da série.

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Imagem: Internet

Andrew Antsanen – Brant “Goody” Goodleaf

Ex-jogador de hóquei júnior e lutador de MMA, Antsanen entrega fisicalidade visível. O roteiro brinca com seu passado no lacrosse para subverter expectativas: ele liderou a liga em pontos, mas em outro esporte.

O diretor explora sua paixão fictícia por frango em gags visuais rápidas, usando cortes secos para tempos de comédia precisos. Apesar de iniciante em atuação, Antsanen segura bem as falas, talvez pela experiência como treinador.

Goody representa o veterano que carrega moral no vestiário. A interpretação convence e reforça o tema central de dar segundas chances a atletas marginalizados.

Kenzie Lalonde – ela mesma

Voz consagrada do hóquei feminino no Canadá, Lalonde faz cameo em um bulletin esportivo onde Shoresy falha em explicar diferenças entre modalidades masculina e feminina. A ironia do texto destaca como a série inverte normas de gênero.

A condução de Lalonde é segura; sua dicção e ritmo de apresentadora real emprestam veracidade à cena. A câmera replica enquadramentos de transmissões oficiais, com gráficos e lower thirds fiéis ao padrão televisivo.

Além de homenagear a carreira da jornalista – primeira mulher a narrar hóquei masculino na TV canadense –, o episódio amarra a crítica à pouca visibilidade do esporte feminino.

Jonathan Torrens – Remy Nadeau

Veterano da TV, Torrens assume um comentarista francófono que nunca sai do “modo locutor”. O roteiro tira proveito da voz potente do ator, frequente em programas como “Street Cents”, para criar diálogos onde Remy narra até a própria ida ao café.

Na direção, Keeso usa humor slapstick ao colocar Torrens em situações cotidianas filmadas com a mesma pompa de uma final de campeonato. A fotografia acompanha com travellings dramáticos, amplificando o efeito.

Torrens, que já viveu Noah em “Letterkenny”, traz familiaridade ao universo compartilhado e mostra domínio de timing, servindo como fio de ligação entre as duas produções.

Jonathan Mirasty – Jim #1

Conhecido como enforcer em ligas como WHL e KHL, Mirasty vira carcereiro-jogador convidado para intimidar rivais. Seu porte físico ocupa o quadro, e a direção aposta em silêncios longos para sugerir ameaça contida.

Apesar da postura de “armário”, Mirasty entrega nuances cômicas com sobrancelhas arqueadas e microexpressões, valorizadas por close-ups. O roteiro equilibra brutalidade com camaradagem, reforçando a humanização dos Jims.

Suas cenas de luta dispensam dublês, adicionando realismo e poupando cortes excessivos. Uma escolha que reforça a intenção quase “pseudo-documental” da série.

Doug Gilmour – ele mesmo

Lenda da NHL, Gilmour surge em um noticiário esportivo onde Shoresy, tomado pela reverência, mal consegue chamá-lo pelo primeiro nome. O roteiro satiriza a idolatria que jogadores mais novos devotam a veteranos.

Gilmour apresenta naturalidade digna de quem soma duas décadas lidando com repórteres. A direção adiciona leve tilt de câmera, sugerindo a instabilidade emocional de Shoresy diante do ídolo.

Mesmo em participação relâmpago, o ex-capitão traz peso histórico, fechando o ciclo de camafeus e lembrando que o passado glorioso do hóquei canadense continua a influenciar o presente – dentro e fora da ficção.

Com esse elenco formado por quem já suou sangrou e triunfou no gelo, “Shoresy” redefine a autenticidade em séries esportivas. E prova que, às vezes, nenhum ator substitui a vivência de quem realmente já vestiu os patins.

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Sou redator especializado em conteúdo de beleza, moda e crochê. Produzo conteúdos desde 2021, tendo experiência como colunista em sites de referência.