Sete romances de fantasia que deixam Game of Thrones no chinelo

8 Leitura mínima

Enquanto leitores aguardam sinais de vida de The Winds of Winter, novos (e velhos) títulos provam que o trono de ferro da fantasia nunca fica vazio. Obras vindas do Japão ao Caribe entregam narrativas tão ambiciosas quanto — e em alguns casos mais ousadas do que — o universo criado por George R.R. Martin.

São romances que já inspiram séries, discutem magia com rigor quase científico ou mergulham em mitologias pouco exploradas. A seguir, uma análise objetiva de sete títulos que, segundo especialistas, superam Game of Thrones em escopo, originalidade ou impacto cultural.

Quando o Trono não é suficiente

Do realismo mágico de Haruki Murakami à grandiosidade tolkeniana de Robert Jordan, cada livro abaixo apresenta soluções narrativas próprias. Seja pela construção de personagem, seja pela complexidade política, todos oferecem material de sobra para adaptações cinematográficas ou televisivas — algumas já em andamento.

1Q84 – Haruki Murakami

Em três volumes lançados a partir de 2009, Murakami combina crime, romance e fantasia ao colocar Tengo e Aomame em uma Tóquio paralela batizada de 1Q84. O autor emprega um roteiro literário de tom meticuloso, marcado por pequenos mistérios — como as “air chrysalises” e a presença de duas luas — que desafiam a linha entre realidade e ficção.

Ainda sem adaptação confirmada, o livro exibe elementos puramente cinematográficos: cenas de tensão contidas, diálogos calculados e uma atmosfera capaz de sustentar longos planos contemplativos. Qualquer cineasta que assuma o projeto herdará uma base narrativa sólida para trabalhar subtexto e simbolismo.

Com menor ênfase em batalhas e mais foco em clima, 1Q84 funciona como contraponto à fantasia tradicional e mostra que o gênero também pode exibir sutileza em vez de dragões e espadas.

The Name of the Wind – Patrick Rothfuss

Estreia do autor em 2007, o livro apresenta Kvothe, bardo em decadência que narra sua própria lenda em duas linhas temporais. A obra equilibra a jornada de formação do protagonista com tensão crescente ao sugerir catástrofes futuras, tornando o texto quase autoconsciente de seu próprio roteiro.

A escrita lírica de Rothfuss chama atenção pela musicalidade — recurso que, em uma eventual série, exigiria direção sensível para traduzir ritmo e poesia em imagem. Até o momento, entretanto, o terceiro volume permanece inédito, o que deixa qualquer projeto de adaptação em compasso de espera.

Mesmo assim, The Name of the Wind segue citado como um dos inícios de saga mais envolventes já publicados, graças a personagens ricos, sistema de magia coerente e conflitos palpáveis.

The Way of Kings – Brandon Sanderson

A porta de entrada de Os Arquivos da Tormenta (2010) entrega mais de mil páginas que passam voando. Sanderson, conhecido por criar sistemas de magia quase científicos, apresenta espren, Parshendi e bestas chasmfiend em um mundo devastado por tempestades.

Com Kaladin, Shallan e Dalinar no centro, Sanderson costura múltiplos pontos de vista e mantém alta a tensão dramática. Apple TV já prepara adaptação do Cosmere, universo compartilhado do autor, e deve usar The Way of Kings como ponto de partida — desafio que exigirá direção capaz de equilibrar grandes cenas de ação com conflitos morais íntimos.

Se executada corretamente, a série pode repetir o feito de Game of Thrones em popularizar fantasia “para adultos”, graças ao roteiro detalhista e ao elenco de personagens complexos.

Black Leopard, Red Wolf – Marlon James

Lançado em 2019, o vencedor do Man Booker Prize investe em mitologia africana para contar a história de Tracker, caçador contratado para encontrar um garoto desaparecido. Violento e psicodélico, o texto de James quebra linearidade e exige atenção redobrada do leitor, espelhando estruturas pós-modernas.

Chamada de “Game of Thrones africano”, a obra na verdade segue outro caminho: menos palatável e muito mais sombria. Caso vá para as telas, o projeto precisará de casting ousado e direção disposta a lidar com cenas graficamente intensas, além de um roteiro que respeite o ponto de vista não confiável do narrador.

Sete romances de fantasia que deixam Game of Thrones no chinelo - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

Resultado: um universo que expande horizontes do gênero ao fugir do padrão eurocêntrico e dialogar com questões de identidade e memória cultural.

Gardens of the Moon – Steven Erikson

Primeiro volume de The Malazan Book of the Fallen (1999) joga o leitor direto no front de batalhas complexas sem explicações preliminares. Erikson, arqueólogo de formação, constrói cenário brutal em que impérios colidem e deuses interferem de forma imprevisível.

O roteiro exige atenção aos detalhes: personagens surgem e desaparecem, alianças mudam e a magia opera em níveis quase cósmicos. Em caso de adaptação, seria necessário um showrunner experiente para manter coesão narrativa ao longo dos dez livros já publicados.

Apesar da dificuldade, fãs garantem que revisitar Malazan recompensas com novas camadas de significado, tornando Gardens of the Moon um marco de criatividade e audácia dentro da fantasia.

The Eye of the World – Robert Jordan

Publicado em 1990, o livro inaugura a série A Roda do Tempo e parte de cenário pastoral rumo a conflito continental. Jordan amplia gradualmente o escopo, introduzindo Aes Sedai, monstros e lendas antigas, mas sem abandonar o crescimento interior de Rand al’Thor e companhia.

A Prime Video lançou adaptação em 2021, porém a continuidade ainda é incerta. O piloto evidenciou que a maior virtude da saga está na riqueza de facções e crenças, algo que requer direção disposta a investir em worldbuilding denso e elenco capaz de sustentar arcos longos.

Nos livros, Jordan prova que a fantasia pode evoluir além de Tolkien sem perder senso de maravilha, fenômeno que ajudou a abrir espaço para autores posteriores como Sanderson.

The Lord of the Rings – J.R.R. Tolkien

Clássico lançado entre 1954 e 1955, O Senhor dos Anéis permanece referência máxima do gênero. A trilogia combina experiência pessoal de guerra, estudo linguístico e mitologia para erguer a Terra-média, povoada por elfos, anões e, claro, hobbits.

Do ponto de vista de roteiro, Tolkien introduziu tensão episódica — da Sociedade ao Abismo de Helm — que se tornou padrão em narrativas seriadas. Nas telas, as trilogias de Peter Jackson provaram a força do material, enquanto a série The Rings of Power vasculha apêndices para contar eras anteriores.

Mesmo décadas depois, a obra segue influenciando escritores e cineastas, demonstrando que épicos de moral clara ainda podem oferecer drama adulto e densidade temática.

Em comum, esses sete romances exibem amplitude temática, construção de mundo consistente e potencial audiovisual evidente. Para quem procura algo além das intrigas de Westeros, qualquer título da lista garante jornadas tão — ou mais — arrebatadoras quanto.

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Sou redator especializado em conteúdo de beleza, moda e crochê. Produzo conteúdos desde 2021, tendo experiência como colunista em sites de referência.