Romances complicados, triângulos amorosos e verões inesquecíveis voltaram a dominar o catálogo do Prime Video graças a The Summer I Turned Pretty. A adaptação dos livros de Jenny Han abriu caminho para outras narrativas adolescentes que apostam mais na química dos personagens do que nos clichês de corredores escolares.
Se você terminou a maratona de Belly, Conrad e Jeremiah e ainda sente falta de um drama jovem com altas doses de emoção, há produções no streaming que seguem a mesma linha. Elas variam de fantasias históricas a mistérios psicológicos, mas todas compartilham a mesma pegada: personagens tridimensionais, roteiros focados em sentimentos e elencos afiados.
Séries no Prime Video que mantêm a centelha de TSITP
Nesta lista, destacamos dez títulos que merecem entrar na sua fila. Além de pontos de contato na temática, analisamos a performance do elenco, as escolhas de direção e o trabalho dos roteiristas que fazem cada produção brilhar por conta própria.
My Lady Jane
Na liderança, Emily Bader segura a trama com naturalidade ao transformar a histórica Lady Jane Grey numa heroína de fantasia. O roteiro, escrito por Gemma Burgess, prefere diálogos ágeis e situações absurdamente divertidas a qualquer compromisso com a realidade. Bader se destaca ao equilibrar inocência e ousadia, sustentando a química com o elenco de apoio.
Dirigida em boa parte por Jamie Babbit, a série investe em enquadramentos amplos que ressaltam o tom aventureiro. A narrativa prioriza o despertar emocional de Jane, algo que ecoa a jornada de Belly em TSITP: ambas precisam escolher quem são antes de escolher com quem ficar.
A trilha sonora anacrônica, recheada de pop moderno em cenário renascentista, reforça a sensação de “conto de verão” fora de época. É essa combinação de irreverência e romance que aproxima as duas produções.
The Vampire Diaries
Nina Dobrev mostra versatilidade ao interpretar Elena Gilbert, dobrando a carga dramática sempre que contracena com Paul Wesley e Ian Somerhalder. O triângulo entre irmãos vampiros vira laboratório de química em cada cena, mérito também dos roteiristas Julie Plec e Kevin Williamson, que mantêm tensão e reviravoltas em ritmo constante.
A direção alterna sequências de ação sobrenatural com momentos intimistas, permitindo que os atores construam vulnerabilidade. A escolha de focar mais nos dilemas afetivos do que no horror situa a série no mesmo terreno emocional explorado por TSITP.
Mesmo com criaturas noturnas, o coração da narrativa é a confusão amorosa de Elena, espelhando o conflito de Belly entre Conrad e Jeremiah.
The Runarounds
Com uma só temporada, The Runarounds acompanha um grupo de músicos às vésperas do estrelato. O protagonista, interpretado por Andre Bellos, convence ao mostrar insegurança e ambição em doses iguais. A série, criada por Álvaro Rodríguez, utiliza ensaios da banda como palco para diálogos que expõem rivalidades e paixões ocultas.
A direção musical garante que cada apresentação avance a trama, reforçando vínculos ou abrindo rachaduras entre os personagens. Essa abordagem lembra como os bailes de debutante e jogos de praia funcionam em TSITP: muito além do evento, o que conta é o que se diz (ou deixa de dizer) nos bastidores.
O resultado é um retrato sincero sobre maturidade, em que o sucesso profissional coloca à prova amizades e romances.
56 Days
Dove Cameron e Avan Jogia formam um casal magnético no suspense adaptado do livro de Catherine Ryan Howard. A química entre os dois sustenta a tensão psicológica construída pela roteirista Lisa McGee. Cada episódio alterna versões do mesmo acontecimento, exigindo atuações nuances para não entregar todos os segredos de uma vez.
O tom sombrio da direção contrasta com a atmosfera ensolarada de TSITP, mas o foco nas emoções extremas dos protagonistas é idêntico. A série investiga como a paixão pode beirar a obsessão, lembrando que amar intensamente quase nunca é simples.
Visualmente, a fotografia cinzenta e claustrofóbica serve de lembrete de que finais felizes não são garantidos — algo que Belly também descobre no decorrer de seus verões.
Cruel Intentions
Sarah Catherine Hook e Zac Burgess assumem os papéis que Ryan Phillippe e Sarah Michelle Gellar eternizaram no cinema. O texto de Phoebe Fisher atualiza o clássico dos anos 90 com referências de cultura digital e dinâmicas de poder em campus universitário. A dupla principal entrega performances calculadamente sedutoras, tornando cada olhar um jogo de xadrez emocional.
A direção não economiza em close-ups prolongados para reforçar a manipulação afetiva, criando tensão comparável ao triângulo de TSITP. Ao mirar na crueldade dos relacionamentos, a série mostra que, às vezes, escolher quem amar envolve também escolher quem ferir.
A presença de Savannah Lee Smith, ex-Gossip Girl, adiciona frescor e ironia, provando que intrigas adolescentes continuam irresistíveis quando embaladas por roteiro afiado.
Imagem: Internet
One Tree Hill
Clássico dos anos 2000, One Tree Hill sobrevive ao tempo pelo carisma de Chad Michael Murray, Hilarie Burton e Sophia Bush. Comandada pelo criador Mark Schwahn, a série investe em diálogos confessionais que permitem ao elenco jogar luz sobre inseguranças reais de jovens adultos.
A direção alterna partidas de basquete com cenas contemplativas, reforçando a metáfora do “jogo da vida”. Como em TSITP, o triângulo amoroso — aqui entre Lucas, Peyton e Brooke — funciona como motor a longo prazo, evoluindo conforme os personagens amadurecem.
Outro ponto em comum é a trilha sonora marcante, que transforma hits de rádio em trilha de memórias afetivas para o público.
Daisy Jones & The Six
Riley Keough encarna Daisy com magnetismo roqueiro, enquanto Sam Claflin traz vulnerabilidade inesperada a Billy Dunne. A minissérie, adaptada por Scott Neustadter e Michael H. Weber, usa a estética de documentário falso para intensificar a impressão de realidade. Cada depoimento dos personagens ilumina falhas emocionais que corroem a banda.
As diretoras Nzingha Stewart e Taylor Jenkins Reid (esta no comando criativo) apostam em iluminação quente e granulada, resgatando a energia dos anos 70. O romance conturbado entre Daisy e Billy ecoa o de Belly e Conrad: forte o bastante para inspirar arte, frágil o bastante para se despedaçar a qualquer momento.
A mistura de música, paixão e autoengano coloca o público na linha de frente do conflito, garantindo maratona sem pausa.
Maxton Hall: The World Between Us
Produção alemã baseada em Save Me, de Mona Kasten, Maxton Hall coloca Harriet Herbig-Matten e Damian Hardung em lados opostos da elite escolar. A direção de Martin Schreier explora corredores luxuosos como se fossem arenas de batalha, destacando o contraste entre bolsas de estudo e privilégios milionários.
O roteiro faz uso de tensão de classes para turbinar a atração proibida, enquanto o elenco sustenta olhares carregados de significado. A similaridade com TSITP surge no modo como pequenas ações — um toque, um sorriso — adquirem peso dramático exagerado.
A fotografia vibrante, porém fria, sugere que o glamour tem preço alto, reforçando o subtexto de que liberdade e amor nem sempre caminham juntos.
The OC
Ben McKenzie lidera o elenco como Ryan Atwood, outsider que redescobre a vida ao ser acolhido pela família Cohen. Criada por Josh Schwartz, a série equilibra crítica social e leveza, mérito também do time de diretores que privilegia planos abertos das praias de Newport para contrastar com os dilemas internos dos personagens.
Mischa Barton, Adam Brody e Rachel Bilson completam o quarteto central com performances que alternam humor e melancolia. Assim como TSITP, The OC transforma o verão permanente em metáfora para transição da adolescência à vida adulta.
O roteiro investe em diálogos rápidos, repletos de ironia pop, revelando que crescer envolve mais do que festas luxuosas — envolve escolhas morais de longo prazo.
We Were Liars
Adaptação do livro de E. Lockhart, We Were Liars coloca holofotes sobre uma família rica que passa as férias em ilha particular. A atriz principal — ainda não anunciada oficialmente — terá a missão de equilibrar inocência e culpa, enquanto o roteiro de Julie Plec promete doses iguais de romance e mistério.
Com direção planejada para explorar flashbacks e lapsos de memória, a série pretende usar a fotografia etérea da costa para criar contraste com segredos sombrios. Essa estratégia lembra como TSITP cobre conflitos dolorosos com filtro ensolarado.
Ao inserir um quebra-cabeça de suspense no coração do drama adolescente, We Were Liars amplia as possibilidades do gênero, mas preserva aquilo que faz o público voltar episódio após episódio: conexões humanas imperfeitas.
Se The Summer I Turned Pretty acendeu seu desejo por histórias de amor intenso, qualquer uma dessas produções do Prime Video pode prolongar a sensação de borboletas no estômago — cada uma ao seu jeito, mas sempre fiel ao poder do primeiro amor.

