10 séries de fantasia incríveis que quase ninguém comenta

10 Leitura mínima

A televisão coleciona mundos mágicos, mas nem toda produção consegue espaço entre gigantes como Game of Thrones. Muitas obras acabam soterradas por falta de marketing, horários ingratos ou mesmo cancelamentos prematuros.

Selecionamos dez séries de fantasia que passaram quase despercebidas, embora reúnam elencos competentes, roteiros ousados e direções inventivas. Hora de revisitar esses títulos e entender por que ainda valem a maratona.

Séries que merecem uma segunda chance

A lista a seguir destaca performances dos atores, escolhas de roteiro e condução dos diretores que justificam um novo olhar sobre cada produção. Todas sofreram com pouca divulgação ou competição feroz no streaming, mas guardam qualidade de sobra.

Willow (2022)

Willow segurando cajado

Warwick Davis retorna ao papel que o consagrou no cinema de 1988, agora sob o comando da showrunner Wendy Mericle. A série aposta em diálogos leves e clima de campanha de RPG, o que divide opiniões, mas evidencia a entrega carismática de Davis, sempre à vontade entre efeitos práticos e CGI.

Dirigida por um time rotativo que inclui Stephen Woolfenden, a temporada busca modernizar o universo sem perder o espírito de aventura. O contraste de tom em relação ao filme original, porém, afastou parte do público nostálgico, refletido nos 65% de aprovação da audiência no Rotten Tomatoes.

O roteiro expande a mitologia, mas falha em contextualizar novatos, problema agravado pela concorrência direta com House of the Dragon e The Rings of Power em 2022. Mesmo assim, a série oferece momentos de humor afiado e cenário vibrante digno de maratona.

Galavant (2015-2016)

Isabella e Sid surpresos em Galavant

Criação de Dan Fogelman, a comédia musical medieval faz piada de tudo, do clichê de princesas a maldições kitsch. Joshua Sasse assume o herói canastrão com timing cômico impecável, enquanto Timothy Omundson rouba a cena como o Rei Richard, equilibrando caricatura e fragilidade humana.

A direção de episódios alterna números musicais coreografados por Kat Burns com diálogos rápidos, lembrando sitcom clássico. O roteiro, recheado de rimas inteligentes de Alan Menken e Glenn Slater, garante a aprovação de 93% do público no Rotten Tomatoes.

Mesmo cultuada, Galavant sofreu por misturar fantasia e musical, gênero que ainda buscava espaço na TV aberta. Cancelada após duas temporadas, a série permanece como pequena joia para quem procura humor autorreferente e canções grudantes.

The OA (2016-2019)

Prairie dançando em The OA

Brit Marling protagoniza e corroteiriza essa trama que mergulha em multiversos, consciência coletiva e coreografias enigmáticas. Sua performance contida contrasta com explosões emocionais pontuais, sustentando uma narrativa que exige entrega total do espectador.

Dirigido principalmente por Zal Batmanglij, o show adota fotografia etérea e montagem fragmentada que intensificam a sensação de sonho. A segunda temporada encerra em cliffhanger ousado, interrompido pelo cancelamento que frustrou a base de fãs.

A mistura de sci-fi, fantasia e comentário existencial nunca almejou consenso; ainda assim, a série mantém aura de culto, impulsionada pela originalidade dos roteiros e pela química do elenco coadjuvante liderado por Jason Isaacs.

Warrior Nun (2020-2022)

Ava determinada em Warrior Nun

Alba Baptista assume a protagonista Ava com naturalidade que vai de humor sarcástico a cenas de ação coreografadas com precisão. Baseada nos quadrinhos de Ben Dunn, a adaptação de Simon Barry abre espaço para temas de fé e identidade sem perder o ritmo.

A direção equilibra batalhas ágeis e momentos contemplativos em mosteiros góticos filmados na Espanha. O roteiro demora a engrenar, mas a partir do meio da primeira temporada investe em conspirações celestiais que renderam 97% de aprovação popular.

Sem campanha de marketing robusta na Netflix, a obra acabou cancelada após dois anos, gerando petições fervorosas. Ainda assim, entrega evolução de personagens e cenários estilizados que merecem ser redescobertos.

Extraordinary (2023)

Elenco de Extraordinary reunido

Jen (Máiréad Tyers) vive a rara jovem sem poderes em um mundo onde habilidades surgem aos 18. A atriz imprime vulnerabilidade e humor seco, sustentando a sitcom criada por Emma Moran. O formato low-budget destaca diálogos espirituosos em vez de efeitos, lembrando comédias britânicas clássicas.

Na direção, Toby McDonald mantém ritmo acelerado, intercalando situações absurdas – como ex-namorados que viram gatos – com discussões sobre amadurecimento. O contraste com superproduções barulhentas impede comparação direta, mas reforça frescor.

Lançada no Disney+, a série encontrou barreira de público global acostumado a Marvel. Mesmo assim, oferece visão satírica do gênero de super-heróis, ideal para quem busca algo fora do circuito blockbuster.

10 séries de fantasia incríveis que quase ninguém comenta - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

Merlin (2008-2012)

Merlin e Arthur em trajes medievais

Colin Morgan carrega a série como jovem feiticeiro tentando proteger o príncipe Arthur, vivido por Bradley James. A química entre os dois sustenta tramas que misturam aventura familiar e drama de amadurecimento.

Os criadores Julian Jones e Johnny Capps adotam formato “monstro da semana”, popular na época, mas hoje visto como datado. Ainda assim, a direção de Alice Troughton traz energia às lutas e valoriza cenários do País de Gales, garantindo atmosfera medieval convincente.

Apesar de cinco temporadas de sucesso na BBC, Merlin raramente aparece em listas de fantasia prestigiada, talvez pelo tom leve que contrasta com os contos arturianos sombrios. O resultado é um seriado afetuoso que continua a ganhar novos fãs via streaming.

Sweet Tooth (2021-)

Gus em Sweet Tooth

Christian Convery interpreta Gus, o garoto-cervo, com ingenuidade comovente, enquanto Nonso Anozie oferece contrapeso melancólico como o protetor Jepperd. A química da dupla conduz o enredo pós-apocalíptico adaptado dos quadrinhos de Jeff Lemire.

O showrunner Jim Mickle combina fotografia encantada a temas pesados, criando contraste que confunde rótulos de fantasia e ficção científica. O visual de floresta exuberante, aliado a próteses de alta qualidade, reforça originalidade estética.

Faltou, porém, um momento viral para catapultar a série além da bolha de fãs. Mesmo sem esse impulso, Sweet Tooth já garantiu final planejado, facilitando a adesão de novos espectadores sem medo de lacunas narrativas.

Carnival Row (2019-2023)

Fae e detetive em rua vitoriana

Orlando Bloom e Cara Delevingne protagonizam o drama que mistura investigação policial e mitologia feérica. Bloom surpreende ao abandonar galanismo para viver o detetive cansado Rycroft, enquanto Delevingne entrega peso emocional à fada Vignette.

A estética steampunk vitoriana, liderada pelo showrunner Travis Beacham, é o ponto alto, com cenografia luxuosa e figurinos detalhados. Problemas residem no ritmo irregular e em subtramas dispersas que diluem impacto da premissa.

Produzida pela Amazon, a série sofreu atrasos durante a pandemia e perdeu tração. Apesar disso, quando acerta, oferece mergulho visual impressionante que compensa falhas de execução.

Emerald City (2017)

Personagens exaustos em Emerald City

Inspirada em O Mágico de Oz, a série criada por Matthew Arnold adota tom sombrio que antecipa tendências de reimaginar clássicos. Joely Richardson brilha como Glinda, entregando presença gelada, enquanto Vincent D’Onofrio diverte como um Mágico manipulador.

Dirigida inicialmente por Tarsem Singh, a produção exibe fotografia saturada, figurinos steampunk e cenários grandiosos. O ritmo, no entanto, oscila, gerando críticas que resultaram em cancelamento precoce apesar de 78% de aprovação do público.

Se lançada após o hype de Wicked, Emerald City talvez tivesse destino diferente. Hoje permanece como curiosidade visual para quem aprecia releituras sombrias de contos consagrados.

Pushing Daisies (2007-2009)

Ned e Chuck confusos em Pushing Daisies

Lee Pace interpreta Ned, o confeiteiro capaz de ressuscitar mortos, com doçura contida que contrasta com a energia vibrante de Anna Friel como Chuck. A química do casal sustenta a fantasia romântica criada por Bryan Fuller.

Visualmente, a direção de Barry Sonnenfeld usa paleta saturada e enquadramentos simétricos, lembrando fábulas de Tim Burton. O texto ágil intercala humor negro e emoção genuína, façanha reconhecida com sete prêmios Emmy entre 18 vitórias totais.

Apesar dos 96% de aprovação crítica, o tom excêntrico dificultou enquadramento em nicho claro, levando ao cancelamento após duas temporadas. Ainda assim, permanece referência de originalidade televisiva, merecendo redescoberta.

Essas produções provam que o universo da fantasia vai além dos dragões mais comentados do momento. Se procura algo novo (ou esquecido) para assistir, qualquer título acima é passaporte garantido para mundos surpreendentes.

Compartilhe este artigo
Follow:
Sou redator especializado em conteúdo de beleza, moda e crochê. Produzo conteúdos desde 2021, tendo experiência como colunista em sites de referência.