Ryan Murphy abriu a porteira e confirmou que estuda ressuscitar Glee no Disney+. Com isso, antigos rostos do coral de McKinley High voltaram ao radar dos fãs, aquecendo apostas sobre quem deve dar as caras na nova versão.
Entre participações especiais marcantes e coadjuvantes subestimados, alguns nomes carregam potencial dramático — e musical — para elevar o reboot. A seguir, relembramos dez personagens cuja volta pode garantir números inesquecíveis e renovar conflitos.
Reencontros que podem impulsionar a nova fase
A lista não inclui protagonistas já esperados, como Rachel, Blaine ou Sue. O foco está em figuras secundárias que roubaram a cena, mostraram química com o elenco principal e, ainda mais importante, deixaram pontas soltas que merecem solução quando o coral ganhar nova chance.
Dr. Wu (Kenneth Choi)
Presente em dois episódios da primeira temporada, o obstetra vivido por Kenneth Choi apareceu pouco, mas ficou na memória pelo timing cômico que suavizou momentos tensos. Choi hoje se destaca em 9-1-1, série também criada por Murphy, o que facilita um crossover interno.
Como ator, ele alia humor contido a uma empatia imediata, qualidade que pode ser explorada para humanizar tramas adultas no reboot. Um retorno de Dr. Wu ajudaria a conectar a nova geração a personagens mais velhos sem recorrer sempre aos mesmos professores.
A direção poderia brincar com essa interseção do “Murphyverso”, oferecendo a Choi cenas que dialoguem com sua experiência atual como o bombeiro Chimney, ainda que em tom meta. A presença dele reforçaria a consistência do universo compartilhado que o showrunner costuma cultivar.
Bryan Ryan (Neil Patrick Harris)
Neil Patrick Harris cravou um dos números mais comentados de Glee ao dividir “Dream On” com Will Schuester. Mesmo com apenas uma participação, o ex-rival do coral exibiu carisma avassalador e química instantânea com Matthew Morrison.
Harris domina o palco, alternando arrogância e vulnerabilidade como poucos. Colocá-lo de volta em cena, talvez como mentor relutante, permitiria novas faíscas verbais e, claro, duetos com potencial viral, sobretudo se contracenar com Darren Criss.
Para os roteiristas, Bryan Ryan serve como espelho crítico: ex-membro frustrado do New Directions, ele pode questionar o impacto real do clube na vida adulta, adicionando camadas ao roteiro sem perder o tom leve que define a franquia.
Cassandra July (Kate Hudson)
A professora de dança amarga e exigente enfrentou Rachel em Nova York, mas saiu de cena antes de mostrar toda sua complexidade. Kate Hudson, sempre enérgica, entregou números coreografados que evidenciaram sua versatilidade.
Num reboot focado também no pós-formatura, Cassandra pode funcionar como rival no mercado artístico, tensionando a trajetória de quem seguir carreira fora de Ohio. A atriz tem presença forte e sabe transitar entre o deboche e a inspiração motivadora.
Direção e fotografia podem explorar o dinamismo físico de Hudson em sequências que contrastem a disciplina rígida da personagem com a paixão anárquica dos novatos, gerando debates sobre métodos pedagógicos na arte.
Sebastian Smythe (Grant Gustin)
Antes de vestir o uniforme escarlate de The Flash, Grant Gustin vivia o Warbler mais venenoso de Dalton Academy. Sebastian misturava charme e ironia, adicionando picardia aos episódios em que aparecia.
A volta dele abriria margem para embates entre corais rivais e jogos de poder típicos de ligas estudantis. Gustin domina a arte do vilão carismático, algo que a narrativa pode retomar para esquentar competições musicais.
Roteiristas podem explorar a evolução de Sebastian como adulto LGBTQIA+ num cenário mais inclusivo, enriquecendo temas de representatividade já presentes na obra de Murphy.
Shelby Corcoran (Idina Menzel)
Idina Menzel dispensa apresentações: mezzo-soprano poderosa, estrela da Broadway e intérprete de Shelby, mãe biológica de Rachel e adotiva de Beth. Seu retorno traria drama familiar de sobra.
A relação conturbada com Rachel oferece camadas emocionais ideais para contrapor os arcos de sucesso da protagonista. Menzel conduz cenas dramáticas com a mesma precisão que arrasa nos vocais, garantindo momentos catárticos.
Visualmente, a série pode recriar o clima intimista de “Poker Face”, número icônico da dupla, e contrastar com arranjos orquestrais para mostrar amadurecimento das personagens.
Imagem: Internet
Harmony (Lindsay Pearce)
Saída do reality The Glee Project, Lindsay Pearce brilhou em “Anything Goes/Anything You Can Do”, porém sumiu logo depois. A personagem Harmony, outra aspirante da NYADA, representa o que Rachel poderia ter sido se não alcançasse o estrelato.
Trazer Harmony de volta como rival profissional renovaria a tensão entre ambição e amizade. Pearce demonstra potência vocal e presença cênica semelhantes às de Lea Michele, criando duelos musicais equilibrados.
O roteiro ganharia com um espelho narrativo que questiona meritocracia e favoritismos no mundo artístico, tema caro às produções de Murphy.
April Rhodes (Kristin Chenoweth)
Kristin Chenoweth incorporou April Rhodes, ex-aluna que trocou o sonho de Broadway por vantagens questionáveis. Seu talento vocal e timing cômico ainda rendem citações entre fãs.
Chenoweth sabe tornar sua personagem adorável mesmo em situações moralmente duvidosas, recurso valioso para equilibrar drama e humor. Um eventual retorno poderia mostrá-la como produtora de espetáculos excêntricos.
Com roteiro bem calibrado, April funcionaria como catalisadora de novas oportunidades para o coral, enquanto a direção integraria números grandiosos em palcos luxuosos, lembrando a estética de shows off-Broadway.
Holly Holiday (Gwyneth Paltrow)
Convidada especial favorita de muitos fãs, Holly Holiday substituiu Will por breves episódios e ensinou que a educação também pode ser rock ’n’ roll. Gwyneth Paltrow trouxe irreverência contagiante.
O casamento de Paltrow com Brad Falchuk, cocriador de Glee, torna viável sua participação. Holly, agora mais madura, poderia dirigir workshops nada convencionais ao novo coral, provocando a pedagoga Sue Sylvester.
Na mise-en-scène, a câmera pode explorar cortes dinâmicos e coreografias empacotadas para TikTok, conectando a personagem a linguagens contemporâneas que o reboot inevitavelmente abraçará.
Roz Washington (NeNe Leakes)
NeNe Leakes, estrela de Real Housewives, encarnou a treinadora olímpica Roz Washington, capaz de enfrentar Sue na marra e no sarcasmo. Suas tiradas continuam ecoando nos fóruns de fãs.
Para o roteiro, Roz é a adversária perfeita: teimosia à altura de Sue, mas com abordagem esportiva que pode colocar o coral em rota de colisão com equipes atléticas, reacendendo a disputa por fundos escolares.
Leakes injeta energia crua nas cenas; a direção pode explorar planos fechados em seus monólogos para capturar expressões faciais icônicas, garantindo memes instantâneos.
Jake Puckerman (Jacob Artist)
Irmão mais novo de Puck, Jake foi apresentado como bad boy com camadas sensíveis, mas não teve tempo de amadurecer. Jacob Artist combina voz potente e habilidades de dança pouco exploradas na série original.
Um retorno permitiria abordar legado familiar, já que o personagem lida com o peso do sobrenome. Isso expande o drama intergeracional, temática comum em produções de Ryan Murphy.
Cenicamente, Jake pode liderar coreografias que misturem hip-hop e baladas acústicas, diversificando o repertório musical e reforçando a busca constante de Glee por inclusão estilística.
Com esses possíveis regressos, o reboot de Glee tem material de sobra para equilibrar nostalgia e inovação. Agora, resta aguardar o anúncio oficial do Disney+ para descobrir quem, de fato, voltará a soltar a voz nos corredores de McKinley — ou além.

