Dois dos lançamentos mais comentados do ano na TV britânica carregam a assinatura inconfundível de Guy Ritchie: MobLand, no Paramount+, e The Gentlemen, na Netflix. Embora ambas acumulem números impressionantes de audiência, a recepção crítica aponta clara vantagem para o drama estrelado por Tom Hardy.
Enquanto The Gentlemen domina em volume de espectadores, MobLand exibe nota praticamente irretocável nos agregadores de crítica. A seguir, veja sete aspectos que fazem a balança pender a favor da saga criminal da família Harrigan.
O que faz MobLand se destacar?
Do elenco de peso ao suspense constante, a produção mostra fôlego para continuar crescendo na avaliação de público e crítica. Confira, ponto a ponto, onde a série leva vantagem sobre sua rival de humor ácido.
1. Elenco estelar e em plena forma
Poucas séries conseguem reunir um time tão premiado quanto MobLand. Tom Hardy lidera um grupo que inclui Helen Mirren, Pierce Brosnan, Paddy Considine e Toby Jones, todos entregando interpretações intensas e sem espaço para excessos.
Mandeep Dhillon, como a herdeira ambiciosa da família, rouba diversas cenas e comprova a profundidade do casting. Cada ator molda o personagem ao ponto de parecer insubstituível.
Já The Gentlemen também conta com nomes fortes — Giancarlo Esposito, Hugh Bonneville e o retorno de Vinnie Jones —, mas a química coletiva de MobLand acaba imprimindo maior verossimilhança às relações de poder.
2. Um protagonista que domina a tela
Harry Da Souza, vivido por Tom Hardy, é a peça-chave da narrativa. Com mínimos gestos e frases curtas, o ator constrói um enigma capaz de tudo, do apaziguamento a execuções calculadas. O público sente que, sem Hardy, a série simplesmente não existiria.
Na Netflix, Theo James surge carismático como Eddie Horniman, misturando elegância aristocrática e brutalidade latente. Ainda assim, seu arco não alcança a contemplação sombria oferecida por Harry, que lembra anti-heróis de Peaky Blinders e outros clássicos do gênero.
3. Realismo que prende o espectador
Guy Ritchie é conhecido pelo humor estilizado, mas em MobLand ele aposta num tom mais pé-no-chão. O retrato de uma família britânico-irlandesa às voltas com negócios ilícitos convence pelo detalhe: rituais, dialetos regionais e disputas internas parecem palpáveis.
Em contraste, The Gentlemen abraça a farsa — cortes rápidos, gírias coloridas e situações quase cartunescas. A proposta diverte, porém limita o mergulho dramático que MobLand oferece ao espectador.
4. Suspense ritmado em alta voltagem
Cada episódio da série do Paramount+ mantém tensão crescente. Conflitos familiares, golpes malsucedidos e reviravoltas pontuais empurram a trama adiante sem respiro. A segunda temporada, ainda em exibição, distribui cartas na manga até momentos cruciais.
No concorrente da Netflix, a agilidade cômica às vezes sacrifica peso dramático: viradas chegam tão rápido que a ameaça não dura. MobLand prefere deixar o perigo fermentar, tornando as consequências mais impactantes.
Imagem: Internet
5. Vilões realmente assustadores
Johnny Flynn transforma Frankie Cooper num antagonista frio, calculista e imprevisível, talvez o mais ameaçador do universo Ritchie. Richie Stevenson e Kat McAllister completam a galeria de figuras que causam arrepios genuínos.
Já em The Gentlemen, os vilões se enquadram no molde “quadrinho”: nomes extravagantes, sotaques caricatos e atos violentos temperados por piadas. A leveza agrada, mas diminui a sensação de risco real.
6. Segunda temporada em ponto de bala
A continuação de MobLand elevou as apostas sem perder coerência. Críticos exaltam o equilíbrio entre evolução de personagens e ampliação do conflito, resultando em avaliação de 100% no Rotten Tomatoes — feito raro para uma série do gênero.
Enquanto isso, o segundo ano de The Gentlemen arriscou um final sanguinolento que deixou fãs divididos sobre o futuro. A impressão geral é que o spin na história pode exigir mudança drástica de tom para não estagnar.
7. Fôlego para crescer nas próximas temporadas
Com produção da terceira temporada já alinhada, MobLand demonstra arco narrativo de longo prazo. Vários personagens ainda têm muito a revelar, e o universo está aberto para explorar novas alianças e traições.
Em contraste, há quem tema que The Gentlemen acabe transformado apenas no “show de Eddie e Freddy”. Caso o roteiro não encontre novos caminhos, o charme inicial pode se desgastar.
Para quem acompanha a carreira de Guy Ritchie, ver duas séries tão diferentes coexistindo é um prato cheio. Contudo, pelos motivos listados, MobLand sustenta, ao menos por enquanto, a coroa de melhor produção televisiva já supervisionada pelo cineasta.
Resta saber se o terceiro ano manterá o mesmo grau de excelência ou se The Gentlemen conseguirá responder à altura, retomando a vantagem de público com um salto qualitativo no roteiro.





