Final de “The Boys”: série muda o jogo dos quadrinhos e consagra Antony Starr

7 Leitura mínima

Depois de cinco anos de carnificina televisiva, “The Boys” encerrou sua história na Prime Video com um episódio que reorganiza peças importantes dos quadrinhos originais e, de quebra, oferece um show de atuações. A direção de Nelson Cragg – veterano da série – mantém o ritmo frenético, enquanto o criador Eric Kripke fecha pontas narrativas sem perder o humor ácido que virou marca registrada.

Do embate derradeiro entre Billy Butcher e Homelander às decisões que selam o destino de Hughie e Starlight, cada minuto do capítulo final reforça como o elenco foi decisivo para transformar a adaptação em um fenômeno cultural. Abaixo, relembramos as oito maiores mudanças em relação aos quadrinhos, destacando performance, direção e escolhas de roteiro.

As principais viradas da adaptação

O roteiro final de Kripke segue a espinha dorsal da HQ de Garth Ennis, mas troca cartas suficientes para manter a tensão mesmo entre leitores antigos. Confira, ponto a ponto, o que mudou – e por que o elenco brilhou tanto nesse processo.

1. Black Noir deixa de ser o clone secreto

Nos quadrinhos, o grande truque é descobrir que Black Noir é um clone de Homelander, responsável por jogar o herói no caos. A série abandonou esse twist, transformando Noir em uma figura trágica cuja máscara escondeu traumas, não um DNA copiado. A decisão permitiu que Antony Starr assumisse por completo o posto de antagonista, entregando nuances de fragilidade e megalomania que viraram a alma do episódio.

Sem o “vilão por trás do vilão”, o roteiro concentra o clímax na relação tóxica entre Homelander e Butcher. Karl Urban responde à altura, equilibrando fúria e cansaço num duelo que dispensa grandes efeitos para funcionar.

Black Noir em The Boys

2. Ryan ocupa o papel de contraponto moral

Com Noir fora da jogada, a série escalou Ryan para a posição de peça-chave no desfecho. A tensão entre pai biológico e figura paterna de criação garante ao jovem Cameron Crovetti o momento mais intenso de sua curta carreira: o ator transmite confusão, medo e rebeldia apenas com mudanças de olhar, algo que a edição destaca em closes certeiros.

A inclusão de Ryan amplia o dilema de Butcher – assassinar Homelander significa expor o garoto a um trauma irreversível. A direção reforça o peso dessa escolha com silêncios desconfortáveis antes da explosão de violência.

Ryan no episódio final

3. Kimiko ganha protagonismo na luta final

Outra liberdade do roteiro foi colocar Kimiko no front da batalha na Casa Branca. A performance física de Karen Fukuhara é coreografada para ressaltar a brutalidade elegante da personagem, cuja explosão radioativa retira o V-One do sangue de Homelander. É um aceno visual espetacular ao arco de Soldier Boy, reutilizando a estética “queima nuclear” vista na 3ª temporada.

A participação dela muda a dinâmica do confronto, rompendo o duelo fechado da HQ e abrindo espaço para as câmeras de Cragg registrarem ação em vários ângulos, sem perder o foco emocional.

Kimiko em ação

4. O gatilho definitivo de Billy Butcher

No material original, Butcher se volta contra todos por pura sede de controle. Na adaptação, a rejeição de Ryan, a morte do cachorro Terror e o anúncio de que Stan Edgar retomará a Vought apertam o gatilho. Karl Urban entrega camadas adicionais ao anti-herói, variando de humor negro a desespero silencioso em segundos.

Final de “The Boys”: série muda o jogo dos quadrinhos e consagra Antony Starr - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

Essa motivação tangível reforça a crítica da série ao ciclo de poder: mesmo sem Homelander, o sistema corporativo continua apto a criar novos monstros.

5. A sobrevida estratégica de Stan Edgar

A HQ mostra a Vought se dissolvendo; já o episódio final devolve o trono a Giancarlo Esposito. Com poucas cenas, o ator estabelece que o verdadeiro vilão pode ser o capital, não o superpoder. Seu olhar calculista diante dos destroços resume o cinismo da série, preparando terreno para eventuais spin-offs.

Stan Edgar no comando da Vought

6. O destino irônico de The Deep

Nos quadrinhos, The Deep sobrevive e monta nova equipe. Aqui, o personagem de Chace Crawford encontra morte poética, devorado por criaturas marinhas que ele julgava comandar. A cena mistura gore e comédia, coroando o arco de redenção fracassada do herói aquático.

A escolha de efeitos práticos e o timing de Crawford arrancam risadas nervosas do público, lembrando que “The Boys” sempre soube equilibrar terror com sátira.

7. Hughie versus Butcher em novo cenário

O confronto final entre Hughie e Butcher acontece no alto da Vought Tower, e não no Empire State Building. A mudança permite enquadramentos vertiginosos enquanto Jack Quaid encara Karl Urban. O diálogo é curto, cortante e recheado de tensão: Quaid brilha ao misturar medo e firmeza antes do disparo que encerra a jornada de seu mentor.

Visualmente, a cena se beneficia do contraste de luzes corporativas com o sangue explícito, reforçando a crítica à idolatria empresarial.

8. Um futuro mais doce para Hughie e Starlight

Nos minutos finais, Hughie e Annie vivem rotina pacífica em uma loja de audiovisual – eco direto do episódio piloto. A notícia da gravidez de Starlight, ausente na HQ, fecha o ciclo com esperança moderada, premiando a química natural entre Jack Quaid e Erin Moriarty. A direção suaviza a paleta de cores, abandonando o cinza industrial para tons pastel que sinalizam novo começo.

Embora Hughie recuse o cargo na CIA, a semente de responsabilidade fica plantada, sugerindo que o casal pode ser a última linha ética em um mundo ainda dominado pela Vought.

Bilhete de despedida, não de adeus

Com diálogos afiados, humor sombrio e performances que ganharam camadas ao longo das temporadas, “The Boys” encerra sua série principal mostrando que boas adaptações não precisam seguir cada painel dos quadrinhos. A ousadia de Eric Kripke e o empenho do elenco, liderado pela virada monstruosa e humana de Antony Starr, garantem ao final um lugar entre os mais comentados da TV recente.

Compartilhe este artigo
Follow:
Sou redator especializado em conteúdo de beleza, moda e crochê. Produzo conteúdos desde 2021, tendo experiência como colunista em sites de referência.