Cinco figuras de O Senhor dos Anéis que nem o temido Morgoth conseguiu superar

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Morgoth ocupa o topo da escala de poder criada por J.R.R. Tolkien, mas nem mesmo ele saiu vitorioso contra todas as forças que encontrou. Entre entidades divinas, guerreiros trágicos e criaturas ancestrais, alguns nomes resistiram ou até o derrotaram em momentos decisivos.

A lista a seguir apresenta cinco desses personagens, reforçando o contexto de suas aparições na obra literária e apontando como, até hoje, adaptações para o cinema sequer ousaram retratá-los em tela. Cada entrada destaca os motivos que tornaram Morgoth impotente diante deles.

Quem são os poucos a fazer Morgoth recuar

Nos textos de Tolkien, a hierarquia de poder não segue uma tabela exata, mas certos feitos deixam claro que Morgoth encontrou limites. Sejam forças cosmológicas ou heróis amaldiçoados, todos abaixo compõem o seleto grupo que o “Inimigo Negro do Mundo” não conseguiu suplantar.

Eru Ilúvatar

Supremo criador do universo de Tolkien, Eru Ilúvatar não precisa erguer espada para demonstrar autoridade. Ainda assim, Morgoth tentou sondar seus segredos logo no princípio, desejando tomar a Chama Imperecível que dá forma à vida. Ilúvatar, porém, integrou qualquer dissonância ao tema maior da criação, mostrando que Melkor — nome original de Morgoth — jamais poderia escapar de seus desígnios.

Como Ilúvatar representa uma figura absoluta, as produções cinematográficas não chegaram a retratá-lo diretamente. Peter Jackson preferiu manter essa presença divina fora de cena, reforçando o caráter quase infilmável do personagem. Roteiristas e diretores, até hoje, usam referências sutis à “Música dos Ainur” para sugerir sua influência sem comprometer o mistério construído nos livros.

Essa ausência nas telas ressalta a impossibilidade de qualquer interpretação humana captar por completo uma entidade que, na própria narrativa, transcende forma e tempo. O resultado é um respeito tácito da linguagem audiovisual diante de um poder inquestionável.

Manwë

Irmão mais velho de Morgoth entre os Valar, Manwë preservou a força inicial concedida por Ilúvatar ao alinhar-se ao propósito da criação. Após a formação de Arda, foi eleito rei pelos demais Valar e liderou a prisão de Morgoth na primeira grande ofensiva contra o mal. Mesmo quando concedeu misericórdia ao inimigo depois de eras de cativeiro, manteve autoridade para selar sua queda definitiva.

Nos longas-metragens, a história limita-se a menções indiretas. A escolha do roteiro priorizou figuras mais próximas dos eventos da Terceira Era, como Gandalf e Galadriel, deixando o núcleo dos Valar restrito às páginas de O Silmarillion. Caso futuros projetos adaptem as eras antigas, a escala épica de Manwë exigirá soluções tecnológicas e artísticas à altura do “Rei dos Ventos”.

Até lá, o personagem vive na imaginação do público, sustentado pela aura de liderança incontestável que, segundo os textos canônicos, impediu que a sombra de Morgoth dominasse completamente Arda.

Tulkas

Último dos Valar a descer a Arda, Tulkas é sinônimo de força bruta e alegria no combate. Durante a Primeira Guerra, sua chegada virou o jogo: Morgoth, que resistia sozinho contra todos os irmãos, fugiu ao perceber o ímpeto do novo oponente. Mais tarde, já desperto de longo sono, Tulkas riu enquanto imobilizava o inimigo com a corrente mágica Angainor.

No cinema, guerreros gigantescos costumam ganhar rostos de intérpretes conhecidos por papéis físicos. Porém, a cada tentativa de adaptação do material de Tolkien, Tulkas permanece fora do quadro, talvez para evitar que a representação de um poder tão puro se torne apenas mais uma cena de ação. Na escrita, ele simboliza a força que age em defesa da Vida, nunca por ambição própria.

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Imagem: MovieStills

Dessa forma, diretores e roteiristas preferem manter intacta a imagem quase mitológica do “Campeão de Valinor”. Quando a narrativa exige tensão, basta lembrar que Morgoth só ousava retornar quando Tulkas dormia — prova de que, acordado, ele era imparável.

Túrin Turambar

Herói trágico da linhagem dos Homens, Túrin carrega um destino marcado pela maldição lançada por Morgoth sobre sua família. As reviravoltas de sua vida — assassinatos involuntários, incesto descoberto tarde demais e o próprio suicídio — formam uma das trajetórias mais densas do legendário de Tolkien.

Ainda assim, a Segunda Profecia de Mandos, ausente da edição final de O Silmarillion mas presente em notas do autor, revela que Túrin erguerá de novo sua espada Gurthang na batalha final, Dagor Dagorath. Nesse momento apoteótico, ele cravará a lâmina no coração de Morgoth e encerrará para sempre a ameaça que começou antes mesmo do despertar do Sol.

Nos filmes, a presença de Túrin resume-se a referências em diálogos ou em mapas. Adaptar integralmente sua saga exigiria abordagem madura, algo que o público ainda não viu no universo cinematográfico de Tolkien. Até lá, o feito profético de um homem derrotar um Vala corrompido segue restrito ao imaginário dos leitores.

Ungoliant

Enigmática e faminta, Ungoliant surgiu envolta em trevas, ancestral de criaturas como Shelob. Quando Morgoth propôs saciar sua fome caso ela o ajudasse, a aranha devorou a luz das Duas Árvores de Valinor e, inflada por esse poder, tornou-se tão gigantesca que o próprio aliado recuou.

Ao recusar entregar as Silmarils, Morgoth sentiu o peso da traição: Ungoliant envolveu-o em teias negras e quase o esmagou. O salvamento veio graças aos Balrogs, que espantaram a criatura. O fato de Morgoth não persegui-la depois ilustra o pavor temporário que ela inspirou no maior vilão da Terra-média.

Nos filmes, apenas Shelob aparece de forma marcante. Ungoliant, mais imensa e temida, permanece inédita. A ausência se justifica tanto por limitações técnicas quanto pela necessidade de manter foco narrativo na Guerra do Anel. Mesmo sem receber tempo de tela, a aranha primordial segue como uma das poucas entidades capazes de subjugar Morgoth, nem que seja por instantes.

Ao reunir divindade criadora, líderes celestiais, campeões lendários e monstruosidades antigas, a lista ressalta como até a malícia de Morgoth encontrou barreiras. Esses confrontos, pouco explorados fora dos livros, aguardam adaptações futuras que consigam traduzir tamanha grandiosidade sem diminuir a mística construída por Tolkien.

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Sou redator especializado em conteúdo de beleza, moda e crochê. Produzo conteúdos desde 2021, tendo experiência como colunista em sites de referência.