Elenco brilha mesmo com roteiro fraco: as 10 melhores atuações de Euphoria na 3ª temporada

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Euphoria voltou com sua terceira temporada prometendo ampliar o universo sombrio criado por Sam Levinson. A guinada para um submundo criminal, contudo, deixou parte do elenco original com pouco espaço em cena — e muito menos profundidade nos diálogos.

Ainda assim, nomes como Zendaya, Colman Domingo e Sydney Sweeney encontraram brechas para entregar momentos dignos de premiação, provando que talento pode sobreviver a um texto vacilante.

Quem entrega as performances que salvam a temporada

Mesmo ofuscados por novos personagens e tramas paralelas, alguns rostos familiares — e estreantes — conseguem sustentar a série. Confira, abaixo, as dez interpretações que mantêm Euphoria viva no debate cultural.

10. Chloe Cherry como Faye

Vinda do cinema adulto, Chloe Cherry mostra versatilidade ao viver Faye, encarando situações extremas que vão de balões de heroína ao sexo com um neonazista. Cada cena é abraçada sem medo, resultando em uma presença contraditória: Faye transita entre o grotesco e o cômico, formando uma química curiosa com Rue de Zendaya.

Mesmo nos momentos de humor involuntário, Cherry sustenta a personagem com naturalidade, ajudando o público a sentir empatia por alguém colocado em enredos cada vez mais absurdos. A direção de Levinson aqui aposta no choque, mas a atriz ameniza o impacto com nuances inesperadas.

Esse contraste reforça a crítica de que o roteiro pouco faz pela evolução da personagem; quem segura tudo é a entrega física e emocional da atriz.

9. Marshawn Lynch como membro da comitiva de Alamo

Após pendurar as chuteiras na NFL, Marshawn Lynch abraçou o papel de alívio cômico na TV. Em Euphoria, o ex-jogador injeta humor certeiro nas cenas extensas do chefão Alamo, roubando olhares com duas ou três falas que viram meme instantâneo.

Lynch demonstra boa noção de timing e presença, quebrando a tensão dos episódios sem desrespeitar o tom sombrio da série. Sua performance confirma a estratégia de Levinson de misturar figuras improváveis no elenco, adicionando camadas de imprevisibilidade.

O ator improvisa expressões faciais e trejeitos que lembram sua espontaneidade em entrevistas esportivas, tornando cada aparição um respiro bem-vindo para quem sente o ritmo arrastado da temporada.

8. Martha Kelly como Laurie

Laurie deixou de ser ameaça em segundo plano para aparecer quase semanalmente. Essa superexposição poderia esvaziar o perigo, mas Martha Kelly mantém o terror intacto com sua voz monótona e postura de “mãe do subúrbio”.

O contraste entre a aparência inofensiva e a frieza da traficante gera desconforto constante. Kelly doseia microexpressões, como um sorriso contido ou um olhar vazio, transformando monólogos mínimos em prenúncio de violência.

A atuação ajuda a compensar o roteiro repetitivo, lembrando ao público por que Laurie foi tão marcante anteriormente.

7. Darrell Britt-Gibson como Bishop

Bishop surge como o faz-tudo do submundo, ecoando figuras clássicas como Mike Ehrmantraut. Darrell Britt-Gibson entrega um gângster de sangue-frio com atuação econômica: falas curtas, presença firme e sutilezas que sugerem um passado pesado.

Seu trabalho eleva cenas que, no papel, soam derivativas. Cada pausa e cada olhar silencioso ampliam a tensão, fazendo Bishop sobressair mesmo ao lado do barulhento Alamo.

Numa temporada que busca referências a filmes de crime, Britt-Gibson prova ser o elo que conecta a série a esse universo com credibilidade.

6. Colman Domingo como Ali

Ali funciona como bússola moral de Rue, e Colman Domingo traz serenidade quase espiritual ao ex-viciado. Na terceira temporada, o ator explora as feridas antigas do personagem, alternando calma budista e explosões contidas.

A química entre Domingo e Zendaya reacende a essência de Euphoria sempre que dividem a tela. A direção lhes concede planos fechados prolongados, onde bastam microgestos para transmitir empatia ou decepção.

É nos diálogos sobre recaídas que Domingo prova por que figura entre os mais confiáveis de Hollywood: sua entrega confere dimensões que o texto sozinho não oferece.

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Imagem: Internet

5. Sydney Sweeney como Cassie

Cassie tornou-se caricata, presa a cenas de objetificação recorrente. Ainda assim, Sydney Sweeney encontra maneiras de manter a audiência interessada, exagerando o melodrama com autoconsciência.

Um exemplo é o colapso durante o sangramento nasal: Sweeney mistura desespero genuíno e humor involuntário, lembrando que Cassie é trágica e patética ao mesmo tempo.

Mesmo que o roteiro limite a personagem, a atriz usa vocalizes quebrados e expressões exageradas para mostrar o vazio emocional que consome Cassie.

4. Alexa Demie como Maddy

Maddy continua fiel à frieza apresentada nas temporadas anteriores. Alexa Demie retoma a postura de “badass” — vide a ameaça velada contra Lexi ou o truque para enganar Cassie em um contrato abusivo.

Entretanto, Demie adiciona vulnerabilidade em cenas como o desconforto no ofurô com Alamo, reforçando a humanidade por trás da personagem.

Mesmo sem a projeção de colegas que migraram para blockbusters, a atriz comprova que merece espaço semelhante no panteão jovem de Hollywood.

3. Priscilla Delgado como Angel Martinez

Angel funciona como alerta sobre os riscos da nova parceria de Rue. Priscilla Delgado navega do sarcasmo inicial ao pânico absoluto com fluidez, tornando-se o coração trágico dos primeiros episódios.

Sua morte torna-se catalisadora do conflito entre Alamo e Laurie, impactando o público graças à entrega emocional intensa de Delgado, que grava na memória cenas de poucos minutos.

É o típico caso em que uma atriz pouco conhecida transforma figura secundária em destaque, lembrando performances marcantes de personagens que apareciam apenas para morrer em séries como Game of Thrones.

2. Adewale Akinnuoye-Agbaje como Alamo Brown

Alamo é escrito como vilão verborrágico, mas suas falas “duronas” soam artificiais. Adewale Akinnuoye-Agbaje, todavia, compensa a fraqueza textual com presença magnética reconhecida desde Oz e Lost.

O ator usa postura corporal dominante, voz grave e olhar fixo para impor respeito, mesmo quando as palavras falham. Pequenos gestos — um toque no ombro, uma risada contida — deixam claro por que todos temem o chefão.

Seu trabalho prova como interpretação pode redimir diálogos fracos, salvando cenas que beiram o caricato.

1. Zendaya como Rue Bennett

Desde o primeiro episódio, Zendaya é a força-motriz de Euphoria. Na terceira temporada, o roteiro exagera traços de Rue e abandona sutilezas, mas a atriz encontra novas cores para a dependência, a culpa e o desejo de redenção.

Ela alterna sussurros e explosões de raiva com naturalidade, prendendo a câmera a cada close. Mesmo em sequências bizarras — caso dos balões de heroína — Zendaya convence o público do perigo real.

Sua performance reafirma o motivo de a série ter virado fenômeno pop, garantindo a Rue lugar entre personagens juvenis mais complexas da década. Quem acompanha a série Euphoria permanece, em grande parte, para assistir a esse espetáculo de atuação.

Euphoria continua a desafiar expectativas, para o bem ou para o mal, mas é inegável que seu elenco sustenta a trama mesmo quando o texto tropeça. Enquanto Sam Levinson decide o futuro da história, essas dez atuações mantêm viva a chama que atraiu milhões de espectadores.

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Sou redator especializado em conteúdo de beleza, moda e crochê. Produzo conteúdos desde 2021, tendo experiência como colunista em sites de referência.