Better Call Saul chegou ao fim deixando a sensação de que, em muitos momentos, conseguiu ir além do que Breaking Bad já tinha alcançado. Parte desse feito está em episódios que combinam direção precisa, atuações afiadas e roteiros que não desperdiçam um segundo do espectador.
- Os 10 episódios que definem Better Call Saul
- “Coushatta” (Temporada 4, Episódio 8)
- “Bingo” (Temporada 1, Episódio 7)
- “Klick” (Temporada 2, Episódio 10)
- “Inflatable” (Temporada 2, Episódio 7)
- “Lantern” (Temporada 3, Episódio 10)
- “Mijo” (Temporada 1, Episódio 2)
- “Nailed” (Temporada 2, Episódio 9)
- “Pimento” (Temporada 1, Episódio 9)
- “Plan and Execution” (Temporada 6, Episódio 7)
- “Rock and Hard Place” (Temporada 6, Episódio 3)
Listamos abaixo dez capítulos cruciais que sintetizam o que a série de Vince Gilligan e Peter Gould entregou de melhor ao longo de seis temporadas. Eles revelam tanto a evolução de Jimmy McGill rumo a Saul Goodman quanto a capacidade de Kim, Mike e Nacho roubarem a cena.
Os 10 episódios que definem Better Call Saul
A seleção foca na performance dos atores, na mão segura dos diretores e na ousadia narrativa dos roteiristas. Cada item traz uma análise rápida do que faz daquele capítulo um ponto alto da televisão recente.
“Coushatta” (Temporada 4, Episódio 8)
Bob Odenkirk e Rhea Seehorn exibem química impecável enquanto Jimmy e Kim armam para livrar Huell da cadeia. O roteiro entrega diálogos ágeis, permitindo que os dois mostrem a sincronia perfeita entre charme e manipulação.
A direção explora as trocas de olhares e pequenos gestos, reforçando a virada de Kim para um caminho cada vez menos ético. Ao mesmo tempo, Jonathan Banks surge em cenas paralelas que sublinham o contraste entre a frieza de Mike e seus raros lampejos de compaixão.
Esse equilíbrio entre tramas jurídicas e o submundo do cartel deixa claro por que “Coushatta” virou ponto de inflexão para vários personagens, evidenciando a habilidade da série em trafegar por gêneros distintos sem perder o foco.
“Bingo” (Temporada 1, Episódio 7)
“Bingo” aprofunda quem Jimmy era antes da queda total. Odenkirk passeia entre o humor e a vulnerabilidade ao planejar o golpe que força os Kettleman a devolver o dinheiro desviado.
O texto deixa claro que, naquele momento, o advogado ainda se agarra a resquícios de moralidade. Esse detalhe torna, mais tarde, sua transformação completa em Saul Goodman ainda mais trágica.
A trama também serve para destacar Mike, reforçando sua parceria inicial com Jimmy e antecipando a sintonia que os dois desenvolveriam até os eventos vistos em Breaking Bad.
“Klick” (Temporada 2, Episódio 10)
A relação tóxica entre os irmãos McGill atinge novo pico aqui. Michael McKean entrega uma atuação impiedosa como Chuck, alternando chantagem emocional e desprezo intelectual em cada fala.
Jimmy, por sua vez, afunda ainda mais na mentira sobre a falsificação de documentos, expondo o jogo psicológico que ambos dominam. A direção acentua o claustro dos ambientes fechados, simbolizando o cerco que se fecha ao redor dos dois.
Paralelamente, a tensão cresce com Mike e Werner, lembrando ao público que a série sabe equilibrar drama familiar com o perigo real do cartel.
“Inflatable” (Temporada 2, Episódio 7)
Num dos capítulos mais cômicos da série, Jimmy decide ser demitido de Davis & Main sem perder o bônus. Odenkirk se diverte usando ternos extravagantes, tocando gaita de foles e arruinando reuniões.
A fotografia acompanha o colorido das roupas para simbolizar o rompimento definitivo entre Jimmy e o mundo corporativo. Rhea Seehorn brilha nas reações contidas de Kim, já dividida entre o fascínio e a preocupação com o parceiro.
O roteiro demonstra que as escolhas de Jimmy quase sempre misturam genialidade e autossabotagem, traço que sustentará muitas tragédias futuras.
“Lantern” (Temporada 3, Episódio 10)
O capítulo encerra a temporada com uma imagem sombria: Chuck, consumido pela própria obsessão, incendeia a própria casa. Michael McKean traduz o desespero do personagem em cada respiração ofegante.
A montagem intercala o clímax de Chuck com a operação de Nacho para trocar o remédio de Hector Salamanca, reforçando o entrelaçamento de narrativas que só ganharia força depois.
A direção opta por um tom quase sepulcral, tornando o destino de Chuck o empurrão definitivo para Jimmy abraçar o cinismo completo.
Imagem: Internet
“Mijo” (Temporada 1, Episódio 2)
Logo no início da série, Jimmy é arrastado para o deserto por Tuco Salamanca. A sequência estabelece a periculosidade do cartel e testa as habilidades oratórias do protagonista.
O jogo de câmeras reforça a sensação de isolamento, enquanto Odenkirk equilibra pânico e presença de espírito para convencer Tuco a poupar a vida de dois jovens vigaristas.
Além disso, o episódio introduz Nacho (Michael Mando) e seu código moral, plantando sementes para conflitos que se estenderiam por anos.
“Nailed” (Temporada 2, Episódio 9)
A escalada de animosidade entre Jimmy e Chuck explode quando o irmão mais velho desmaia em plena cópia gráfica. A atuação de McKean captura o choque físico da queda, enquanto Odenkirk expressa culpa e autopreservação em frações de segundo.
Kim Wexler, cada vez mais envolvida, sofre as consequências dessa guerra familiar. Seehorn transmite a exaustão de quem tenta conciliar integridade profissional e lealdade emocional.
O episódio também reforça as manobras de Mike e Nacho, mostrando como a série costura drama doméstico e thriller criminal com a mesma eficácia.
“Pimento” (Temporada 1, Episódio 9)
Mais uma vez, Jonathan Banks domina a tela ao tomar a liderança de uma negociação de drogas sem disparar um único tiro. A calma de Mike contrasta com a arrogância de Sobchak, destacando a competência do ex-policial.
No campo jurídico, Jimmy sente a porta se fechar quando Chuck propõe um acordo financeiro. A cena revela a primeira grande facada emocional que o irmão lhe dá.
A direção deixa que silêncios falem alto, permitindo ao público perceber o momento em que a ambição de Jimmy se choca com a realidade imposta pela família e pela firma HHM.
“Plan and Execution” (Temporada 6, Episódio 7)
O capítulo põe fim ao jogo psicológico contra Howard Hamlin de maneira brutal. Patrick Fabian entrega sua melhor performance ao viver o choque e o medo crescentes antes do tiro fatal disparado por Lalo.
A sequência estabelece um clima de horror doméstico raramente visto na TV: o sangue que espalha sobre o tapete marca visualmente a ruptura definitiva entre vida “normal” e submundo para Jimmy e Kim.
Ao alternar os ambientes de tensão, a direção cria um suspense quase insuportável, abrindo caminho para o próximo confronto entre Gus e Lalo.
“Rock and Hard Place” (Temporada 6, Episódio 3)
Michael Mando sustenta o episódio do início ao fim. Nacho, cercado por todos os lados, toma a decisão de se sacrificar para proteger o pai, conferindo à série um de seus momentos mais tocantes.
A fotografia do deserto reflete a solidão do personagem, que encara o destino de frente e assume o controle do último ato da própria vida.
Direção e roteiro evitam exageros, deixando a performance falar alto. A cena final, marcada por silêncio sepulcral, ecoa o tom trágico que acompanharia os episódios seguintes e confirma Better Call Saul como obra-prima. Saiba mais sobre outras séries da AMC.

