Um item criado no fim do século XIX, pensado para proteger roupas de gala durante idas à ópera, volta a circular com força total. O casaco de ópera, também chamado de opera coat, já aparece em fotos de street style e em coleções de marcas de luxo, colocando 2026 no radar dos amantes de peças dramáticas.
Celebridades como Alexa Chung, Zoë Kravitz e Kate Moss foram vistas recentemente usando versões atualizadas, sinalizando que o revival não ficará apenas na teoria das passarelas. A seguir, analisamos como cada nome influenciou a volta da peça, além de observar a leitura de estilistas que ajudaram a reintroduzir o casaco ao guarda-roupa contemporâneo.
O retorno triunfal do casaco de ópera
Tradicionalmente confeccionado em seda, cetim ou tafetá, o opera coat ganhou notoriedade nos anos 20, época em que designers como Paul Poiret exploravam silhuetas amplas e bordados exuberantes. A atual onda maximalista, somada ao interesse por referências históricas, explica o entusiasmo de marcas como Valentino e Erdem pela peça.
Nas mãos de nomes mais jovens, o casaco ressurge com pegada sustentável, cortes ousados e mistura de texturas. Cada interpretação mantém o caráter teatral do modelo, mas dialoga com a busca por individualidade que domina a moda pós-pandemia.
Kate Moss e o toque despretensioso
Ícone desde os anos 90, Kate Moss aposta no contraste entre luxo e casualidade ao combinar seu casaco de ópera preto com jeans retos e botas de couro. A escolha reforça a versatilidade da peça, provando que o item não precisa ficar restrito a eventos de gala.
A supermodelo costuma preferir versões longas, levemente estruturadas, que criam movimento a cada passo. O caimento amplo, somado ao brilho discreto do tecido, remete ao glamour art déco sem perder a atitude rock que faz parte de seu estilo pessoal.
Na prática, a performance de Moss é fundamental para popularizar o casaco entre públicos variados: ao subverter o dress code formal, ela mostra que o opera coat pode transitar do tapete vermelho ao look de aeroporto sem perder relevância fashion.
Alexa Chung e o drama vintage
Conhecida por investir em referências retrô, Alexa Chung escolheu um modelo volumoso, adornado por detalhes de pelúcia na gola e nos punhos. O shape circular cria silhueta de capa, reforçando o aspecto teatral e ressaltando a textura nobre do tafetá.
Ao coordenar a peça com vestidos leves e botas de cano alto, a apresentadora britânica brinca com proporções e reforça a narrativa de que o maximalismo pode — e deve — dialogar com elementos de styling simples. O resultado é um visual que remete às musas dos anos 70, porém atualizado pela postura confiante de Chung.
Seu look viralizou nas redes sociais e impulsionou as buscas por garimpos vintage, movimento que fortalece o mercado de segunda mão e confirma a força da nostalgia como motor de tendência.
Zoë Kravitz e a elegância minimalista
Já Zoë Kravitz prefere equilibrar a opulência do casaco com um slip dress de seda quase etéreo. A combinação evidencia a fluidez do tecido principal, permitindo que o bordado contrastado brilhe sem competir com a delicadeza do vestido.
Ao manter acessórios discretos, Kravitz coloca o casaco como protagonista, criando narrativa visual que mescla a estética boudoir ao glamour clássico dos anos 30. Esse equilíbrio faz da atriz um dos exemplos mais claros de como adaptar o opera coat ao guarda-roupa contemporâneo.
Além de reforçar o interesse por peças statement, a escolha dialoga com a tendência de resgatar itens considerados “antiquados”, como luvas e broches, que voltam a ganhar espaço nos looks de tapete vermelho.
Imagem: Alta Costura Primavera
Conner Ives: upcycling e frescor autoral
Entre os estilistas da nova geração, Conner Ives desponta como principal entusiasta do casaco de ópera. O designer reutiliza tecidos e bordados antigos, muitos deles inspirados na dinastia Qing, para criar edições limitadas que já conquistaram Kate Moss e Zoë Kravitz.
Seu processo de upcycling dá nova vida a materiais de qualidade museológica, combinando a sofisticação original da peça com preocupações sustentáveis. A escolha reforça o apelo do casaco em um cenário de consumidores cada vez mais atentos à origem do que vestem.
A recepção crítica também é positiva: especialistas elogiam a forma como Ives mantém a construção tradicional — golas generosas, corte solto, forro brilhante — ao mesmo tempo em que imprime identidade juvenil e multicultural.
John Galliano: legado dos anos 90
Muitos creditam a John Galliano o ressurgimento do casaco de ópera durante a década de 1990. Suas versões misturavam tecidos brocados, franjas e referências orientais, resultando em visuais que chamavam atenção pela teatralidade quase cinematográfica.
Uma dessas criações foi resgatada por Margot Robbie em recente turnê promocional, fato que reacendeu a curiosidade sobre os arquivos do estilista. A presença da peça em eventos de alto impacto midiático comprova que o trabalho de Galliano continua relevante para a leitura atual da tendência.
Críticos de moda destacam que o designer soube reinterpretar códigos históricos sem cair em simples reprodução, apostando em cortes fluidos e paleta intensa para dialogar com o espírito rebelde dos anos 90 — abordagem que permanece inspiradora para criadores contemporâneos.
Por que o casaco de ópera ganhou novo fôlego
O contexto pós-pandemia trouxe de volta o desejo por ocasiões especiais e produções marcantes. Esse cenário, aliado à popularidade de séries de época e ao retorno de elementos considerados “old school”, abriu espaço para a peça voltar a circular nas ruas.
A versatilidade também pesa a favor. Confeccionado em diversos comprimentos e tecidos, o casaco transita bem entre estações e pode ser usado tanto em noites amenas quanto em eventos formais. Combinado a jeans ou a um vestido de festa, ele imprime instantaneamente atitude e sofisticação.
Para quem deseja experimentar a tendência sem investir em um modelo original, vale buscar versões vintage em brechós ou aplicar golas de pelo removíveis sobre casacos já existentes, solução que garante efeito semelhante com orçamento mais enxuto.
Independentemente do caminho escolhido, o revival do opera coat confirma que a moda segue fascinada por narrativas históricas. E, se depender de celebridades e designers, o casaco deve permanecer em cena muito além de 2026.

