American Horror Story está oficialmente renovada para a 13ª temporada e, desta vez, Ryan Murphy e Brad Falchuk voltam ao universo das bruxas apresentado em Coven e expandido em Apocalypse.
Com o retorno confirmado de Jessica Lange e expectativa de Emma Roberts, o novo ano carrega a missão de resolver histórias deixadas em aberto há quase uma década — sem perder o foco na atuação do elenco e na assinatura estilística dos roteiristas.
As pendências que a 13ª temporada precisa resolver
Ao revisitar o núcleo místico da franquia, a série encontra seu próprio “pote de ouro” dramático: Supremas rivais, ressurreições improváveis e paradoxos temporais. A seguir, veja como cada ponto demanda atenção especial de roteiro, direção e elenco.
Fiona Goode: ressurreição pode abalar o posto de Suprema
Jessica Lange deu vida a Fiona Goode com um magnetismo que se tornou referência na série. Em Coven, a personagem morre e é enviada a um inferno pessoal, permitindo que Cordelia assuma o manto de Suprema. Trazer Fiona de volta exigirá que roteiristas ajustem a mitologia sem desvalorizar o arco de redenção construído para Cordelia.
Diretores como Alfonso Gomez-Rejon, acostumado a planos estilizados, devem equilibrar a potência de Lange com a sensibilidade de Sarah Paulson. Se Fiona ressurgir poderosa, o texto precisará justificar a coexistência de duas Supremas ou apresentar limitações ao seu retorno, preservando a coesão interna da bruxaria.
O desafio dramático recai justamente sobre Lange: repetir a intensidade sarcástica de Fiona sem soar repetitiva, ao mesmo tempo em que Paulson mantém o peso emocional de Cordelia. A química entre elas pode redesenhar as regras da sucessão mágica ou reforçar o sacrifício que consagrou Cordelia líder.
Madison Montgomery: resgate do inferno ou destino selado?
Emma Roberts transformou Madison em ícone de cinismo e vulnerabilidade. A personagem foi salva do inferno por Michael Langdon, mas a viagem temporal de Mallory anulou o resgate. Agora, o roteiro terá de explicar como tirar Madison de lá sem o corpo original — ocultado por Spaulding.
Para Roberts, o retorno é oportunidade de atualizar nuances da personagem, mostrando como o sofrimento eterno moldou seu sarcasmo. Visualmente, diretores podem contrastar o brilho fashion de Madison com o ambiente sombrio de seu castigo.
A decisão narrativa também afeta a coesão da temporada: se Madison voltar, quem realiza o salvamento? Mallory? Cordelia? Cada escolha redefine alianças e coloca Emma Roberts no centro de um conflito espiritual que testa os limites de necromancia estabelecidos na série.
O novo Anticristo: Devan Campbell e o eco do mal
O epílogo de Apocalypse introduziu Devan Campbell, criança que replicou o início sanguinário de Michael Langdon. Sem conexão direta com Murder House, sua origem ficou nebulosa. Se a 13ª temporada quiser explorar esse gancho, roteiristas como Halley Feiffer terão de construir uma linhagem demoníaca convincente.
Um antagonista infantil oferece campo fértil para tensão, mas exige direção cuidadosa para evitar repetição dos arcos de Michael. A presença de um novo Anticristo também reacende discussões sobre destino versus livre-arbítrio, temas recorrentes no portfólio de Murphy.
Para o elenco adulto, interagir com Devan significará lidar com a ameaça de um mal em estágio embrionário, potencialmente ampliando o escopo apocalíptico visto antes — e criando palco para performances intensas de coadjuvantes como Evan Peters.
Imagem: Colorblind
Mallory e a ética da viagem no tempo
Interpretada por Billie Lourd, Mallory executa o maior truque da série: voltar a 2015 e matar Michael, redefinindo a realidade. O silêncio que ela mantém sobre o feito gera conflito moral irresistível para roteiristas e para a interpretação contida de Lourd.
Se a temporada abordar as consequências psicológicas, diretores podem explorar flashbacks com fotografia diferenciada para separar linhas temporais — recurso frequente em episódios comandados por Jennifer Lynch.
Além disso, explicar as regras da viagem no tempo evita a sensação de “carta coringa” no roteiro. O espectador precisa entender o custo mágico da decisão, algo que pode aproximar Mallory de figuras históricas da série, como Misty Day, em busca de conselhos sobre repercussões cósmicas.
Duas Supremas: Cordelia e Mallory coexistem?
Apocalypse apresentou um paradoxo: Cordelia segue viva enquanto Mallory, tecnicamente, já alcançou o status de Suprema em outra linha do tempo. A regra “só pode haver uma” sempre guiou o coven, e quebrá-la impacta não apenas a mitologia, mas também o relacionamento mentor-discípula entre Paulson e Lourd.
Caso o roteiro opte por poderes compartilhados, surge terreno dramático para ciúmes, insegurança e rivalidade respeitosa, algo que Paulson domina em suas composições. Já uma solução que suprima parte das habilidades de Mallory reforça a hierarquia clássica e preserva o arco heroico de Cordelia.
A direção pode sublinhar essa dualidade com linguagens visuais distintas: iluminação quente para Cordelia, sublinhando tradição, e tons frios para Mallory, sinalizando a nova era. A decisão influenciará o desenho de todas as cenas de feitiço na temporada.
O que mais a viagem temporal de Mallory apagou?
Ao salvar o mundo, Mallory também desfez histórias importantes de Murder House, como a reconciliação de Violet e Tate e a morte catártica de Constance. Se a 13ª temporada revisitar a icônica mansão, roteiristas precisarão equilibrar fan service com coerência dramática.
Para Sarah Paulson, que já viveu Billie Dean Howard na primeira temporada, a volta ao cenário original pode render camadas adicionais de meta-narrativa. Diretores experientes da série, como Paris Barclay, têm histórico de usar planos longos naquele ambiente claustrofóbico, potencializando a tensão psicológica.
No entanto, reabrir essas tramas carrega risco de invalidar conclusões emocionais previamente entregues ao público. A equipe de roteiristas deverá definir até onde avançar sem esvaziar o peso de episódios clássicos — decisão que impacta diretamente a recepção crítica.
Com tantas pontas soltas, American Horror Story 13 encontra terreno fértil para atuações marcantes e ousadia narrativa. Cabe a Murphy, Falchuk e seus diretores transformar essas lacunas em combustível para uma temporada que honre o legado de Coven e Apocalypse, sem deixar nenhum feitiço pela metade.







