10 sitcoms de turma pouco lembradas que valem a maratona

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Boa parte das comédias de grupo virou fenômeno justamente por transmitir a sensação de passar a noite com velhos amigos. Porém, enquanto Friends ou Seinfeld monopolizam as lembranças, vários títulos menores entregam atuações afiadas e roteiros corajosos que acabaram soterrados na avalanche de lançamentos.

A lista a seguir recupera dez sitcoms de hangout de diferentes épocas e plataformas que merecem ser revisitadas. O foco é entender como cada produção utiliza elenco, direção e escrita para criar química e leveza, mesmo quando as tramas parecem não levar a lugar algum.

Sitcoms esquecidas que merecem atenção

A seleção inclui desde crônicas de quarentões em crise até colapsos românticos em hospitais abandonados. Em comum, todas apostam na naturalidade das conversas, no cenário recorrente e na ideia de amizade como ponto de fuga das responsabilidades adultas.

Friends from College (2017–2019)

Keegan-Michael Key e Cobie Smulders lideram um elenco que aposta no timing cômico para retratar amizades marcadas por ciúmes e casos mal resolvidos. A direção de Nicholas Stoller mantém ritmo acelerado, transformando encontros casuais em explosões de humor constrangedor.

Com roteiros que transitam entre a leveza cotidiana e o drama latente, a série explora o desconforto de reencontrar colegas de faculdade já na casa dos 40. O texto valoriza sobreposições de diálogo, dando ao espectador a impressão de participar da conversa.

Apesar de apenas duas temporadas na Netflix, Friends from College se destaca pela disposição em expor falhas dos personagens sem tentar suavizá-las, criando uma honestidade rara no gênero.

Don’t Trust the B—- in Apartment 23 (2012–2014)

Kristen Ritter rouba a cena como Chloe, vizinha caótica e egocêntrica que coloca a recém-chegada June (Dreama Walker) em situações cada vez mais absurdas. A interpretação de Ritter combina sarcasmo e vulnerabilidade, sustentando o tom anárquico da série.

Diretoras convidadas alternam estilos, mas o roteiro assinado por Nahnatchka Khan mantém coerência, apostando em piadas metalinguísticas — reforçadas pela participação de James Van Der Beek como uma versão caricata de si mesmo.

Cancelada ainda no segundo ano pela ABC, a produção virou cult justamente pela coragem de abraçar o nonsense sem perder a dinâmica de apartamento-como-ponto-de-encontro típica das sitcoms de hangout.

The Last Man on Earth (2015–2018)

Will Forte cria e estrela uma comédia pós-apocalíptica que, ironicamente, funciona como sitcom de grupo. A atuação dele equilibra infantilidade e carência, abrindo espaço para coadjuvantes como Kristen Schaal brilharem.

Com produção executiva de Phil Lord e Christopher Miller, a direção alterna quadros amplos de cidades vazias com closes que ressaltam tensões íntimas. O contraste reforça a ideia de “família encontrada” em meio ao caos.

Quatro temporadas depois, a história terminou em um gancho frustrante, mas o desenvolvimento dos relacionamentos torna a jornada imprescindível para quem gosta de humor de situação com pitadas de absurdo.

Workaholics (2011–2017)

Blake, Adam e Anders no escritório

Blake Anderson, Adam DeVine e Anders Holm — também criadores — formam o trio que se recusa a amadurecer num escritório de telemarketing. A química natural entre os atores sustenta sete temporadas de piadas autodepreciativas e situações embaraçosas.

Os roteiros investem em linguagem de sketch, convertendo o local de trabalho em mero pano de fundo para festas, pegadinhas e delírios stoner. A direção assume câmera trêmula e cortes rápidos, reforçando a energia caótica.

Para fãs de Broad City e outras comédias de amizade sem filtros, Workaholics permanece como manual de como esticar ao máximo a imaturidade adulta sem perder o frescor.

Grand Crew (2021–2023)

Ambientada em um bar de vinhos em Los Angeles, a série confia no carisma do elenco — com destaque para Echo Kellum e Nicole Byer — para discutir carreira, relacionamentos e cultura pop. Cada episódio funciona como conversa prolongada entre amigos.

A direção de câmara presa ao balcão cria sensação de intimidade, enquanto os roteiros de Phil Augusta Jackson equilibram referências de nicho e observações sentimentais. O resultado lembra um híbrido de Friends com Insecure.

Mesmo com apenas duas temporadas curtas na NBC, Grand Crew prova que simplicidade de cenário pode render diálogos afiados e personagens cativantes, contanto que a química esteja ajustada.

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Imagem: Internet

Single Parents (2018–2020)

Taran Killam, Leighton Meester e Brad Garrett lideram uma turma de pais solo que vira rede de apoio involuntária. As atuações dos adultos encontram contraponto na espontaneidade do elenco mirim, que garante risos inesperados.

Elizabeth Meriwether, criadora de New Girl, aposta em humor observacional para mostrar o desafio de equilibrar namoro e paternidade. A direção valoriza cenas corais no pátio da escola, reforçando a ideia de hangout.

O título pode ter afastado parte do público, mas a série vai além da temática parental, oferecendo comentário leve sobre amizade e autodescoberta na vida adulta.

Coupling (2000–2004)

Antes de Doctor Who e Sherlock, Steven Moffat idealizou este “Friends britânico” inspirado em experiências pessoais. O elenco, ancorado por Jack Davenport e Gina Bellman, domina diálogos rápidos e cheios de duplos sentidos.

Moffat estrutura episódios como quebra-cabeças temporais, repetindo cenas sob ângulos distintos. A direção televisiva clássica contrasta com o texto engenhoso, transformando gafes românticas em grandes set pieces cômicas.

Sucesso moderado na BBC e quase invisível fora do Reino Unido, Coupling continua referência para roteiristas interessados em comédia de ritmo acelerado e construção não linear.

Workin’ Moms (2017–2023)

Criada e protagonizada por Catherine Reitman, a produção canadense acompanha cinco mulheres equilibrando carreira, maternidade e identidade. O elenco feminino brilha ao alternar humor ácido e vulnerabilidade.

Os roteiros investem em discussões francas sobre sexo pós-parto, culpa materna e mercado de trabalho. A direção opta por cenários urbanos reais de Toronto, reforçando autenticidade e universalidade dos conflitos.

Embora tenha durado sete temporadas na CBC e ganhado alcance via streaming, Workin’ Moms ainda merece reconhecimento maior como sitcom de grupo centrada em experiências femininas.

Crashing (2016)

Lulu toca ukulele com Kate e Sam ao fundo em Crashing

Phoebe Waller-Bridge antecipa o humor desconfortável de Fleabag ao reunir seis jovens que moram de favor num hospital abandonado. A interpretação dela transita entre charme e caos, sustentando a tensão sexual coletiva.

O roteiro brinca com limites de amizade e romance, usando o espaço claustrofóbico para intensificar conflitos. A direção mantém iluminação fria, sublinhando a sensação de improviso permanente.

Com apenas seis episódios, Crashing conquistou crítica, mas não a audiência de massa. Ainda assim, é aula de como desconstruir convenções de sitcom e humanizar personagens à beira do colapso.

Living Single (1993–1998)

Queen Latifah lidera um elenco carismático que retrata a vida de jovens profissionais negros no Brooklyn. A naturalidade das atuações confere credibilidade às piadas e aos momentos de apoio mútuo.

Os roteiros de Yvette Lee Bowser priorizam a amizade feminina como eixo central, evitando que romances dominem a narrativa. A direção multicâmera clássica ressalta o timing preciso do conjunto.

Mesmo sem a projeção internacional de Friends, Living Single permanece relevante pela representatividade pioneira e pela química que faz o apartamento e o bar vizinho parecerem extensões da sala do espectador.

Do apartamento novaiorquino ao hospital londrino abandonado, essas dez produções provam que o formato “galera reunida” ainda rende descobertas saborosas. Basta acomodar-se no sofá e escolher por onde começar.

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Sou redator especializado em conteúdo de beleza, moda e crochê. Produzo conteúdos desde 2021, tendo experiência como colunista em sites de referência.