Ryan Murphy confirmou o retorno de Glee e, além de veteranos como Lea Michele, o projeto busca novas vozes para energizar McKinley High. A necessidade é clara: escalar rostos que conversem com o público da geração Z sem perder a pegada dramático-musical que fez da série um fenômeno.
Com base em trabalhos recentes e na versatilidade de cada artista, listamos dez intérpretes abaixo dos 30 anos que reúnem carisma, domínio cênico e, em muitos casos, experiência no canto. São nomes capazes de sustentar tanto solos emocionantes quanto diálogos ácidos, marca registrada do roteiro afiado que manteve a produção no topo da cultura pop.
A nova cara de McKinley High: quem pode integrar o reboot
Todos os atores a seguir já provaram que conseguem transitar por gêneros distintos – do romance juvenil ao suspense psicológico. Esse repertório é valioso numa série que alterna coreografias coloridas com momentos de realismo cru, conduzidos pelo olhar satírico de Murphy e pelos roteiristas veteranos do projeto.
Ella Bright
Conhecida por Off Campus, Ella Bright domina tanto o drama romântico quanto números vocais, requisito frequente nas tramas de Glee. Aos 19 anos, ela concilia a juventude necessária para convencer como aluna com a bagagem de quem atua desde Mallory Towers, garantindo segurança em cena.
Bright costuma interpretar a “garota gente boa” que equilibra ingenuidade e firmeza. Esse perfil lembra personagens populares da primeira fase da série, o que facilitaria a identificação do público. Sua dicção clara e presença luminosa podem transformar baladas pop em momentos marcantes.
Em termos de direção, Ryan Murphy adota câmera dinâmica durante performances musicais. Bright já experimentou esse tipo de abordagem em clipes promocionais para Prime Video, sinalizando adaptação rápida ao ritmo acelerado das filmagens.
Milo Manheim
Milo Manheim alterna televisão, cinema e teatro, inclusive como protagonista de Zombies e do revival off-Broadway de Little Shop of Horrors. Essa versatilidade é ouro para os produtores que buscam intérpretes prontos para cantar ao vivo e gravar diálogos no mesmo dia.
Comédia física e timing de piada são especialidades que combinam com a veia satírica de Glee. Manheim, que tem 25 anos, segue convincente como colegial, como mostrou em School Spirits, onde vive um fantasma adolescente.
No roteiro, roteiristas costumam opor personagens autoconfiantes a figuras vulneráveis. Manheim transita entre esses extremos com naturalidade, o que abriria espaço para arcos emocionais complexos ao longo da temporada.
Christopher Briney
Depois de The Summer I Turned Pretty, Christopher Briney despontou como galã dramático e provou talento cômico em Hacks. Aos 28 anos, ele tende a ser escalado como professor iniciante ou assistente musical, posição que Ryan Murphy gosta de usar para tensionar relações entre adultos e alunos.
Briney domina nuances de olhar, recurso importante em closes de solos emotivos. Sua dicção pausada contrasta com o ritmo frenético estudantil, gerando conflitos interessantes de direção e edição.
Para os roteiristas, o ator oferece maturidade suficiente para carregar tramas paralelas envolvendo ex-alunos e a nova geração, reforçando pontes narrativas entre passado e presente.
Owen Thiele
Responsável por momentos hilários em Adults, Owen Thiele é especialista em humor geracional. Sua habilidade de improviso facilita a gravação de cenas corais típicas de Glee, onde diálogos atravessam a sala de ensaio em ritmo de piada.
Embora ainda pouco explorado como cantor, Thiele exibe entonação poderosa em participações online, indicando fôlego vocal para mash-ups – recurso favorito de Murphy. A química com elencos grandes já ficou evidente em Overcompensating.
Como o roteiro da série adora “outsiders” que se revelam estrelas, Thiele encaixa-se na fórmula: começa tímido, torna-se peça-chave nos números coletivos e rende arcos cômicos que equilibram o drama principal.
Jack Haven
Depois de Atypical, Jack Haven mergulhou em projetos de terror indie, provando capacidade para atmosferas de realismo fantástico, algo que Glee flerta em episódios especiais. Essa experiência amplia o escopo da narrativa, caso os roteiristas voltem a apostar em episódios temáticos ousados.
Haven domina expressões minimalistas que valorizam close-ups durante baladas intimistas. Para o diretor, isso significa sequências mais contidas, contrapondo-se às coreografias explosivas do coral.
Mesmo não parecendo aluno, o ator pode viver um irmão mais velho ou mentor artístico, ampliando o leque de vozes críticas que ironizam a estrutura escolar – um ponto recorrente nos roteiros de Murphy.
Imagem: Internet
Sophie Thatcher
Revelada em Yellowjackets, Sophie Thatcher mistura intensidade dramática e timing humorístico. Sua transição do suspense para a comédia musical seria estratégica para atrair fãs que acompanham sua carreira multifacetada.
Como a atriz lida bem com situações limite, roteiristas podem entregá-la um arco disruptivo: aluna transferida que desafia métodos do coral, gerando números mais agressivos de rock alternativo.
Visualmente, Thatcher traz expressividade sombria que contrasta com a paleta colorida de McKinley High, recurso estético que a direção de arte pode explorar em figurinos ousados.
D’Pharaoh Woon-A-Tai
Com passagem marcante por Reservation Dogs, D’Pharaoh Woon-A-Tai alia carisma natural e presença física, características valiosas para papéis de atletas que entram escondidos no coral – metáfora frequente em Glee.
Mesmo sem histórico musical público, sua capacidade de prender a câmera sugere que números de rap ou spoken word poderiam ser criados pelos roteiristas, expandindo o repertório sonoro da série.
Murphy aprecia inserir questões identitárias na trama; Woon-A-Tai, indígena canadense, amplia a representatividade do elenco e abre espaço para debates relevantes sem perder o tom leve da narrativa.
Havana Rose Liu
Havana Rose Liu brilhou em Bottoms, prova de que embarca facilmente no humor absurdo que caracteriza o universo de Glee. Seu porte elegante e dicção precisa lembram a “abelha-rainha” Quinn, mas com nuances próprias.
Diretores de fotografia podem explorar sua expressividade em slow motions durante solos dramáticos, enquanto roteiristas se beneficiam da dualidade “popular x vulnerável” que Liu desempenha com naturalidade.
Além disso, a atriz já transitou por thrillers, o que permite episódios temáticos que satirizem gêneros cinematográficos, recurso frequente nas temporadas originais da série.
Rachel Zegler
Estrela de West Side Story, Rachel Zegler reúne poder vocal e presença cênica que fizeram Kristin Chenoweth um ícone convidado no Glee original. Embora sua agenda lotada dificulte contrato fixo, participações especiais renderiam manchetes imediatas.
Sua técnica de teatro musical elevaria o nível dos números, desafiando novatos a acompanhá-la. Para Ryan Murphy, isso cria o antagonismo saudável que impulsiona tramas competitivas dentro do clube de coral.
Nos roteiros, Zegler poderia surgir como ex-aluna vencedora do Tony visitando a escola, repetindo a tradição da série de satirizar o star system da Broadway.
Marcello Hernandez
Ator em ascensão no Saturday Night Live, Marcello Hernandez é especialista em esquetes musicais curtas – formato que dialoga com os “numbers” rápidos de Glee. Seu humor físico quebra tensões dramáticas, recurso valioso no equilíbrio de tom.
Hernandez tem timing bilingue, abrindo espaço para mash-ups em espanhol, vertente pouco explorada nos primeiros anos da série. Isso ajuda a atrair audiência latina, público estratégico para plataformas de streaming.
A presença do comediante também facilita crossovers promocionais, já que SNL e Glee compartilham fãs de cultura pop, reforçando sinergias de marketing pretendidas pelos produtores.
Com um mix de experiência teatral, carisma televisivo e frescor cinematográfico, esses dez nomes têm potencial para revitalizar Glee sem perder a essência que conquistou o público em 2009.

