Suits estreou em 2011 com o frescor de uma dramédia jurídica cheia de diálogos rápidos e química incontestável entre seus protagonistas. Ao longo de nove temporadas, o seriado criado por Aaron Korsh alternou momentos de brilho absoluto e fases em que parecia ter perdido o rumo, mas manteve as portas do tribunal sempre abertas para o público.
Reunimos, abaixo, um ranking que analisa o desempenho artístico de cada ano da produção, levando em conta a qualidade dos roteiros, a direção dos episódios e, principalmente, o trabalho do elenco liderado por Gabriel Macht (Harvey Specter) e Patrick J. Adams (Mike Ross). Prepare-se para revisitar vitórias, reviravoltas e algumas objeções no caminho.
Como cada temporada de Suits se comportou na tela
Para facilitar a navegação, listamos da pior à melhor fase, explicando o que deu certo, onde o tribunal pegou fogo e quando a série conseguiu convencer o júri — ou perder o caso.
9º lugar – Temporada 7 (2017)
A sétima temporada marca a saída oficial de Jessica Pearson, interpretada com presença magnética por Gina Torres. A perda da personagem, peça-chave na dinâmica de poder, deixou um vácuo que roteiristas e diretores não conseguiram preencher por completo. Sem ela, boa parte dos conflitos jurídicos ganhou tom doméstico demais, desviando dos casos de alto risco que tornaram a série famosa.
No elenco que permaneceu, Macht segurou a barra ao explorar um Harvey mais vulnerável, mas a tentativa de romance entre ele e Donna (Sarah Rafferty) soou forçada, fruto de uma construção apressada. O episódio “Donna” é um respiro, graças à direção focada de Anton Cropper, que extrai tensão real numa cena de depoimento sob juramento.
Mesmo com algumas atuações sólidas, o roteiro perdeu o foco nos tribunais, entregando a temporada menos inspirada da franquia.
8º lugar – Temporada 8 (2018)
Com as despedidas de Mike e Rachel (Meghan Markle) ao fim do sétimo ano, a oitava temporada precisou literalmente reconstruir a firma — e o elenco. A chegada de Katherine Heigl como Samantha Wheeler trouxe energia, mas a personagem demorou a encontrar o tom e parecia destoar da química já estabelecida.
Os roteiros, assinados por Korsh e equipe, investiram em guerras internas pelo controle do escritório, deixando de lado o que havia de melhor: as batalhas no tribunal. Ainda assim, a experiência de direção de Michael Smith em episódios como “Coral” garantiu ritmo, e as trocas verbais afiadas entre Louis Litt (Rick Hoffman) e Harvey renderam bons momentos.
No saldo final, a temporada soa como transição, sem o frescor das primeiras histórias nem o peso emocional que viria depois.
7º lugar – Temporada 9 (2019)
Com apenas dez capítulos, o último ano correu para amarrar pontas soltas. A volta de Mike em participações especiais ofereceu nostalgia e reacendeu a velha dupla com Harvey, mas a curta duração impediu que algumas tramas ganhassem respiro — caso da crise ética que ameaça fechar a firma.
A direção de Christopher Misiano no episódio final, “One Last Con”, faz um tributo elegante ao passado da série, culminando no casamento de Louis e no pedido de Harvey a Donna. O elenco veterano exibe confiança: Macht, Rafferty e Hoffman mostram a familiaridade que conquistaram ao longo dos anos.
Mesmo apressada, a temporada encerra Suits com dignidade, lembrando o público do charme inicial, embora sem o mesmo impacto dramático de seus melhores tempos.
6º lugar – Temporada 4 (2014)
Quarto ano é competente, mas pouco memorável. As histórias giram em torno das ambições acadêmicas de Rachel e das dúvidas profissionais de Donna, temas que não geram grande urgência. Contudo, dois episódios — “Intent” e “This Is Rome” — mostram o que a temporada poderia ter sido o tempo todo: um thriller jurídico afiado.
No penúltimo capítulo, a interpretação de Rafferty ganha holofote ao enfrentar acusação interna que ameaça seu futuro. Em seguida, Hoffman brilha quando Louis abandona o barco e vira adversário. A direção mantém o suspense, mas a sensação geral é de um roteiro que alterna valentia e repetição.
Não é um fiasco, mas fica aquém das melhores disputas judiciais que o público se acostumou a ver.
5º lugar – Temporada 2 (2012)
Se o primeiro ano apresentou o jogo, o segundo acrescentou tensão. A volta do sócio Daniel Hardman (David Costabile) vira o tabuleiro contra Harvey e Jessica, rendendo passagens de alta voltagem nos bastidores da firma. Macht explora toda a arrogância calculada de Harvey, enquanto Costabile injeta veneno suficiente para elevar o conflito.
Os roteiros constroem dilemas morais para Mike, que encara as consequências de sua fraude acadêmica. Patrick J. Adams entrega nuance ao exibir culpa e genialidade quase em igual medida. Ao final, o público passa a conhecer melhor cada peça desse xadrez corporativo.
Imagem: Internet
A temporada não mantém o mesmo nível de consistência do ano inaugural, porém estabelece bases sólidas para as tramas que viriam.
4º lugar – Temporada 3 (2013)
Harvey e Mike operam como dupla de assalto jurídico, enquanto as tensões amorosas ganham tempo de tela. Algumas relações, como o flerte entre Mike e Rachel, avançam em ritmo irregular, mas a química entre Adams e Markle compensa eventuais escorregões de roteiro.
O diretor John Scott conduz o episódio “No Way Out” com tensão palpável, colocando Mike diante da possibilidade real de ver sua farsa exposta. É a prova de fogo para o protagonista, e Adams convence ao equilibrar medo e determinação.
Embora nem todos os romances soem críveis, o pacote geral entrega entretenimento de primeira linha, mesclando intriga corporativa e causas jurídicas empolgantes.
3º lugar – Temporada 5 (2015)
Considerada por muitos o clímax emocional da série, a quinta temporada combina cerimônia de casamento, prisão iminente e rompimentos dolorosos. O episódio “Faith”, dirigido por Silver Tree, serve como divisor de águas: Mike finalmente paga o preço por sua mentira, encerrando um arco que vinha sendo construído desde o piloto.
Adams vive seus melhores momentos, passeando entre a euforia do noivado e o desespero da captura federal. Ao lado dele, Macht encontra novas camadas em Harvey ao lidar com a culpa de ter criado o “monstro” jurídico sem diploma. A montagem intercala flashbacks de infância que explicam motivações e fortalecem a narrativa.
Roteiristas mantêm o pulso firme, evitando repetição e adicionando riscos emocionais genuínos, o que faz deste ciclo um dos mais completos.
2º lugar – Temporada 6 (2016)
Logo após a prisão de Mike, a série mergulha em crise. Cada episódio funciona como estudo de personagem, mostrando Harvey tentando salvar o pupilo e, ao mesmo tempo, impedir o desmantelamento da firma. A saída de Jessica no meio da temporada adiciona carga dramática que Gina Torres entrega com maestria.
Os roteiros conseguem equilibrar o thriller carcerário — com Mike tentando se manter inteiro atrás das grades — e a batalha corporativa fora dos muros. A direção alterna claustrofobia e sofisticação, refletindo os dois universos. Quando Mike retorna como consultor, o público tem sensação de círculo completo, quase como um “renascimento” da série.
É um passeio de montanha-russa que mantém o espectador investido do primeiro ao último minuto, sem perder coesão.
1º lugar – Temporada 1 (2011)
Nenhuma temporada conseguiu reproduzir o impacto do ano inaugural. O piloto, dirigido por Kevin Bray, apresenta tudo que faria Suits estourar: diálogos vertiginosos, carisma instantâneo entre Macht e Adams e um conflito ético com apelo universal. A audiência respondeu: média de 3,47 milhões de espectadores por episódio, recorde que a série nunca superou.
Cada capítulo equilibra caso da semana e construção de personagem, permitindo que o público entenda rapidamente as regras do jogo. A escrita de Aaron Korsh aposta na ironia de um gênio sem diploma enganando o sistema jurídico mais rígido do planeta — e vence o argumento.
Do primeiro “You’re the Man” de Harvey ao julgamento tenso de “Dog Fight”, a temporada estabelece padrão de qualidade que norteia todo o resto da série. Por isso, continua sendo o campeão incontestável do ranking.
Dos tropeços narrativos às vitórias de audiência, Suits provou ter fôlego — e jogo de cintura — para marcar presença contínua no imaginário pop. Caso precise de mais dramas judiciais, a primeira parada obrigatória ainda é revisitar esses 12 episódios que iniciaram tudo.

