O tradicional tailleur, conjunto de casaco e saia que dominou décadas passadas, reassumiu o protagonismo nas coleções de 2026. A peça, antes taxada de conservadora, surge turbinada por cortes ousados, tecidos inesperados e muito frescor.
- Por que o tailleur voltou aos holofotes
- Chanel: Tweed clássico sob nova luz
- Schiaparelli: Surrealismo e botões esculturais
- Dior: A Bar Jacket encontra a mini-saia
- Jean Paul Gaultier: Power dressing afiado
- Mugler: Oversized utilitário com cor de joia
- Tom Ford por Haider Ackermann: Praticidade fashion
- The Row: Sobreposições e falso peplum
- Gucci por Demna: Silhueta bodycon sombria
- Balmain: Couro, dourado e fenda estratégica
- Joseph: Cinto western sofisticado
- Alexander McQueen: Ecos vitorianos e indie sleaze
- Sandy Liang: Moletom e conforto elevado
- Como as celebridades vestem o novo tailleur
Marcas de peso investem na releitura do look, mostrando que há espaço tanto para minimalistas quanto para maximalistas. A seguir, destrinchamos as propostas de cada grife e o que torna cada versão imperdível nesta temporada.
Por que o tailleur voltou aos holofotes
A alfaiataria vive momento de euforia nas passarelas, mas o retorno do tailleur não significa abandono do terninho. Pelo contrário: agora o leque inclui conjuntos com calça, bermuda e, de novo, a saia. Designers enxergam no modelo uma tela em branco para expressar personalidade, funcionalidade e, claro, elegância.
Da tradição de Coco Chanel ao espírito irreverente de Demna, o duo casaco + saia encontra novas narrativas. Conheça, abaixo, as leituras mais marcantes.
Chanel: Tweed clássico sob nova luz
No Cruise 2026, a Chanel reforça o status icônico do tailleur. O tweed permanece, mas ganha desconstruções sutis: barras deslocadas e o logo dos Cs cruzados em destaque, atualizando o símbolo de elegância lançado por Coco nos anos 50.
Já no Inverno 26, Matthieu Blazy brinca com sobreposições. A camisa mais longa que o casaco aparece para fora da saia, criando linhas verticais que alongam a silhueta e modernizam o rigor habitual da maison.
Na alta-costura, a grife alonga a saia e ilumina o tweed preto com botões e broches de jade, prova de que detalhes luxuosos continuam fundamentais no DNA da marca.
Schiaparelli: Surrealismo e botões esculturais
Elsa Schiaparelli sempre foi adepta do conjunto, inserindo elementos inusitados em suas criações. Daniel Roseberry honra a fundadora ao apostar, nesta estação, em botões trabalhados e saia escultural que transformam o set em verdadeira obra de arte.
A silhueta dramática dialoga com a tradição surrealista da maison. Linhas arredondadas e volumes bem posicionados mostram que é possível manter o código clássico sem abrir mão de um toque teatral.
O resultado prova que o tailleur pode ser statement, indo muito além do escritório e migrando para eventos de gala com facilidade.
Dior: A Bar Jacket encontra a mini-saia
Christian Dior revolucionou o pós-guerra com o New Look e seus casacos estruturados. Para 2026, Jonathan Anderson revisita a icônica Bar Jacket, mas emparelha a parte de cima com uma mini-saia.
O corte preciso mantém a cintura marcada, enquanto o comprimento reduzido adiciona juventude. O contraste reforça a força do legado de Monsieur Dior adaptado ao guarda-roupa moderno.
Com isso, o tailleur Dior passa a dialogar tanto com fãs clássicas quanto com quem busca peças mais ousadas, mostrando a versatilidade do formato.
Jean Paul Gaultier: Power dressing afiado
Os anos 80 ecoam forte na proposta de Jean Paul Gaultier. Ombros marcados, gravata obrigatória e silhueta afiada compõem um visual de power dressing que celebra a entrada da mulher no ambiente corporativo.
A alfaiataria masculina serve de base, mas ganha entalhe preciso para realçar curvas femininas. A gravata, acessório chave, reforça o contraste de gênero – marca registrada do estilista.
O resultado é um tailleur que exala autoridade sem perder sensualidade, mostrando porque o nome Gaultier continua sinônimo de irreverência.
Mugler: Oversized utilitário com cor de joia
A label Mugler traz leitura contemporânea e utilitária. Casaco oversized em tom esmeralda destaca bolsos generosos, exaltando funcionalidade sem sacrificar estilo.
O shape amplo contrasta com a saia levemente ajustada, gerando equilíbrio entre conforto e feminilidade. As cores de pedra preciosa fogem do preto e do cinza tradicionais, adicionando impacto visual.
Essa combinação torna o conjunto opção certeira para quem busca statement poderoso, mas ainda prático no dia a dia.
Tom Ford por Haider Ackermann: Praticidade fashion
Em sua colaboração com a Tom Ford, Haider Ackermann aposta em bolsos estratégicos – mais estéticos que utilitários – para quebrar a rigidez do tailleur.
Os recortes criam jogo de luz e sombra no tecido escuro, enquanto a estrutura clean mantém sofisticação. É alfaiataria de alta octanagem, pensada para mulheres que transitam entre reuniões e coquetéis.
Minimalismo e ousadia coexistem, fazendo do look uma atualização equilibrada do uniforme corporativo.
The Row: Sobreposições e falso peplum
A grife das irmãs Olsen leva o minimalismo ao extremo, mas evita monotonia graças a sobreposições inteligentes. O casaco alongado vem aberto, revelando camisa extra e cinto que forma quase um peplum.
Essa cinta marca sutilmente a cintura, criando estrutura que se alinha à estética calma e luxuosa da marca. O resultado é look discreto, porém cheio de informação de moda.
O tailleur The Row prova que detalhes de styling, como um simples cinto, podem transformar completamente a proposta.
Gucci por Demna: Silhueta bodycon sombria
Demna apresenta versão bodycon de clima sombrio para a Gucci. O casaco abraça o torso, a saia segue a mesma linha justa e o total black reforça atmosfera dark.
Imagem: Reprodução/GoRunway
A escolha de tecidos de leve brilho adiciona profundidade sem comprometer a estética minimalista. É a interpretação da maison para a mulher que mistura sensualidade e mistério.
O visual compacto comprova que o tailleur também pode valorizar curvas e fugir do formato boxy clássico.
Balmain: Couro, dourado e fenda estratégica
Na Balmain, couro trabalhado recebe toques dourados e fenda frontal, resultando em combinação de luxo e rebeldia. Antoine Tron aposta na mistura de materiais para atualizar o tradicional duo.
A jaqueta estruturada mantém ombros marcados, enquanto a saia com abertura frontal garante mobilidade e sensualidade extra.
O metalizado nos detalhes reforça identidade glam rock da marca, posicionando o tailleur como peça-chave em festas noturnas.
Joseph: Cinto western sofisticado
A Joseph injeta espírito western com cinto de fivela marcante. O acessório assume papel de protagonista, rompendo a sobriedade da alfaiataria neutra.
Ao manter linhas limpas no restante do look, a marca garante que o foco permaneça na cintura, criando ponto de interesse imediato.
A adoção de um único elemento de styling mostra caminho simples para modernizar o tailleur sem recorrer a mudanças drásticas de corte.
Alexander McQueen: Ecos vitorianos e indie sleaze
No desfile da McQueen, referências vitorianas se unem a estética indie sleaze. Golas altas, mangas bufantes e cintura marcada convivem com botas robustas, criando contraste intrigante.
A paleta escura domina, mas recortes estratégicos adicionam sensualidade, alinhando‐se ao legado dramático da marca.
É a prova de que o tailleur pode dialogar com universos históricos sem perder atualidade.
Sandy Liang: Moletom e conforto elevado
Sair do tweed para o moletom foi a aposta ousada de Sandy Liang. O tecido casual encontra modelagem elegante, mesclando loungewear com alfaiataria.
O resultado agrada quem busca conforto absoluto sem abrir mão de estrutura. Detalhes de acabamento, como recortes no casaco, mantêm o DNA fashionista da designer.
A proposta aponta caminho para versões ainda mais democráticas do tailleur, adequadas a rotinas híbridas de trabalho e lazer.
Como as celebridades vestem o novo tailleur
Não são apenas as passarelas que chancelam o retorno do conjunto. Celebridades também adotam o look e mostram versatilidade fora dos desfiles.
De Billie Eilish com vibe bibliotecária a Hailey Bieber em modelo Calvin Klein de botões abertos, cada aparição confirma que o tailleur atravessa estilos e gerações.
Billie Eilish: Bibliotecária cool
A cantora trocou o street oversized por conjunto em cores sóbrias, arrematado por luvas coloridas que quebram a seriedade. O resultado reforça a mensagem: o tailleur pode integrar guarda-roupas de perfis variados sem sacrificar identidade.
Esse contraste de formalidade e irreverência faz eco aos truques de styling vistos nas passarelas, provando que a peça funciona como canvas criativo.
Para quem busca inspiração jovem, o look de Billie mostra que a chave é temperar o rigor com acessórios divertidos.
Hailey Bieber: Wall Street repaginado
A modelo exibiu tailleur sob medida da Calvin Klein, deixando alguns botões abertos para formar decote geométrico. O gesto simples injeta sensualidade e fuga do visual excessivamente sério.
O corte preciso ressalta ombros, enquanto a saia lápis garante equilíbrio. Essa combinação reforça que pequenas intervenções bastam para atualizar o clássico.
O exemplo de Hailey serve como guia rápido para transformar look corporativo em proposta noturna.
Com tantas versões no mercado, fica claro que o tailleur 2026 é camaleônico. Seja em couro luxuoso, tweed atemporal ou moletom confortável, o conjunto confirma seu retorno triunfal e abre possibilidades infinitas de estilo.















