A 61ª edição da São Paulo Fashion Week terminou deixando claras as apostas que devem pautar o visual dos próximos meses. No line-up, o Mercado Livre apresentou um desfile inteiro com curadoria de Daniel Ueda, colocando em evidência combinações criativas e peças fáceis de replicar fora da passarela.
Do uso ousado de cores primárias à volta das camadas translúcidas, listamos abaixo as cinco macrotendências que brilharam no evento. Veja como cada proposta apareceu na coleção e entenda por que elas prometem migrar rapidamente para as ruas.
O que dominou a passarela do Mercado Livre na SPFW N61
Com styling pensado para valorizar a ideia de guarda-roupa plural, o desfile mostrou que roupa de passarela pode – e deve – conversar com o dia a dia. As criações selecionadas por Ueda exploraram volumes, texturas e um jogo de cores vibrante, mantendo um fio narrativo claro em toda a apresentação.
A seguir, destrinchamos cada tendência, destacando as combinações vistas no evento e indicando por que esses elementos devem aparecer com força já na próxima temporada.
Sobreposições: volume, movimento e versatilidade
Camada sobre camada, as sobreposições foram o ponto de partida para vários looks. Calças apareciam sob saias fluidas, enquanto casacos amarrados na cintura criavam novos comprimentos e tira-teimas de texturas.
O resultado foi um visual de profundidade evidente, em que cada peça ganhava papel de coadjuvante e protagonista ao mesmo tempo. A alternância entre tecidos estruturados e materiais leves garantiu movimento constante na passarela.
Além de reforçar a pegada utilitária, a técnica aponta para um guarda-roupa mais funcional: ao combinar peças de estações distintas, o consumidor amplia as possibilidades de uso sem precisar investir em itens sazonais.
Mix de estampas: a nova regra é não ter regra
Quem acredita que padronagem forte precisa de companhia neutra viu suas certezas serem questionadas. O desfile colocou lado a lado listras, florais e grafismos, sempre unidos por um elemento em comum – fosse uma cor, fosse a textura do tecido.
A direção de arte garantiu coesão, provando que o mix de estampas pode ser tão elegante quanto um look monocromático. Bastou repetir um tom ou equilibrar proporções para que a composição funcionasse sem esforço visual.
Na prática, a tendência encoraja o público a resgatar peças esquecidas no armário e experimentá-las de novas maneiras, impulsionando a criatividade e prolongando o ciclo de vida de cada roupa.
Cores primárias: energia imediata em blocos intensos
Azul, vermelho e amarelo dominaram a cartela cromática, surgindo tanto isolados quanto em color blocking. As cores primárias trouxeram frescor à passarela e reforçaram a ideia de mensagens visuais claras.
Imagem: Jorge Alexandre
Quando aplicadas a peças de corte simples, como blazers retos ou calças amplas, as tonalidades ganharam ainda mais destaque, comprovando que o minimalismo de forma pode caminhar junto à ousadia de cor.
Para o consumidor, o recado é direto: investir em um único item marcante já basta para transformar produções neutras; basta arrematar o look com acessórios discretos para equilibrar o impacto visual.
Transparência: delicadeza aliada à ousadia
Tecidos leves e translúcidos apareceram em saias, blusas e até terceiras peças, muitas vezes sobrepostos a bases mais encorpadas. A transparência dialogou com o tema das camadas, permitindo múltiplas leituras de um mesmo look.
Ao revelar parcialmente o que está por baixo, as peças criaram um jogo de esconde-mostra que equilibra sensualidade e sofisticação. A paleta de cores neutras utilizada em parte das composições ajudou a suavizar o efeito.
Na adaptação para o dia a dia, a dica é coordenar tecidos translúcidos com modelos de alfaiataria ou underwear em tons próximos da pele, garantindo elegância sem abrir mão do conforto.
Do desfile ao clique: moda phygital em tempo real
Além de ocupar a passarela física, o Mercado Livre levou o show para o ambiente digital por meio de um estúdio de live commerce. Convidados especiais comentaram cada entrada, aproximando o público do backstage.
Quem assistia pôde recorrer ao recurso Search by Image, que permite capturar uma foto do look exibido e encontrar opções semelhantes diretamente na plataforma. A ferramenta reforça a ponte entre desejo instantâneo e compra facilitada.
Com isso, o desfile extrapolou o conceito tradicional de apresentação, transformando-se em experiência interativa e abreviando o tempo entre referência e aquisição.
Encerrada a SPFW N61, fica evidente que as diretrizes vistas no show devem ecoar fora do pavilhão. Para quem já planeja atualizar o armário, as pistas estão dadas: misture camadas, ouse nas estampas, aposte em cores diretas e não subestime o poder de um tecido translúcido bem coordenado.

