O sucesso estrondoso de Reacher reacendeu a corrida dos streamings por séries cheias de tiro, porrada e estratégia – o popular “Dad Show”. Embora a criação da Amazon lidere o ranking, outros títulos entregam adrenalina, personagens carismáticos e tramas envolventes que falam diretamente ao público em busca de ação direta ao ponto.
Nesta lista, reunimos dez produções quase perfeitas que desafiam o posto de Jack Reacher. A análise foca na performance do elenco, na condução dos diretores e na qualidade dos roteiros que mantêm a bola de fogo acesa do primeiro ao último episódio.
As séries que batem de frente com Reacher
De conflitos militares globais a disputas criminais urbanas, cada produção abaixo sustenta a mística do herói (ou anti-herói) maduro que resolve problemas com cérebro e brutalidade em doses iguais. Prepare o controle remoto – e, possivelmente, seu pai – para uma maratona de respeito.
Strike Back (2010 – 2020)
Em Strike Back, a química entre Sullivan Stapleton e Philip Winchester é a faísca que faz a série explodir em tela. Os atores vivem militares de elite que alternam humor desbocado e precisão letal, transformando cada missão em espetáculo visual.
A direção investe em planos longos e coreografias sem cortes, criando sequências de combate que rivalizam com cinema de alto orçamento. Mesmo após duas reinvenções de elenco, o show manteve ritmo e tensão dignos de maratona.
O roteiro, ainda que simples, dosa espionagem global e camaradagem militar, garantindo oito temporadas sem temporada “filler”. Para quem espera a nova leva de Reacher, há munição de sobra aqui.
24 (2001 – 2010)
Kiefer Sutherland incorpora Jack Bauer com intensidade crua, transformando cada “hora” em corrida contra o relógio. O ator entrega vulnerabilidade e brutalidade em medidas iguais, sustentando oito temporadas praticamente sozinho.
Os criadores Joel Surnow e Robert Cochran mantiveram a estrutura em tempo real, elevando a tensão a cada corte de comercial. A câmera tremida, marca registrada da série, aproxima o público do caos de Los Angeles sitiada por ameaças terroristas.
Com cliffhangers implacáveis, 24 virou sinônimo de vício televisivo. É o protótipo do Dad Show moderno: ética flexível, ação incessante e um protagonista que salva o mundo enquanto grita “Droga!”.
Justified (2010 – 2015)
Timothy Olyphant veste o chapéu de Raylan Givens, um marechal federal que confunde velho oeste com Kentucky contemporâneo. Sua atuação mistura charme laid-back e explosões de violência que mantêm o espectador na ponta do sofá.
A direção aposta em duelos rápidos e diálogos afiados, fiéis à prosa de Elmore Leonard. Walton Goggins, como Boyd Crowder, oferece contraponto magnético, fazendo de cada encontro entre os dois um duelo verbal imperdível.
O roteiro equilibra casos da semana com arco central, e ainda comenta raízes, família e lealdade. Menos balas que Reacher, mas cada disparo conta.
Lioness (2023 – atual)
Zoe Saldaña lidera Lioness com presença feroz. Como a agente da CIA Joe, a atriz injeta humanidade em uma personagem pressionada a equilibrar operações clandestinas e vida familiar.
Comandada por Taylor Sheridan, a série prioriza realismo tático: tiros curtos, sangue e improviso. A câmera próxima confere urgência, colocando o espectador no epicentro do fogo cruzado.
O texto cria tensão doméstica e profissional sem perder o foco na ação, mostrando que Sheridan sabe ramificar seu universo além de Yellowstone. Saldaña brilha como poucas protagonistas de ação na TV atual.
The Night Agent (2023 – atual)
Gabriel Basso interpreta Peter Sutherland com equilíbrio entre ingenuidade e destreza física. Seu agente do FBI, sempre no fio da navalha, conquista empatia imediata do público.
O criador Shawn Ryan combina conspiração política e explosões pontuais, resultando em thriller mais contido que 24, porém igualmente cativante. A fotografia noturna intensifica o clima de paranoia.
A escrita investe em viradas constantes, mas deixa espaço para relações pessoais. O resultado é mistura certeira de adrenalina e coração, fórmula que cola a audiência na tela da Netflix.
Imagem: Internet
The Terminal List (2022 – atual)
Chris Pratt foge da veia cômica e encara um ex-SEAL que coleciona traumas e munição. A transformação física do ator surpreende, sustentando cenas de combate brutais e emotivas.
A direção de Antoine Fuqua no piloto dita o tom: câmera nervosa, sangue espesso e realismo bélico. Cada episódio amplia a conspiração, sem aliviar na violência gráfica.
Baseado nos livros de Jack Carr, o roteiro acelera vingança pessoal e debates sobre ética militar. A lista de alvos de Reece garantiu à Amazon mais um hit de ação.
The Old Man (2022 – 2024)
Jeff Bridges entrega atuação visceral como Dan Chase, um agente aposentado perseguido por fantasmas do passado. O peso da idade faz de cada confronto físico um sofrimento tangível.
Os criadores Jonathan E. Steinberg e Robert Levine optam por ritmo contemplativo, alternando flashbacks elegantes com tiroteios crus. A fotografia sombria reforça a sensação de caçada inevitável.
Com apenas duas temporadas, a série virou joia rara: mais cerebral que explosiva, mas ainda fiel ao espírito Dad Show graças à performance hipnotizante de Bridges.
Gangs of London (2020 – atual)
Idealizada por Gareth Evans (The Raid), Gangs of London eleva as coreografias de luta a patamar cinematográfico. Sope Dirisu, como o enigmático Elliot Finch, entrega amplitude física impressionante.
As câmeras acompanham long takes sangrentos, gruas vertiginosas e violência estilizada que surpreende em produção televisiva. O contraste entre política do crime e pancadaria selvagem cria identidade única.
Embora a segunda temporada oscile em roteiro, a direção segura o público pelo choque visual constante. É a série que prova que Londres pode ser tão brutal quanto qualquer zona de guerra.
Bosch (2015 – 2022)
Titus Welliver encarna o detetive Harry Bosch com minimalismo e intensidade contida. Seu olhar cansado resume uma carreira inteira de confrontos com a corrupção de Los Angeles.
Com direção discreta e fotografia realista, a série aposta no procedural clássico: cada pista importa, cada interrogatório revela camadas. A fidelidade aos romances de Michael Connelly reforça a profundidade do universo.
O roteiro valoriza o silêncio tanto quanto a ação, fazendo de Bosch uma maratona densa. As derivações, como Bosch: Legacy, mantêm viva a chama do personagem.
Tom Clancy’s Jack Ryan (2018 – 2023)
John Krasinski assume Jack Ryan com ar de professor que sabe atirar. Sua interpretação alia inteligência analítica e fisicalidade convincente, respeitando a essência literária do herói.
A série, capitaneada por Carlton Cuse, injeta ação explosiva sem abandonar intrigas geopolíticas. A alternância entre escritórios da CIA e linhas de frente globais mantém frescor narrativo.
Em quatro temporadas, Jack Ryan evoluiu de analista a líder de campo, reforçando a ideia de que cérebro e músculo podem dividir a mesma mochila tática. Missão cumprida para quem busca substituto à altura de Reacher.
Com esses dez títulos, o trono de Reacher está longe de ser incontestável. Cada série traz sua própria artilharia de roteiros afiados, direções criativas e elencos que seguram o rojão com categoria.











