Esqueça a ideia de que um colar serve apenas para enfeitar ou que uma bolsa só carrega pertences. Nas recentes semanas de moda, as grifes apostaram em itens que unem estética e praticidade, mostrando que o look pode, sim, facilitar a vida de quem o veste.
- Do conceito à passarela: quando beleza encontra utilidade
- Givenchy: o cinto-compacto de Sarah Burton
- Coach: dupla utilitária em um único look
- Johanna Ortiz: perfume de época em forma de colar
- Prada: tops que carregam bolsas mínimas
- Michael Kors: porta-moedas pendurados no pescoço
- Skall Studio: a volta da chatelaine escandinava
- Loro Piana: colar-caderneta rouba a cena
- Por que os acessórios funcionais chegaram para ficar?
De Nova York a Paris, designers revisitaram peças históricas — como chatelaines e vinaigrettes — e as adaptaram ao guarda-roupa contemporâneo. O resultado é uma safra de acessórios funcionais, prontos para resolver pequenos dilemas do dia a dia sem abrir mão do charme.
Do conceito à passarela: quando beleza encontra utilidade
Ao olharem para o passado, as marcas encontraram soluções criativas que dialogam com a rotina moderna. Cintos que acomodam maquiagem, colares-relógio dignos de filmes de época e porta-moedas pendurados no pescoço invadiram as coleções primavera/verão 2027 e deram novo fôlego ao styling.
A seguir, confira como sete maisons traduziram essa tendência e por que cada proposta conquistou atenção imediata nos desfiles internacionais.
Givenchy: o cinto-compacto de Sarah Burton
A estilista Sarah Burton, recém-chegada ao comando criativo da Givenchy, abriu seu desfile com um acessório inusitado: um cinto que é, ao mesmo tempo, estojo de maquiagem. A peça traz compartimento interno para pó compacto e espelho embutido, solucionando retoques rápidos sem a necessidade de carregar bolsas volumosas.
O design segue as linhas sofisticadas da maison, em couro estruturado e fivela discreta. Ao sublinhar a cintura, o item dialoga com a silhueta marcada da coleção, reforçando identidade visual e funcionalidade em uma tacada só.
Nesse contexto, o cinto-compacto não apenas complementa o styling; ele legitima a conversa da marca com a mulher contemporânea, que busca praticidade sem abrir mão do acabamento de alta-costura.
Coach: dupla utilitária em um único look
No desfile da Coach, duas ideias chamaram a atenção. Primeiro, uma blusa com bolsinha acoplada, pensada para guardar cartões ou fones de ouvido. Depois, um colar alongado que revela um relógio minimalista, quase imperceptível à primeira vista.
A proposta mistura o espírito democrático da label norte-americana com um toque de nostalgia, lembrando os antigos relógios de bolso. Ao integrar as funções diretamente às peças de roupa e joias, a Coach dilui a fronteira entre vestuário e acessório.
Essa fusão conversa com a clientela jovem da marca, ávida por soluções que escapem do óbvio e, ao mesmo tempo, mantenham o DNA cool consagrado pela direção criativa.
Johanna Ortiz: perfume de época em forma de colar
Diretamente da Colômbia, Johanna Ortiz levou para a passarela colares inspirados nos vinaigrettes — pequenos recipientes usados nos séculos XVIII e XIX para carregar essências perfumadas. Aqui, a joia ganha roupagem tropical, com cores vibrantes e superfícies texturizadas.
Os pingentes-frasco podem guardar desde óleos aromáticos até hidratantes labiais, unindo tradição histórica e necessidade atual de bem-estar on-the-go. A escolha reflete o olhar apurado da designer para detalhes artesanais, marca registrada de seu trabalho.
Combinados a vestidos fluídos e estampas botânicas, os colares-perfumeiros reforçam a narrativa latino-americana da coleção e colocam a funcionalidade como ponto-chave na conversa.
Prada: tops que carregam bolsas mínimas
Na Prada, Miuccia Prada e Raf Simons propuseram tops acompanhados de microbolsas estrategicamente posicionadas. Embora pequenos, os compartimentos cabem chaves ou cartões, funcionando como alternativa descomplicada ao clássico mini bag.
A estética pragmática conversa com o espírito utilitarista que há temporadas permeia o trabalho da dupla. A costura impecável se alia a tecidos tecnológicos, garantindo conforto e resistência sem comprometer a elegância.
Imagem: Izabela Suzuki
O resultado? Silhuetas enxutas que deixam as mãos livres e reforçam a coerência da marca em misturar moda conceitual a soluções cotidianas.
Michael Kors: porta-moedas pendurados no pescoço
A coleção de Michael Kors trouxe um revival dos porta-moedas, agora exibidos como colares statement. Disponíveis em duas cores contrastantes, eles foram sobrepostos na mesma produção, criando efeito gráfico interessante.
O estilista nova-iorquino, conhecido por seu luxo descomplicado, aposta em couro de alta qualidade e fecho metálico robusto para garantir durabilidade. A peça não pesa no visual, mas entrega praticidade para quem prefere levar apenas o essencial.
Assim, Michael Kors reafirma sua habilidade em transformar clássicos do dia a dia em objetos de desejo, alinhando-se à tendência que prioriza multifuncionalidade.
Skall Studio: a volta da chatelaine escandinava
Em Copenhagen, a Skall Studio ressuscitou a chatelaine — corrente que, no século XIX, carregava pequenos utensílios domésticos. No desfile, o acessório ganhou design minimalista, fiel à estética nórdica, e serviu para prender chaves ou até brincos que cansam ao longo do dia.
O conceito se encaixa no pilar de sustentabilidade da marca, pois incentiva o reuso e evita o descarte de objetos perdidos no fundo da bolsa. Materiais reciclados e metal fosco compõem a peça, reforçando o compromisso ecológico.
Com essa releitura, a Skall Studio prova que função e simplicidade podem andar juntas, mantendo o visual limpo e, ao mesmo tempo, inteligente.
Loro Piana: colar-caderneta rouba a cena
Fechando o giro, a Loro Piana apresentou um colar que abriga uma minúscula caderneta. O acessório, de linhas delicadas, é confeccionado em couro finíssimo e papel de alta gramatura, ideal para anotações rápidas durante o dia.
A proposta conversa com o lifestyle quiet luxury da grife italiana, cuja direção criativa valoriza materiais nobres e detalhes quase imperceptíveis. Além disso, o colar-caderneta surge como alternativa charmosa às anotações no celular, trazendo um respiro analógico.
Com sillhuetas sóbrias e paleta neutra, o desfile provou que até o ato de escrever pode ganhar estatuto fashion quando aliado a acabamento impecável e design funcional.
Por que os acessórios funcionais chegaram para ficar?
Seja pela praticidade cada vez mais exigida pelos consumidores ou pela vontade de resgatar referências históricas, a união entre forma e função parece ter conquistado espaço definitivo nas passarelas. Marcas distintas encontraram maneiras originais de solucionar pequenos problemas do cotidiano com elegância e criatividade.
De cintos que viram nécessaire a colares que marcam hora ou guardam memórias olfativas, o fato é claro: beleza e utilidade podem — e devem — coexistir no guarda-roupa moderno. Tudo indica que esse movimento ainda tem fôlego para muitas temporadas.

