“Off Campus”, adaptação do best-seller “The Deal”, chegou ao Prime Video colocando os alunos de Briar U em partidas de hóquei, festas lotadas e, claro, muitos encontros desastrosos. Entre beijos escondidos e términos acelerados, a série entregou uma maratona de romances paralelos que testam a química do elenco em tela.
- A química em foco: sete pares de Briar U do pior ao melhor
- Garrett & Kendall: benefícios, mas pouca faísca
- Hannah & Logan: faísca rápida que some
- Allie & Sean: desencontro programado
- Allie & Hunter: centelha no bar e promessa de triângulo
- Garrett & Hannah: romance principal, química irregular
- Hannah & Justin: crush explosivo ao som do piano
- Allie & Dean: o casal que roubou a temporada
Nesta lista, avaliamos como cada dupla se saiu em termos de conexão dramática, levando em conta atuação, decisões de roteiro e direção. O resultado revela quem realmente incendiou a temporada – e quem ficou no gelo.
A química em foco: sete pares de Briar U do pior ao melhor
A seleção considera apenas o material exibido na primeira temporada. A ordem segue da ligação menos explosiva até o casal que roubou a cena, sempre destacando o trabalho do elenco, além das escolhas dos roteiristas e da direção.
Garrett & Kendall: benefícios, mas pouca faísca
Logo nos primeiros episódios, Garrett (interpretação segura de Luke Morrison) e Kendall (Natalie Cruz) surgem em um acordo “friends with benefits” quase mecânico. A direção opta por mostrar o casal já na reta final do caso, o que limita qualquer construção de intimidade em tela. O roteiro reforça que Garrett não tem investimento emocional, e isso transparece na falta de trocas de olhares significativos.
Morrison entrega um Garrett menos arrogante que o do livro, mas também menos impulsivo, o que dilui a tensão sexual que poderia salvar o par. Kendall, por sua vez, é escrita como alguém que sabe pouco sobre o goleador além de seu status de atleta, deixando Cruz sem muito espaço para criar camadas.
Quando o roteiro finalmente oferece a cena de encerramento da relação, a direção acerta ao apostar em um tom mais respeitoso. Ainda assim, o casal nunca convence como algo além de conveniência narrativa – e a química paga o preço.
Hannah & Logan: faísca rápida que some
Hannah (Alyssa Campion) e Logan (Evan Brooks) dividem poucos momentos, mas o bastante para sugerir uma atração que nunca se consolida. No episódio em que Hannah o beija para provar um ponto, Brooks faz bom uso de expressões sutis: o brilho nos olhos denuncia a paixão platônica do atleta.
A direção reserva uma breve cena no episódio 3 em que os dois conversam sobre um encontro anterior. Ali, o texto permite pequenos gestos – mãos que quase se tocam, sorrisos cúmplices – e mostra o potencial desperdiçado. Campion sustenta bem a ironia de Hannah, mas o roteiro rapidamente realinha a trama para garantir Garrett como destino final da protagonista.
No fim, resta ao espectador apenas a lembrança de “e se?”. A química existe, mas é tratada como ponto de passagem, não como conflito real – decisão compreensível para preservar a amizade entre Logan e Garrett, mas que deixa o romance em banho-maria.
Allie & Sean: desencontro programado
Na obra original, Allie e Sean formam um casal estável. A série, porém, escolhe implodi-los cedo para abrir caminho a novos triângulos. Mika Abdalla (Allie) carrega o relacionamento nas costas; seu entusiasmo ao contar que foi procurada por um agente contrasta com o desdém frio de Sean, vivido por Trent Walsh.
A postura blasé de Walsh é proposital: o roteiro quer que o público não torça contra Allie quando ela se aproxima de Dean. Essa escolha, no entanto, compromete a química do duo. Falta escuta, falta timing cômico, falta calor – tudo consequência de uma construção que já nasceu para desabar.
A direção ainda tenta salvar momentos doces nos episódios iniciais, com fotografia mais quente e trilha suave. Mas, assim que Sean critica a ambição da namorada, o elo se rompe. Dramaticamente funciona; quimicamente, deixa a desejar.
Allie & Hunter: centelha no bar e promessa de triângulo
Quando Allie conhece Hunter (ou Carter St. James V, interpretado com charme por Charlie Evans), a câmera já sinaliza perigo: closes rápidos, iluminação insinuante e trilha com batida acelerada. A conexão é imediata, principalmente graças ao carisma descontraído de Evans, que consegue flertar mesmo usando um suéter pré-ppy exagerado.
O roteiro estabelece que Allie procura um “rolo de uma noite”, e a química cumpre o requisito. A primeira troca de olhares é elétrica, e o beijo seguinte confirma a faísca. Abdalla mantém Allie dividida entre atração e foco em Dean, criando tensão que a direção explora com planos mais curtos e respiros dramáticos nos diálogos.
Imagem: Liane Hentscher
A série planta ali o embrião do triângulo amoroso da segunda temporada. A química está presente, mas contida pelo sentimento de Allie por Dean. Esse equilíbrio promete render boas faíscas futuras, já que Hunter aparenta ser o único capaz de balançar o reinado de Maverick na vida da atriz.
Garrett & Hannah: romance principal, química irregular
A dupla central de “Off Campus” recebe enorme tempo de tela, mas nem sempre o fogo corresponde às expectativas dos leitores. Luke Morrison e Alyssa Campion têm momentos brilhantes – caso do primeiro beijo na academia, dirigido com tensão crescente e edição pontuada pelo som abafado das batidas de bola no fundo.
A cena de masturbação compartilhada, conduzida pela diretora de intimidade Sara Klein, traz humor e vulnerabilidade, lembrando ao público por que a parceria funciona. No entanto, a suavização da arrogância de Garrett no roteiro tira parte do conflito que alimentaria o desejo. Resultado: em certos capítulos, a dupla soa mais colegial do que apaixonada.
Quando o texto devolve um pouco do “f**kboy mindset” ao atacante – como na fala em que ele aconselha Hannah a “pensar como um boy lixo” –, a química reaparece. São lampejos que mantêm o casal relevante, mas não o bastante para liderar este ranking.
Hannah & Justin: crush explosivo ao som do piano
Justin (o vocalista vivido com magnetismo por Diego Ramos) surge como o típico astro de banda universitária: levemente convencido, intensamente sedutor. Para Hannah, o simples fato de ele ser músico basta para acender a chama, e Campion traduz esse deslumbramento em gestos nervosos – o toque no cabelo, o olhar que desvia no último segundo.
A direção aposta em planos alternados de “olhares que não se encontram”, criando um balé silencioso que se estende por vários episódios. Quando finalmente dividem o piano, a fotografia escurecida ressalta o clima íntimo. Justin pode ser um “f**kboy” que só se interessa pelo inalcançável, mas em tela a combinação é pura voltagem.
Ramos domina o estereótipo do rockstar sem cair na caricatura, ajudando a compensar a fragilidade de um roteiro que pouco aprofunda o personagem. A química, porém, é tão palpável que transforma cada encontro casual em evento.
Allie & Dean: o casal que roubou a temporada
Se existe um elo capaz de carregar a série rumo à segunda temporada, é o de Allie e Dean. Mika Abdalla e Stephen Kalyn demonstram sinergia desde a primeira troca de provocações sobre sexo casual, ainda nos episódios iniciais. A direção faz bom uso da dinâmica “ela brinca, ele rebate”, criando ritmo ágil nos diálogos.
Quando chega a festa de Halloween – ela de J-Lo, ele de Maverick –, o roteiro finalmente libera o que vinha sendo construído em slow burn. A edição alterna closes nos sorrisos dos dois com planos abertos que exibem a movimentação da festa, sublinhando a sensação de mundo isolado ao redor do casal.
O auge é a montagem de cenas íntimas: engraçada, crível e sensual. O detalhe do vibrador na banheira mostra como a direção abraça o humor sem sacrificar a química. A escolha de manter o romance em segredo adiciona tensão extra que Kalyn traduz em olhares culpados e gestos possessivos – combustível perfeito para o conflito já anunciado com Hunter e para a revanche contra Davenport.
Com espaço para crescer e atores claramente confortáveis em cena, Allie e Dean encerram a temporada como aposta certa de que a próxima leva de episódios virá ainda mais incendiária.
Enquanto a segunda temporada não chega, resta ao público revisar as melhores faíscas – ou, como Dean diria, “acender de novo a chama” – desses casais que transformaram Briar U no campus mais quente do Prime Video.

