A febre dos bichos na moda: acessórios que transformam passarelas em zoológico fashion

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Porquinhos-da-Índia que viram bolsas, pintinhos convertidos em brincos e felinos esculpidos em saltos altos. A cena pode parecer saída de um conto fantástico, mas descreve a nova obsessão das grifes de luxo: acessórios em forma de animais.

Depois de temporadas dominadas pelo minimalismo, a moda abre espaço para o lúdico. Nas coleções Resort e Inverno 2026, peças inspiradas em jardins, oceanos e selvas apareceram como pequenos talismãs que carregam bom humor, escapismo e, claro, muito desejo de compra.

Quando o reino animal invade o closet

De broches hiperrealistas a chapéus com barbatanas, cada marca escalou “atores” próprios — seus acessórios — para interpretar papéis de destaque. A seguir, veja como diferentes diretores criativos transformaram bichos em protagonistas fashion.

Chanel: Matthieu Blazy faz do zoológico um novo clássico

Responsável por injetar frescor na maison, Matthieu Blazy trouxe um elenco variado às passarelas da Chanel. Pintinhos pendurados em brincos dividiram cena com girafas bordadas em bolsas, enquanto poodles e dálmatas apareceram em canutilhos luminosos. O diretor criativo acerta ao equilibrar o DNA clássico da marca com toques de irreverência lúdica.

O roteiro visual, costurado por uma equipe de artesãos, mantém a elegância francesa mesmo quando flerta com o surreal. Detalhes minuciosos, como libélulas que viram fechos de vestido, comprovam que a “performance” dos acessórios vai além do apelo cênico: há domínio técnico e narrativa coesa em cada peça.

Bolsa Chanel com poodles bordados A crítica especializada elogiou a maturidade da coleção, destacando que os bichos, longe de parecerem infantis, operam como doses calculadas de charme. Resultado: clips virais nas redes sociais e listas de espera nas boutiques.

Dior: Jonathan Anderson cultiva um jardim encantado

Na Dior, Jonathan Anderson manteve o romantismo da casa, mas trocou a ironia por delicadeza quase botânica. Caracóis, joaninhas e abelhas — espécies que Christian Dior tanto admirava em seus jardins — ganharam forma em tiaras, cintos e broches de ouro palha.

Anderson dirige a coleção como quem filma um curta-metragem bucólico: cores suaves, tecidos fluidos e closes em pingentes cravejados de pedras. A atuação dos acessórios, portanto, funciona como ponto de virada que sublinha a herança da maison sem parecer repetitivo.

Brinco de joaninha na passarela da Dior Críticos notaram que o designer manipula símbolos naturais como metáforas de proteção e sorte, criando conexão emocional imediata com o público — um fator decisivo para impulsionar vendas na alta-costura.

Schiaparelli: Daniel Roseberry exibe ferocidade escultural

Fãs do surrealismo encontraram terreno fértil no trabalho de Daniel Roseberry para a Schiaparelli. O estilista convocou felinos, víboras e aves para protagonizar sapatos que parecem esculturas de galeria. Saltos reproduzem mandíbulas e bicos em metal dourado, evocando a ousadia de Elsa Schiaparelli nos anos 1930.

Roseberry conduz seus “atores” com dramaticidade operística. Cada peça carrega tensão entre luxo e estranhamento, lembrando que a marca sempre flertou com o extraordinário. Críticos apontam a coleção como uma das leituras mais afiadas da tendência, graças ao diálogo direto com a história da maison.

Sapato Schiaparelli com cabeça de felino A estratégia rendeu manchetes e posts virais, reiterando a força dos acessórios-statement na comunicação contemporânea da marca.

Coach + Brain Dead: dinossauros urbanos ganham as ruas

Se o luxo aposta em ourivesaria, a Coach prefere o apelo pop. A collab com a Brain Dead apresentou bolsas que lembram criaturas de desenho animado, mantendo a pegada urbana da etiqueta nova-iorquina. O “ator principal” foi o dinossauro de couro, já querido pelo público após viralizar no ano passado.

A direção de arte investe em cores saturadas e humor autoparódico. Modelos desfilaram charmosos híbridos entre bonecos e utilitários, reforçando a identidade jovem da casa. Aqui, a performance dos acessórios conversa diretamente com a cultura do streetwear e com a lógica de colecionáveis.

Bolsa dinossauro da Coach Varejistas relatam sell-out imediato, prova de que a narrativa leve — quase cartunesca — continua poderosa junto às novas gerações que consomem moda como extensão de repertório geek.

JW Anderson & Loewe: microtalismãs feitos à mão

Jonathan Anderson, também à frente da própria JW Anderson e da Loewe, abastece o mercado de charms artesanais. Cachorrinhos de tricô, elefantes em miçangas e insetos reluzentes aparecem pendurados em bolsas ou jaquetas, criando movimento e avivando texturas.

A costura manual dá tom intimista à apresentação, destacando a habilidade das equipes de ateliê. O roteiro dessas coleções valoriza o toque humano, contrastando com a produção industrial em massa. Cada peça atua como talismã pessoal, convidando o consumidor a construir narrativas afetivas.

Insetos de miçangas da Loewe A crítica celebrou a coesão entre arte e artesanato, temática que Anderson explora desde o início da carreira e que aqui se cristaliza em minipersonagens portáteis.

Tory Burch: espada marinha vira ícone minimalista

No Inverno 2026, Tory Burch homenageou o peixe-espada em broches prateados. A escolha surpreendeu quem associa a marca a referências boho, mas o resultado conquistou elogios pela sofisticação contida. O acessório brilha como ponto focal em looks de alfaiataria enxuta.

A diretora criativa filma sua narrativa em plano-sequência: poucos elementos, execução impecável e impacto silencioso. O peixe-espada, além de assegurar identidade marítima, simboliza resiliência — mensagem sutil em tempos turbulentos.

Broche peixe-espada Tory Burch Especialistas apontam que a peça pode virar clássico de acervo, fortalecendo o posicionamento premium sem recorrer a logotipos ostensivos.

Saint Laurent: maximalismo oitentista em voo luxuoso

A Saint Laurent mergulhou nos anos 80 para apresentar brincos gigantes em formato de pássaro. Com plumas metálicas e cristais, os acessórios voam alto no jogo de luzes do desfile noturno, em sintonia com a herança glam da marca.

Anthony Vaccarello dirige o espetáculo como um videoclipe de rock: sombras marcadas, silhuetas justas e muita atmosfera. Os pássaros dominam close-ups, garantindo que a plateia — e o feed de redes sociais — registre a extravagância controlada.

Brincos de pássaros Saint Laurent Críticos destacam que o designer manteve o equilíbrio entre nostalgia e modernidade, provando que o maximalismo ainda encontra espaço no guarda-roupa contemporâneo.

Animal mania: tendência passageira ou novo clássico?

Entre o luxo surreal de Schiaparelli e o street pop da Coach, a febre dos acessórios animalescos demonstra fôlego diverso. Para além do impacto visual, cada grife explora simbolismos que vão de amuletos de sorte a críticas veladas ao minimalismo dominante.

Resta saber se o público manterá o apetite por tanta fantasia ou se o pêndulo da moda voltará ao rigor clean. Enquanto isso, vale acompanhar nossa newsletter para descobrir os próximos capítulos dessa fauna fashion que, por ora, segue solta na passarela.

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