Sapato de jazz invade as ruas: por que o modelo virou febre na moda atual

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O universo fashion redescobriu um velho conhecido: o sapato de jazz. Mais leve que um tênis e tão versátil quanto uma sapatilha, o modelo ganhou sobrevida nas passarelas de 2026 e, em poucos meses, saltou para o topo das listas de desejo.

Marcas de peso, criativos influentes e celebridades ajudaram a impulsionar o calçado, que hoje soma aumento de 300% nas buscas, segundo a plataforma Lyst. A seguir, destrinchamos quem colocou o item de volta ao radar, quais casas de moda endossam a tendência e por que ele se encaixa em praticamente qualquer produção.

Do palco para a calçada: o retorno triunfante do sapato de jazz

Derivado dos clássicos Oxford e Derby, o sapato de jazz mantém o cadarço característico, mas troca a sola rígida por uma versão fina, flexível e extremamente confortável. Esse ajuste sutil mudou a percepção do público, que passou a enxergar o item como um híbrido perfeito entre o casual e o sofisticado.

Embora a peça exista há décadas, seu ressurgimento ganhou tração quando Michael Rider, diretor criativo da Celine, apresentou múltiplas variações cromáticas no desfile de Verão 26. A partir daí, outras etiquetas — de Proenza Schouler a COS — passaram a inserir a silhueta em coleções sazonais, alimentando o buzz nas redes e nas prateleiras.

Michael Rider e a Celine: a faísca que reacendeu a moda

No comando da Celine, Michael Rider consolidou uma assinatura que mistura guarda-roupa parisiense clássico com toques de preppy norte-americano. Dentro dessa estratégia, o sapato de jazz surgiu como peça-chave: deleita quem busca conforto sem abrir mão da elegância.

Na passarela de Verão 26, Rider exibiu versões em preto, branco, vermelho, azul e verde-lima. O styling provou a adaptabilidade do modelo, combinando-o a alfaiataria fluida, saias rodadas e até shorts esportivos. O resultado conversou bem com a proposta nonchalant da grife, reforçando que o item atravessa estilos.

O impacto foi imediato: o calçado entrou para o ranking da Lyst como quarto produto mais procurado do trimestre. Para muitos especialistas, a movimentação da Celine serviu de catalisador, levando lojas multimarcas a diversificar o estoque e estimulando o consumidor a experimentar algo fora do óbvio.

Repetto e o legado de Zizi: a origem nunca saiu de cena

Antes de Rider, porém, a Repetto já assinava seu lugar na história. A casa francesa batizou de Zizi o modelo criado nos anos 70 para a dançarina Zizi Jeanmaire. De lá para cá, lendas como Serge Gainsbourg e Mick Jagger adotaram o calçado como marca registrada.

A construção leve e a sola maleável foram pensadas para o palco, mas rapidamente migraram para as ruas. Esse DNA performático continua a diferenciar o sapato de jazz de outros Oxfords mais robustos, mantendo a essência de movimento que encanta até hoje.

Ainda que Repetto nunca tenha deixado de produzir o Zizi, a visibilidade recente impulsionou novas colaborações, como a feita com Jacquemus. A parceria uniu a tradição da marca de calçados ao olhar contemporâneo do estilista, garantindo estoque esgotado em poucas horas.

Interpretações contemporâneas: de Proenza a COS

Além da Celine, grifes como Proenza Schouler, Jil Sander, Loewe e Ami revisitaram o sapato de jazz em suas coleções mais recentes. Cada casa fez ajustes de acordo com a identidade própria: bicos levemente afiados na Jil Sander, cores terrosas na Proenza e acabamento extra-lustroso na Loewe.

No desfile Resort 2026 da Proenza Schouler, o modelo apareceu coordenado a vestidos midi leves, criando um contraste interessante entre feminilidade e traço andrógino. Já na passarela da COS, o foco foi na praticidade: versões monocromáticas desfilaram junto a trench coats e malhas oversized.

Essas releituras confirmam que a maleabilidade do design abre margem para experimentações. Do visual minimalista ao maximalismo de cores, o sapato de jazz é quase um coringa, algo que explica sua rápida adoção pelas ruas e pelos feeds do Instagram.

Celebs e street style: a validação definitiva

Se as passarelas acendem o holofote, as celebridades consolidam a febre. Charlize Theron, por exemplo, escolheu um par branco para compor look preto-e-branco com saia girly e casaco tailoring. O contraste entre romance e rigidez evidenciou a versatilidade do modelo.

Tracee Ellis Ross seguiu caminho oposto: apostou em unidade cromática, coordenando sapato vermelho e conjunto de couro na mesma cor. A cartela vibrante ganhou equilíbrio graças ao design clean do calçado, que não disputa atenção com o restante do outfit.

Nos cliques de street style, o jazz shoe surge com jeans destroyed, cargos amplos e até minissaias florais, provando que ele substitui com facilidade tanto uma sapatilha quanto um loafer. A versão preta lustrosa costuma aparecer em composições mais arrumadas, enquanto o branco virou o queridinho — e também o mais polêmico — do momento.

Quer mais ideias de styling? A sobreposição de malhas, o combo trench coat + camisa listrada ou mesmo o mix de jaqueta esportiva com saia vintage funcionam tão bem que já rendem milhares de salvamentos no Pinterest. Para quem procura expandir o repertório, vale espiar também outras tendências da estação.

Por que você vai ver (ainda mais) o sapato de jazz por aí

A explosão de buscas registrada pela Lyst sinaliza que o hype está longe de terminar. A maleabilidade da sola atende ao desejo atual por conforto, enquanto o visual de toque retrô dialoga com o revival dos anos 70 e 90 que domina vitrines e redes sociais.

Some-se a isso o fator preço: em comparação a loafers de grife, muitos modelos de jazz shoe chegam às lojas por valores menos proibitivos, o que amplia o público e facilita a popularização. Do ponto de vista logístico, a construção mais simples exige menos matéria-prima, agilizando a produção e o reabastecimento.

Em resumo, o sapato de jazz combina praticidade, herança cultural e apelo estético, ingredientes suficientes para sustentá-lo como trend de longo prazo. Resta saber qual será a próxima evolução do design — e qual marca vai dar o primeiro passo nesses novos acordes de estilo.

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