Soldier Boy que se cuide: a quinta temporada de The Boys abriu a porta para uma leva de heróis “de época” que promete balançar o futuro – e o passado – do universo criado por Eric Kripke. Ao mesmo tempo em que a série se aproxima de seu desfecho, o roteiro costura um prequel, Vought Rising, revelando como a corporação moldou supers desde os anos 40.
- A volta dos supers clássicos: quem são e por que importam
- Bombsight – o ás dos céus de Mason Dye
- Golden Geisha – empatia em cena com Naoko Mori
- Hot Flash – Sharon McFarlane e o humor de chama curta
- Big Chief Apache – Derek Boyes encarna o estereótipo
- O “escroto elástico” – humor grotesco sem nome
- Quinn – terror botânico na pele de veterano de guerra
- Private Angel – expectativa em torno de Elizabeth Posey
- Torpedo – Will Hochman mergulha em águas desconhecidas
- Um passado que ecoa no presente
Do piloto aristocrático Bombsight à lendária Golden Geisha, oito personagens ressurgem em tela, cada um interpretado por atores que abraçam a estética pulp pedida pelo texto. Abaixo, analisamos como performances, direção e escrita alinham nostalgia e crítica social sem perder o tom sarcástico que tornou The Boys um fenômeno de audiência.
A volta dos supers clássicos: quem são e por que importam
Kripke e a equipe de roteiristas usam essas figuras para ampliar o escopo da franquia, mostrando que os abusos da Vought não nasceram com Homelander. Ao escalar rostos conhecidos de outras séries e ao investir em figurinos extravagantes, a produção contextualiza o spin-off e adiciona camadas de humor ácido à temporada atual.
A seguir, veja como cada supe retrô ganhou vida – e o que esperar de suas participações futuras.
Bombsight – o ás dos céus de Mason Dye
Interpretado por Mason Dye, visto em Stranger Things, Bombsight surge primeiro como mito, guardando o protótipo V-One, e só depois revela força física quase no nível de Soldier Boy. A direção de fotografia destaca o contraste entre seu uniforme de piloto da Segunda Guerra e o ar ameaçador que Dye imprime em tela.
O roteiro sublinha a rivalidade velada com Soldier Boy, sugerindo um respeito mútuo que deve ser explorado em Vought Rising. A breve cena de voo supersônico, filmada com cortes rápidos e trilha de metais, evoca filmes de guerra clássicos e reforça a pegada nostálgica.
Com o ator já confirmado no spin-off, Bombsight funciona aqui como aperitivo para conflitos maiores. A química entre Dye e Jensen Ackles promete duelos verbais repletos de sarcasmo militar que são a cara da franquia.
Golden Geisha – empatia em cena com Naoko Mori
Naoko Mori entrega vulnerabilidade rara entre os supers. Sua Golden Geisha ergue um campo de força em forma de bolha, habilidade filmada com sutis reflexos dourados que lembram produções setentistas de baixo orçamento, ironizando o glamour que a Vought vendia na época.
A relação de carinho construída com Kimiko dá peso emocional ao episódio. O diretor assina planos fechados no rosto de Mori, capturando o conflito entre lealdade à corporação e desejo de fazer o bem – dilema que ecoa o de Queen Maeve em temporadas anteriores.
Menções a um affair antigo com Marlon Brando amplificam o deboche típico da série, além de preparar terreno para tramas românticas no prequel. Mori prova ser peça-chave para humanizar a fase clássica da Vought.
Hot Flash – Sharon McFarlane e o humor de chama curta
Sharon McFarlane diverte como Hot Flash, uma pirocinética aposentada que troca grandes batalhas por partidas de bingo no asilo da companhia. A performance carrega timing cômico certeiro: o embate com Kimiko, coreografado para parecer um “sparring” amistoso, arranca risos sem perder brutalidade.
O figurino mistura roupão floral e luvas resistentes ao fogo, reforçando o contraste entre velhice e super-poderes. Direção e montagem usam closes em chamas que surgem de forma quase casual, reforçando a sátira sobre como a Vought descarta seus “funcionários” quando eles deixam de ser lucrativos.
Mesmo breve, a aparição confirma a tradição da série em usar personagens secundários para criticar o abandono institucional de veteranos – sejam soldados reais ou supers de propaganda.
Big Chief Apache – Derek Boyes encarna o estereótipo
Derek Boyes vive a fase idosa do Big Chief Apache, enquanto Daniel Falk faz o flashback setentista. A série é mordaz ao recriar o programa fictício Injun Engine #9, exemplo de apropriação cultural que a televisão americana historicamente normalizou.
A atuação de Boyes, ainda empunhando tomahawk e cocar, beira o patético de propósito. O diretor aproveita a cena de queda rápida por MM para expor a fragilidade do personagem – tanto física quanto moral –, denunciando a caricatura racista que a Vought explorava para vender bonecos.
A ausência de poderes claros sublinha a crítica: às vezes, o “super” é apenas marketing vazio. A escolha narrativa escancara a política de imagem da corporação e serve de lição sobre representatividade mal conduzida.
Imagem: Internet
O “escroto elástico” – humor grotesco sem nome
Em nenhum momento o episódio revela seu codinome oficial, mas o supe do escroto elástico cumpre a cota de humor corporal que The Boys adora. A cena em que Butcher o nocauteia, acompanhada da fala “This one’s for you, M”, faz referência cômica aos encontros desconfortáveis de MM com poderes repulsivos.
O ator – não creditado nos minutos finais – abraça o ridículo, usando efeitos práticos que lembram filmes B, reforçando o charme trash da produção. Direção de arte e maquiagem garantem que o público sinta tanto repulsa quanto vontade de rir.
Além da piada visual, a aposta no grotesco realça o contraste entre glória publicitária e decadência escondida atrás dos muros da Vought.
Quinn – terror botânico na pele de veterano de guerra
Quinn, um dos primeiros cobaias do V-One, transforma o episódio “King of Hell” em suspense corporal. A maquiagem prostética cria um labirinto de cipós que engole o ator, cujo nome não foi divulgado, fazendo dele quase um cenário vivo.
O texto reforça a tragédia: Soldier Boy o descreve como herói genuíno antes de virar monstro. A direção usa filtros esverdeados e câmera lenta nas nuvens de esporos para evocar filmes de horror setentistas, lembrando A Bolha Assassina.
A morte de Quinn pesa no arco de Soldier Boy, evidenciando a falha moral do personagem e abrindo espaço para questionamentos sobre a ética científica da Vought – tópico que a série já explorou exaustivamente.
Private Angel – expectativa em torno de Elizabeth Posey
Citada por Sister Sage como uma das sobreviventes originais do V-One, Private Angel ainda não apareceu em carne e osso na temporada, mas Elizabeth Posey foi anunciada para viver a personagem em Vought Rising.
O mistério sobre seus poderes alimenta teorias de fãs e cria gancho narrativo eficaz. A sala de roteiristas planta a semente agora para colher no spin-off, estratégia semelhante à usada com Soldier Boy nas temporadas anteriores.
A decisão de segurar sua estreia mantém o hype e mostra que Kripke domina o ritmo de revelações, garantindo longevidade ao universo sem sobrecarregar a temporada principal.
Torpedo – Will Hochman mergulha em águas desconhecidas
Também mencionado por Sister Sage, Torpedo será vivido por Will Hochman. O apelido sugere habilidades aquáticas ou velocidade submersa, mas nenhuma cena confirma a especulação.
Ao guardar informação, o roteiro gera expectativa e reforça a ideia de que o catálogo de supers da Vought é quase infinito. A curiosidade serve como isca para o público acompanhar o spin-off, consolidando a estratégia transmídia da franquia.
Hochman, conhecido por papéis dramáticos, pode oferecer nuance a um personagem que, em mãos menos hábeis, correria o risco de virar apenas “versão naval” de A-Train.
Um passado que ecoa no presente
Com esses oito supers retrô, The Boys expande sua cronologia enquanto critica, em tom farsesco, a forma como corporações reciclavam estereótipos no século XX. As atuações, somadas a um roteiro ágil, preservam o DNA subversivo da série, preparando o terreno para Vought Rising sem perder o foco na trama principal.
Ao revisitar as raízes da Vought, Kripke mostra que, por trás do brilho vintage, existia a mesma ganância que hoje alimenta Homelander. E, se depender deste elenco, a viagem ao passado promete ser tão explosiva quanto o presente caótico dos Sete.

