8 furos de roteiro em Reacher que nem a força de Alan Ritchson explica

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Reacher, adaptação dos livros de Lee Child para o Prime Video, conquistou o público com pancadaria coreografada, humor seco e a imponência de Alan Ritchson. Ainda assim, a produção não escapa de decisões de roteiro que testam (e muito) a paciência de quem gosta de lógica interna.

A seguir, listamos oito situações que simplesmente não fazem sentido dentro da própria narrativa — e analisamos como direção, roteiro e performances tentam (ou não) salvar cada uma delas.

Quando o roteiro vira adversário do próprio herói

Dos criadores Nick Santora e Lee Child, a série mantém ritmo acelerado e fotografia limpa, perfeita para maratonas. Porém, em determinados momentos, parece que nenhuma sala de roteiristas conseguiu alinhar verossimilhança com espetáculo. Vamos aos casos.

1. O “disfarce” no hospital que só engana quem escreveu a cena

Na reta final da segunda temporada, Reacher invade um hospital usando uniforme de enfermagem e máscara cirúrgica. A direção de Sam Hill tenta vender tensão com planos fechados, mas a atuação de Ritchson — um armário de 1,96 m cheio de músculos — torna impossível acreditar que ninguém note sua presença.

O roteiro até cria coreografia de luta interessante nos corredores, valorizando a fisicalidade do ator. Contudo, a facilidade com que o personagem entra, circula e ainda encontra um traje que lhe serve perfeitamente beira o cômico involuntário. Fica a sensação de que a equipe confiou demais no carisma do protagonista para tapar esse buraco.

Reacher no hospital

2. Caminhoneiro altruísta carrega míssil e bom coração

Logo no episódio de abertura da segunda temporada, um motorista transporta armamentos de nível militar, mas resolve parar no acostamento para ajudar um desconhecido. A cena gera o confronto físico necessário para introduzir Reacher, porém compromete toda a lógica de segurança que envolve cargas sensíveis.

Direção e montagem priorizam o impacto visual da emboscada, mas o texto falha em justificar a ausência de escolta ou qualquer protocolo rígido. Mesmo com boa atuação do coadjuvante que dirige o caminhão, o espectador não esquece a incoerência.

3. Vilão que cai no penhasco e volta sem cicatriz

Nos flashbacks da terceira temporada, Reacher atira em Xavier Quinn antes de vê-lo despencar em um desfiladeiro. Anos depois, o antagonista ressurge incólume, com memória seletiva que só retorna quando uma arma lhe é apontada novamente.

A performance contida do ator Josh Blacker agrega certa ameaça a Quinn, mas o roteiro transforma o personagem em quase imortal. Isso dilui a vitória prévia de Reacher e prejudica o peso emocional do reencontro. Falta coerência narrativa para sustentar o “retorno dos mortos”.

Vilão Quinn em Reacher

4. Mansão com câmeras que só olham para o portão

Zachary Beck, magnata envolvido em contrabando, equipa sua casa com câmeras voltadas exclusivamente para a entrada principal. A falha permite que Reacher entre e saia de madrugada incontáveis vezes sem ser visto.

A direção de arte até estabelece a mansão como fortaleza moderna, mas o roteiro esquece que sistemas de segurança reais cobrem corredores, jardins e áreas internas. A atuação de Anthony Michael Hall como Beck tenta imprimir paranoia, porém o design da trama contradiz essa característica.

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Imagem: Internet

5. Físico de fisiculturista sem academia nem marmita

Reacher viaja sem mala, carrega apenas uma escova de dentes dobrável e diz evitar compromissos. Apesar disso, Alan Ritchson surge ainda mais definido a cada temporada, ostentando percentual de gordura de atleta olímpico.

O estranhamento vai além da estética: a própria lógica do personagem — que dorme em hotéis de beira de estrada e se alimenta de café e tortas — não sustenta tal forma física. Neste ponto, o público aceita a licença poética, mas o roteiro bem que poderia reconhecer essa “super-humanidade” de modo mais claro.

6. Pilha de corpos sem investigação federal

Ao longo de três temporadas, Reacher elimina dezenas de criminosos. Mesmo assim, a série sugere que o ex-policial militar segue quase invisível para as autoridades civis. A direção de episódios investe em cenas de ação brutais, mas o roteiro ignora a repercussão legal de tantos mortos.

Curiosamente, existe nos livros uma série derivada, Hunt for Reacher, que acompanha agentes do FBI em busca do protagonista. Tal ângulo poderia enriquecer a versão televisiva, dando mais peso dramático às ações do herói.

7. Enviar apenas dois agentes contra Quinn

Em flashback, Reacher designa Dominique Kohl e outro oficial para prender Quinn, criminoso notoriamente perigoso. A decisão, vendida no roteiro como tentativa de dar prestígio à tenente, soa irresponsável para alguém descrito como estrategista brilhante.

A direção tenta construir suspense, mas o subaproveitamento de figurantes e logística de operação reduz a credibilidade da sequência. O desfecho trágico reforça a falha de julgamento do protagonista — algo que a atuação segura de Ritchson não consegue suavizar.

8. Caso James Barr: existe ou não existe?

No início da segunda temporada, Reacher menciona ter encontrado James Barr um ano antes, indício de que a trama de “One Shot” ocorreu fora de cena. Porém, momentos depois, um relatório governamental resume o histórico do herói sem citar o caso, afirmando que ele “sumiu do mapa”.

Essa contradição interna cria confusão cronológica e denuncia falta de alinhamento entre roteiristas. Para a plateia que conhece o material de origem — ou que assistiu ao filme estrelado por Tom Cruise — o furo chama ainda mais atenção.

Mesmo com esses tropeços, Reacher segue divertido graças ao timing cômico de Ritchson, à direção de ação eficiente e ao roteiro que, quando acerta, entrega bons mistérios de cidade pequena. Resta torcer para que a quarta temporada una coerência e pancadaria na mesma medida.

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Sou redator especializado em conteúdo de beleza, moda e crochê. Produzo conteúdos desde 2021, tendo experiência como colunista em sites de referência.