Stranger Things: Tales from ’85 chega como o primeiro derivado animado da franquia, ambientado entre a segunda e a terceira temporada da série original. A produção resgata a atmosfera oitentista de Hawkins enquanto injeta uma leva de criaturas inéditas, resultado de experimentos que misturam o Mundo Invertido a um soro vegetal.
- Atuações, direção e monstros que definem Tales from ’85
- Dirtbag Charlie e o Monstro Insetoide
- Os Jerk O’Lanterns: Zumbis de Abóbora
- Aboleth: terror na feira de tortas
- Cães de Videira do Serralheiro
- Jeff Nelson e a Criatura do Esgoto
- O Monstro que Elimina o Técnico
- Capangas de Hordak
- Hordak: o Kaiju das Vinhas
- Veredicto sobre a equipe criativa
Com roteiro de Jennifer Muro e direção de Phil Allora, o spin-off aposta no carisma do elenco jovem para equilibrar humor, aventura e cenas de terror. As vozes de Brooklyn Davey Norstedt (Onze) e Odessa A’zion (Nikki Baxter) lideram um time que encara oito ameaças grotescas, todas ligadas ao vilão Hordak.
Atuações, direção e monstros que definem Tales from ’85
Eric Robles, showrunner conhecido pela animação leve, investe aqui em um tom mais sombrio sem deixar de lado a energia dos personagens. Cada novo monstro serve como vitrine tanto para a criatividade visual dos animadores quanto para a evolução emocional do elenco, algo que mantém o público engajado mesmo quando a trama se apoia em convenções já conhecidas do Mundo Invertido.
Dirtbag Charlie e o Monstro Insetoide
Na estreia, o valentão Charlie vira hospedeiro de uma trepadeira senciente que o transforma em um ser insectoide de mandíbula colossal. A performance vocal de Norstedt como Onze destaca a urgência da cena inicial, entregando gritos controlados que lembram a intensidade vista na série principal.
O diretor Phil Allora utiliza cortes rápidos e closes nos olhos da criatura para aumentar a tensão, enquanto o roteiro sublinha a ironia de ver um agressor escolar virar vítima da própria arrogância. A derrota do monstro por Onze estabelece desde cedo a escala de poder que o elenco precisará enfrentar.
O design, com múltiplas patas e garras afiadas, sinaliza a fusão entre flora e fauna — tema que se repetirá nas demais ameaças.
Os Jerk O’Lanterns: Zumbis de Abóbora
No segundo episódio, Max e Lucas investigam um ataque a uma fazenda e se deparam com centenas de zumbis de abóbora. A química entre Caleb McLaughlin e Sadie Sink (retornando apenas em voz) rende momentos mais leves, equilibrando a violência visual das abóboras carnívoras.
Jennifer Muro escreve diálogos rápidos, repletos de ironias sobre filmes slashers, que funcionam bem graças ao timing cômico dos dubladores. A direção insere planos abertos do campo tomado por vinhas luminosas, ampliando a sensação de cerco.
A sequência da colheitadeira, que tritura os monstros, destaca o trabalho de som: rangidos metálicos e estalos das trepadeiras dão peso ao confronto, realçando o valor de produção da animação.
Aboleth: terror na feira de tortas
Inspirado na criatura de Dungeons & Dragons, Aboleth surge após um concurso de comer tortas. O roteiro transforma um cenário inocente em palco de horror, enquanto Odessa A’zion mostra versatilidade no papel de Nikki, alternando entre espanto e liderança.
A criatura gigante, composta quase só por uma cabeça com bocarra, permite à equipe de animação criar movimentos aéreos que lembram marionetes, reforçando o caráter antinatural do ser. Onze vence o Aboleth utilizando as próprias vinhas dele, cena coreografada com cortes que evidenciam a estratégia.
Esse momento marca também a primeira interação direta entre Nikki e Onze, estabelecendo cumplicidade essencial para os episódios seguintes e aprofundando o arco de amizade — ponto alto indicado pelos fãs nas redes.
Cães de Videira do Serralheiro
Dois trabalhadores de uma madeireira viram bestas caninas cobertas de vinhas, servindo como antagonistas recorrentes no meio da temporada. Aqui, Gaten Matarazzo (Dustin) ganha destaque, elevando o tom de pânico com sua entrega vocal e piadas nervosas que aliviam a tensão.
Os monstros, lembrando Democães em escala ampliada, avançam pesadamente, e a direção aposta em sombras alongadas para sugerir o peso das criaturas. A participação de Steve, dublado por Joe Keery, acrescenta dinamismo à fuga final no episódio 4.
A sequência assume importância narrativa ao mostrar que, diferente dos primeiros inimigos, essas feras não morrem quando os hospedeiros são libertados — detalhe que aumenta o senso de perigo real.
Jeff Nelson e a Criatura do Esgoto
Imagem: Internet
Revelada no fim do quinto episódio, a criatura que possui o colega Jeff Nelson lembra Demogorgons, mas com vinhas extensíveis. A dublagem de McLaughlin mostra compaixão ao cortar a besta ao meio para salvar o amigo, reforçando o crescimento emocional de Lucas.
O roteiro usa o resgate para discutir culpa e responsabilidade entre adolescentes, sem soar moralista. A cena claustrofóbica nos esgotos se beneficia da paleta verde-musgo, remetendo às raízes vegetais do horror.
Embora o design seja menos inventivo, ele serve como ponte visual entre os monstros clássicos da série e as novas mutações de Tales from ’85.
O Monstro que Elimina o Técnico
No sexto episódio, o técnico de educação física sofre ataque fatal de um monstro de vinhas. A perda adiciona gravidade à temporada, e a reação coletiva do elenco traduz o choque de presenciar uma morte adulta — algo raro na animação voltada para TV-14.
Phil Allora insere chamas como contraponto visual à cor esverdeada da criatura, criando composição dramática que destaca o fogo como arma recorrente contra as vinhas.
Mesmo semelhante ao monstro de Jeff, a escala ampliada reforça o sentimento de progressão: os desafios crescem proporcionalmente à coragem dos protagonistas.
Capangas de Hordak
Os lacaios de Hordak funcionam como “tropa” para cenas de ação coletiva. Aqui, a montagem intercala vozes de todo o elenco principal, permitindo que cada personagem mostre seu diferencial — de piadas improvisadas de Dustin aos comandos curtos de Onze.
A semelhança de design economiza tempo de animação, direcionando recursos para a batalha final, mas ainda assim se percebe cuidado nas texturas das vinhas e no brilho esverdeado que os conecta ao criador.
Esses confrontos também reforçam o uso do trabalho em equipe como tema central: as vitórias dependem da combinação de habilidades individuais, ponto destacado pela crítica especializada.
Hordak: o Kaiju das Vinhas
A culminação do horror vegetal é Hordak, entidade gigante com cabeça que lembra um pterodáctilo e dez olhos. A cena em que tenta abrir um Portão para o Mundo Invertido exibe animação fluida, justificando o orçamento maior do capítulo final.
Odessa A’zion brilha quando Nikki empunha o canhão elétrico que derrota temporariamente o vilão, entregando tons de determinação que elevam o clímax emocional. O contraste entre a voz juvenil e o rugido grave de Hordak amplia a sensação de David contra Golias.
Jennifer Muro deixa um gancho pós-batalha, insinuando que um novo broto da criatura sobreviveu — artifício narrativo que abre caminho para possíveis continuações e mantém o hype entre fãs de Stranger Things.
Veredicto sobre a equipe criativa
A parceria entre o showrunner Eric Robles e os criadores Matt e Ross Duffer resulta em spin-off que respeita a mitologia original e, ao mesmo tempo, experimenta estilos visuais. A direção de Phil Allora entrega ritmo acelerado, enquanto o texto de Jennifer Muro equilibra terror e humor, garantindo identificação com o público adolescente.
As atuações de voz mantêm a alma dos personagens vivos, provando que, mesmo fora do formato live-action, Hawkins ainda tem muito a oferecer. Tales from ’85 estabelece um novo patamar para derivados de franquias, deixando evidente que monstros assustadores funcionam ainda melhor quando sustentados por interpretações convincentes e narrativa coesa.
Para mais detalhes sobre o futuro da franquia, confira também nosso guia da nova animação de Stranger Things.









