A reta final de The Boys trouxe não apenas explosões de raios laser e golpes impossíveis, mas também atuações que elevam o conflito entre Homelander e o grupo Starlighters a um novo patamar dramático. Sob a batuta do showrunner Eric Kripke, cada intérprete ganhou espaço para mostrar camadas que vão além dos superpoderes.
Do retorno fulminante de A-Train ao crescimento assustador de Ryan Butcher, a 5ª temporada redesenha o ranking de força dentro do universo da série. A seguir, analisamos como elenco, direção e roteiro se combinam para entregar os dez personagens mais poderosos em tela.
Supes que dominam a 5ª temporada
Em seus episódios finais, The Boys faz questão de equilibrar espetáculo e construção de personagem. Os diretores, como Philip Sgriccia e Sarah Boyd, optam por enquadramentos que destacam tanto a fisicalidade dos atores quanto seus conflitos internos, contribuindo para um retrato mais humano – e assustador – desses deuses modernos.
Veja, na ordem ascendente de poder, quem rouba a cena e por quê.
10. A-Train – Jessie T. Usher
Jessie T. Usher volta a exibir a arrogância ferida de A-Train, agora revigorado após um delicado transplante cardíaco. O ator entrega um equilíbrio entre culpa e impulso heroico que fica evidente quando a câmera desacelera para mostrar o supe dilatando o tempo e salvando civis em microssegundos.
O roteiro oferece a Usher um momento catártico: a corrida decisiva contra Homelander. A direção enfatiza closes no rosto do intérprete para evidenciar o dilema moral de poupar uma vida em plena disputa. Essa escolha adiciona profundidade ao velocista, que poderia se resumir apenas a efeitos visuais.
Mesmo com pouco tempo em tela, A-Train confirma sua volta ao auge físico, e Jessie T. Usher aproveita cada segundo para provar que, na série, velocidade também pode ser sinônimo de densidade dramática.
9. Kimiko – Karen Fukuhara
Karen Fukuhara segue demonstrando domínio corporal absoluto ao interpretar Kimiko. Seus movimentos precisos, coreografados por Kenji Tanigaki, reforçam a ideia de uma assassina que mistura delicadeza e brutalidade, principalmente na cena em que desmonta Sheline sem esforço.
A atriz trabalha em silêncio, e a direção de som intensifica cada estalo de osso para compensar a ausência de diálogos. Quando Homelander a parte ao meio com visão de calor, a câmera fixa no olhar confiante de Fukuhara, sublinhando a certeza da regeneração.
A performance ainda brinca com ironia: enquanto o corpo se recompõe, a atriz transmite tédio, como se o processo fosse rotina. Esse contraste reforça a posição de Kimiko entre os mais temidos da temporada.
8. Cindy – Ess Hödlmoser
Ess Hödlmoser retorna como Cindy, agora convertida em arma viva a serviço de Homelander. A atuação aposta em olhar vazio e postura rígida, deixando claro que a personagem funciona movida por puro instinto de destruição.
O time de efeitos práticos colabora ao mostrar corpos se partindo no ar, enquanto Hödlmoser mal levanta a mão. Essa economia de gestos reforça o contraste entre poder bruto e falta de treinamento, um ponto ressaltado pelo roteiro de Anslem Richardson.
Valeria ainda mais ver Cindy tendo um mentor; por ora, a atriz sustenta a ameaça só com presença física, garantindo seu lugar entre os dez mais fortes.
7. Billy Butcher – Karl Urban
Karl Urban abraça o absurdo corporal de tentáculos brotando do peito sem perder o charme sarcástico de Butcher. A direção opta por planos médios que destacam a transformação grotesca, enquanto o ator mantém o olhar frio, como se puxar órgãos alheios fosse trivial.
O roteiro de Rebecca Sonnenshine dá a Urban diálogos carregados de humor negro, ampliando a sensação de imprevisibilidade. A luta contra Soldier Boy comprova que o personagem ganhou musculatura narrativa e literal nesta fase.
No entanto, Urban modera a performance para não eclipsar o vilão principal. Esse equilíbrio sustenta a tensão e coloca Butcher como peça-chave na balança de poderes.
6. Starlight – Erin Moriarty
Erin Moriarty mostra evolução física ao interpretar Annie January voando em alta velocidade e lançando rajadas de luz mais intensas. A atriz trabalha expressão facial exausta para sinalizar o custo energético de cada golpe.
Os diretores utilizam filtros quentes nas cenas iluminadas para destacar o contraste com ambientes escuros, onde a supe perde vantagem – detalhe crucial que Moriarty reforça com postura retraída. O embate com Black Noir II é um espetáculo de coreografia e tensão emocional.
Imagem: Internet
O arco confirma Starlight como oponente que mais exige do vilão, algo já discutido no guia completo de personagens. Moriarty entrega carisma suficiente para manter Annie no centro das atenções mesmo entre titãs.
5. Sister Sage – Valorie Curry
Valorie Curry, conhecida por papéis intelectuais, encarna Sister Sage com sotaque calmo e sorriso enigmático. A atriz evita grandes gestos; sua força está no olhar analítico e na dicção pausada, evidenciando que o cérebro pode ser mais mortal que um raio laser.
A fotografia opta por closes que revelam microexpressões enquanto a personagem manipula aliados nos bastidores políticos. O texto de Jessica Chou oferece monólogos recheados de ironia, bem aproveitados por Curry para mostrar superioridade intelectual.
Sage pouco luta, mas a maneira como a intérprete domina o ambiente garante a sensação de onipotência. Sem levantar um dedo, ela se torna potencialmente a maior ameaça estratégica a Homelander.
4. Marie Moreau – Jaz Sinclair
Diretamente de Gen V, Jaz Sinclair injeta frescor à série principal. A atriz equilibra vulnerabilidade estudantil e poder quase divino ao controlar sangue alheio. Os diretores exploram enquadramentos em 360° para exibir faixas sangrentas orbitando a personagem.
O treinamento em Godolkin é referenciado em diálogos rápidos, mas Sinclair demonstra domínio ao variar entonação entre crise emocional e foco absoluto no campo de batalha, sobretudo nas cenas escritas por Brant Engelman.
A possibilidade de encerrar Homelander de dentro para fora coloca Marie em destaque. A chegada dela também amplia o universo compartilhado, como aprofundado no artigo sobre como o quadrinho inspira a série.
3. Ryan Butcher – Cameron Crovetti
Cameron Crovetti carrega a difícil missão de fazer o público temer uma criança. O ator alterna inocência e impulsos violentos em segundos, ajudado pela trilha de Christopher Lennertz que intensifica cada rajada de laser infantil.
Na luta contra o pai, Crovetti exibe postura corporal espelhando Antony Starr, reforçando a ideia de herança genética e emocional. A maquiagem destaca pequenas feridas que sublinham a diferença de experiência entre ambos.
Mesmo sem o refinamento de Homelander, Ryan já provoca danos reais. A atuação de Crovetti antecipa um futuro ainda mais sombrio caso o jovem receba treinamento adequado.
2. Soldier Boy – Jensen Ackles
Jensen Ackles retorna com carisma bruto, misturando sarcasmo de veterano e trauma de guerra. Sua presença domina a tela graças a postura imponente e timbre grave que transforma cada piada em ameaça velada.
A direção investe em luz esverdeada para representar a radiação prestes a explodir. Ackles usa respirações profundas antes de cada descarga, criando suspense tangível mesmo para quem conhece o poder do personagem.
O roteiro revela o uso do composto V-One, e Ackles reage com sorriso contido, sugerindo prazer tóxico no próprio poder. Essa nuance garante lugar de destaque no pódio da temporada.
1. Homelander – Antony Starr
Antony Starr continua entregando uma aula de intimidação. O ator alterna sorriso plastificado e explosões de fúria em frações de segundo, movimento realçado por cortes rápidos de edição. A cena em que ergue os braços diante da Casa Branca evidencia domínio absoluto.
Mesmo sem evolução em seus poderes, Starr mantém o personagem fresco ao expor inseguranças sutis, reforçando que o maior inimigo de Homelander pode ser sua própria psique. Os roteiros de Kripke dão espaço a monólogos que transbordam ego ferido.
Seja ao “ressuscitar” Soldier Boy ou enfrentar o próprio filho, Homelander segue o padrão ouro de ameaça. A performance de Antony Starr permanece como o ponto de referência para todo o elenco – e para o público, que segue hipnotizado por essa figura tão carismática quanto aterradora.











