10 sitcoms dos anos 2010 que passaram batido e merecem ser vistas agora

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Entre 2010 e 2019, as comédias para TV viveram uma fase de transição: redes abertas tentavam segurar o público enquanto o streaming testava formatos mais curtos e histórias seriadas. Nesse cenário, muita coisa boa acabou ficando fora do radar.

A lista abaixo recupera 10 sitcoms dessa década que, apesar de elogiadas pela crítica, foram canceladas cedo ou simplesmente ofuscadas por sucessos maiores. Vale conferir o trabalho de elenco, criadores e roteiristas que deram identidade própria a cada produção.

Sitcoms que merecem segunda chance

A seguir, relembramos as séries, destacando performance do elenco, decisões de direção e o que fez cada roteiro se diferenciar no período. Todas foram exibidas entre 2011 e 2019 e somam de duas a quatro temporadas.

The Last Man on Earth (2015-2018)

Will Forte assumiu não só o papel principal, como também a criação da série ao lado de Phil Lord e Christopher Miller. A atuação de Forte, alternando preguiça existencial e desespero pós-apocalíptico, recebeu elogios pela vulnerabilidade inesperada em meio ao humor físico.

A direção optou por tratar cenários vazios com enquadramentos largos, reforçando a solidão do protagonista nos primeiros episódios. Quando o elenco cresceu, a comédia ganhou ritmo de ensemble, mas manteve toques dramáticos que diferenciaram o texto.

O roteiro brincou com cliffhangers e quebras de expectativa, algo incomum em sitcoms de rede. Mesmo assim, a audiência caiu e a Fox cancelou a produção após quatro temporadas, deixando um final em aberto que ainda instiga quem descobre a série hoje.

Wilfred (2011-2014)

Elijah Wood entrou no universo de comédia sombria da FX interpretando Ryan, ex-advogado deprimido que vê o cachorro do vizinho como um homem em fantasia canina. A química entre Wood e Jason Gann sustentou o surrealismo sem perder humanidade.

Diretores convidados alternaram closes desconfortáveis e enquadramentos oníricos para reforçar a dúvida: tudo seria alucinação? O formato de câmera única ajudou a série a escapar do padrão sitcom tradicional, aproximando-se de drama psicológico.

Simon Riche, responsável pela adaptação, manteve diálogos que misturavam filosofia pop e humor de banheiro. As temporadas ficaram mais sombrias, dividindo críticos, mas o trabalho de elenco seguiu elogiado até o fim.

A.P. Bio (2018-2021)

Glenn Howerton deixou It’s Always Sunny para viver Jack Griffin, professor que faz dos alunos cúmplices de seus rancores. O ator entrega cinismo veloz, equilibrado pelo timing cômico de Patton Oswalt como o diretor da escola.

A série começou na NBC com episódios dirigidos por Oz Rodriguez, que explorou travellings pelos corredores para transmitir caos adolescente. Depois, no Peacock, os roteiros de Mike O’Brien ficaram ainda mais absurdos, favorecendo coadjuvantes.

Cancelada, resgatada e encerrada novamente, A.P. Bio tornou-se exemplo de como o streaming pode prolongar projetos de nicho e permitir que um elenco encontre sua voz coletiva.

Angie Tribeca (2016-2018)

Rashida Jones lidera a paródia policial criada por Steve e Nancy Carell. A atriz se joga em piadas visuais estilo The Naked Gun, mantendo semblante sério enquanto o roteiro despeja trocadilhos a cada segundo.

A direção aposta em gags de fundo de cena e takes rápidos que exigem revisão para captar todos os detalhes. Essa densidade cômica conquistou críticos, mas o público registrou números modestos na TBS.

Com roteiristas vindos de The Office, a série usou referências meta sobre séries procedurais, fortalecendo sua condição de “piada interna” televisiva — e talvez por isso permaneça um tesouro escondido.

Speechless (2016-2019)

Minnie Driver entrega energia caótica como mãe que luta por acessibilidade ao filho J.J., vivido por Micah Fowler, ator com paralisia cerebral na vida real. A escolha reforçou autenticidade elogiada por associações de pessoas com deficiência.

A ABC investiu em direção leve, alternando cenas familiares e debates sobre inclusão sem cair em sentimentalismo. Os roteiros de Scott Silveri equilibraram sarcasmo e emoção, gerando comparações com Modern Family.

Apesar das críticas positivas, a série competiu em horários difíceis e acabou cancelada após três temporadas, permanecendo como referência discreta de representatividade.

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Imagem: Internet

Single Parents (2018-2020)

Taran Killam, Leighton Meester e uma turma de atores mirins formam o coração desta criação de Elizabeth Meriwether. O elenco infantil, com falas afiadas, foi apontado como diferencial pelo ritmo de piadas.

A direção escolheu enquadramentos amplos em playgrounds e reuniões de pais, refletindo a bagunça coletiva da vida adulta sem parceiras. Fotografia iluminada manteve tom otimista, característica das comédias familiares da ABC.

Sem um grande gancho conceitual, a série não decolou em números, mas críticos destacaram o texto ágil e a naturalidade entre os atores, que souberam distribuir o protagonismo.

Don’t Trust the B—- in Apartment 23 (2012-2014)

Krysten Ritter monopoliza a tela como a golpista Chloe, enquanto Dreama Walker representa a inocência em choque. A química das duas sustenta situações cada vez mais absurdas, pontuadas pela autoconsciência de James Van Der Beek interpretando a si mesmo.

Diretores exploraram Nova York como palco de comédia corrosiva, abusando de cortes rápidos para acompanhar o ritmo ácido do texto de Nahnatchka Khan. A montagem contribuiu para punchlines encadeadas.

A exibição fora de ordem pela ABC prejudicou a história contínua, mas quem encontra a produção hoje reconhece nela o embrião de humor metalinguístico que ganharia força na década seguinte.

Happy Endings (2011-2013)

Elenco coral formado por Eliza Coupe, Damon Wayans Jr. e Adam Pally entregou uma média de 17 piadas por minuto, segundo contagens de fãs. A troca de falas rápida virou marca registrada e influenciou comédias posteriores.

Os diretores optaram por câmera nervosa, reforçando a sensação de conversa sobreposta típica de grupo de amigos. A partir da segunda temporada, roteiros de David Caspe incorporaram experimentalismos, como episódios temáticos.

A instabilidade de grade na ABC encurtou a trajetória, mas o boca a boca via streaming transformou Happy Endings em caso clássico de cancelamento precoce que alcançou status cult.

Galavant (2015-2016)

Protagonizado por Joshua Sasse, o musical medieval trouxe canções originais de Alan Menken. O elenco equilibrava canto teatral e timing de sitcom, mérito também da direção de Chris Koch, que mantinha ritmo de clipe em cada número.

Os roteiros de Dan Fogelman satirizaram lendas arturianas com piadas modernas. A assinatura visual incluía cores saturadas, evocando contos de fadas, enquanto as letras espertas forneciam metacomentário sobre a própria produção.

Prevista para minissérie, a comédia ganhou segunda temporada, mas não resistiu a baixa audiência. Hoje, é lembrada por fãs de musicais que buscam humor autorreferente.

Miracle Workers (2019-2023)

Daniel Radcliffe e Steve Buscemi lideram o elenco fixo de antologia criada por Simon Rich. A dupla se reinventa a cada temporada, do paraíso corporativo ao Velho Oeste, exibindo versatilidade elogiada por críticos.

Direção de episódios alternou estilos para combinar com cada época retratada, adotando filtros de cor específicos e cenários práticos que reforçam o contraste humorístico entre temas épicos e diálogos cotidianos.

O texto mistura sátira religiosa, faroeste e ficção pós-apocalíptica, mantendo coesão graças ao elenco recorrente. Mesmo com audiência modesta, chegou a quatro temporadas na TBS antes de a emissora reduzir produções roteirizadas.

Essas dez produções mostram a variedade que marcou as sitcoms na década passada: do humor musical ao existencial, cada série encontrou sua voz, ainda que nem sempre seu público na época da estreia. Para quem busca boas atuações e roteiros ousados, a maratona está só começando.

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Sou redator especializado em conteúdo de beleza, moda e crochê. Produzo conteúdos desde 2021, tendo experiência como colunista em sites de referência.