Hacks encerra jornada com enxurrada de cameos; veja quem já brilhou na 5ª temporada

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Deborah Vance está viva, mordaz e pronta para provar que ainda lota qualquer arena. Os dois primeiros episódios da 5ª temporada de Hacks, já disponíveis na HBO Max, mostram a veterana contornando uma ordem de silêncio e convocando uma lista invejável de celebridades para ajudá-la.

Além do charme habitual de Jean Smart, o roteiro de EGOT e Number One Fan abre espaço para participações que brincam com a metalinguagem da fama, ampliando o humor ácido que consagrou a série nas últimas premiações.

Participações de peso movimentam a reta final de Hacks

Com direção afiada e ritmo de stand-up, cada aparição acrescenta uma camada ao comentário da série sobre vaidade, mercado do entretenimento e relações de poder. Abaixo, detalhamos quem entra em cena e como esses nomes elevam a narrativa.

Tony Kushner interpreta ele mesmo

O premiado dramaturgo surge logo na estreia, contratado por Deborah para escrever sua autobiografia em formato de audiolivro – manobra esperta para disputar um Grammy sem subir ao palco. Kushner encarna uma versão exageradamente metódica de si, mergulhada em genealogias escocesas e trilhas sonoras melancólicas.

Jean Smart reage com olhares entediados que viram gag recorrente, e a direção valoriza os silêncios constrangedores entre os dois. O contraste destaca o timing cômico de Smart enquanto reforça a reputação cult de Kushner, que não teme satirizar o próprio processo criativo.

O texto de Lucia Aniello e Jen Statsky ainda usa o cameo para escancarar a pressa da indústria por resultados imediatos, concluindo o arco com a demissão do escritor após poucas páginas. Uma piada que funciona porque ambos os atores jogam sério.

Gigi Bermingham é Esme

Na pele da atriz sem talento dispensada de um filme biográfico sobre Fatty Arbuckle, Bermingham domina a curta cena com expressões ansiosas e voz trêmula, resumindo anos de rejeição em poucos segundos. O roteiro a explora como catalisador da disputa entre Jimmy e Kayla.

A direção confere ritmo veloz, cortando de planos fechados em Bermingham para reações hilárias de Paul W. Downs. Esse efeito sublinha a insegurança crônica dos agentes e o cinismo dos bastidores, tema recorrente da série.

Ainda que breve, a participação da atriz — conhecida por plateias de Loot — comprova a habilidade de Hacks em extrair humor de situações desconfortáveis, sem deixar pontas soltas na trama principal.

George Basil vive Stefan

Basil, reconhecido por Flaked, entrega um diretor incapaz de dizer “não”. Seus trejeitos desconcertados expõem a cultura de conivência em Hollywood, enquanto o roteiro faz piada do conceito “good cop, bad cop” adotado pelos agentes.

O ator contracena com Meg Stalter em takes longos que exploram a hesitação contagiante de Stefan. A química cômica surge do contraste entre o excesso de gentileza dele e a franqueza destrambelhada de Kayla.

Com poucos minutos, Basil reforça a crítica da série à covardia profissional, ajudando a mover Deborah para o centro do filme — mais um passo em sua cruzada pelo Madison Square Garden.

Alanna Ubach encarna Amanda Weinberg

A booker do MSG aparece explodindo a bolha de autoconfiança de Deborah: “Você não enche a casa.” Ubach imprime arrogância calculada, sustentando diálogos rápidos que misturam comédia e tensão.

A direção utiliza planos médios para capturar olhares desafiadores entre as personagens, ampliando o conflito. Quando os fãs de Deborah iniciam uma campanha de glitter e papel higiênico, o roteiro mostra como o poder do público influencia decisões corporativas.

Ubach, que em breve retorna a Euphoria, demonstra versatilidade ao equilibrar ironia e vulnerabilidade, transformando Amanda de vilã momentânea em peça essencial para o clímax do episódio.

Soleil Moon Frye surge como ela mesma

No centro de uma convenção de autógrafos em Las Vegas, a eterna Punky Brewster distribui abraços enquanto Deborah estuda a relação celebridade-fã. Frye interpreta uma versão serena de si, criando contraste com o cansaço visível de Vance.

O diretor explora o caos físico do evento em travellings cheios de figurantes, usando Frye como ponto de calma que destaca o barulho ao redor. A rápida interação reforça a crítica ao circuito nostálgico de convenções.

Mesmo relâmpago, a participação reafirma a habilidade da série em brincar com memórias televisivas, oferecendo easter eggs a quem viveu os anos 1980.

Hannah Pilkes rouba a cena como Cindy

Apresentada como fã de Ava, Cindy logo se revela presidente do fã-clube Little Debbies de Tucson. Pilkes dosa doçura e ambição em igual medida, gerando desconfiança e risadas a cada sorriso excessivamente largo.

O roteiro brinca com a insegurança de Ava, e a direção de Desiree Akhavan grava as duas em plano-detalhe, acentuando microexpressões que denunciam a farsa. Pilkes mantém a personagem imprevisível, elevando a tensão cômica.

Seu arco expõe a linha tênue entre devoção e obsessão, temática que ecoa a crítica geral da temporada sobre a necessidade de “ser amada” de Deborah.

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Imagem: Internet

William Baldwin aparece como William Baldwin

No mesmo evento, Baldwin troca o horário da cabine fotográfica com Deborah, mostrando camaradagem aparente. O ator, habituado a papéis dramáticos, abraça o tom leve da série, rindo de convites para festas e antigas rusgas de Hollywood.

A interação destaca a perícia dos roteiristas em fazer meta-comédia: piadas internas sobre rankings dos irmãos Baldwin surgem sem parecer forçadas. A direção mantém o ritmo com cortes secos que sublinham o absurdo das conversas banais entre astros.

Essa autodepreciação alinha Baldwin ao espírito de Hacks, onde todas as celebridades se permitem satirizar a si mesmas para servir à narrativa.

Renée O’Connor, a eterna Gabrielle

Jimmy vira fã incontrolável ao encontrar O’Connor, de Xena: Warrior Princess. A atriz encara o agente com simpatia genuína, e o texto transforma o momento em piada sobre reboots e podcasts de rewatch.

O’Connor demonstra habilidade cômica ao aceitar o pitch na hora, valorizando a energia frenética de Downs. Esse pequeno ato leva Jimmy a ganhar uma nova cliente, impulsionando seu arco pessoal.

A cena reforça como Hacks entrelaça cameos à evolução dos coadjuvantes, sem utilizar participações apenas como exibicionismo.

Bayne Gibby emociona como fã de Deborah

Em meio a autógrafos, Gibby entrega a Deborah um retrato feito de sementes, acompanhado de relato sobre a mãe falecida. A atriz mergulha na emoção sem soar melodramática, arrancando lágrimas silenciosas de Jean Smart.

A direção desacelera o ritmo, usando close-ups alongados e som ambiente abafado, sublinhando a importância da conexão público-artista. É o empurrão que Deborah precisava para repensar suas prioridades.

Conhecida por Enlightened, Gibby exibe vulnerabilidade que contrasta com o cinismo predominante, oferecendo respiro dramático à comédia.

Ann Dowd sob fantasia alienígena

Totalmente irreconhecível sob tentáculos verdes, Dowd fuma atrás do pavilhão e aconselha Deborah a “fazer o fã se sentir necessário”. Com voz calma e autoridade inata, a atriz cria uma figura quase mística.

O roteiro aproveita a aura de Dowd, remetendo a sua tia Lydia de The Handmaid’s Tale, e brinca com o anonimato dentro de uma fantasia. A cena, curta, muda o rumo do episódio ao inspirar a protagonista.

É demonstração clara de como bons atores elevam diálogos simples, conferindo peso filosófico a uma piada sobre convenções sci-fi.

Alyssa Limperis vive Jenny

Para provar que Ava tem amigos, Deborah convida Jenny, colega distante da adolescência. Limperis retrata a convidada folgada que se sente íntima sem nunca ter sido. Seu humor físico aparece quando ela se joga na piscina da festa.

A interação expõe falhas de comunicação entre Deborah e Ava, enquanto a direção usa planos abertos para mostrar convidados desconfortáveis. A química entre Limperis e Einbinder faz o embate parecer verídico.

A participação ainda rende gag musical quando Jenny acaba aos beijos com Jesse McCartney, coroando a humilhação de Ava de forma hilária.

Jesse McCartney canta para Ava

O cantor revive o hit “Beautiful Soul” em perfeito clima de flashback colegial. McCartney interpreta-se como profissional disposto, aceitando o convite inusitado com simpatia que contrasta com a incredulidade dos roteiristas.

A direção enquadra o número musical como ápice de constrangimento cômico, abusando de luzes coloridas e closes na expressão atordoada de Ava. O momento sela o aniversário mais surreal da personagem.

Ao rir de sua própria imagem teen, McCartney reforça o tema da temporada: celebridades que reinventam memórias a serviço do espetáculo.

Com elenco regular afiado e cameos que dialogam com a trama — não apenas decorativos — Hacks inicia sua temporada derradeira reafirmando o domínio sobre a comédia metalinguística. Cada convidado entrega uma peça do quebra-cabeça que, ao fim, deve conduzir Deborah Vance ao tão sonhado Madison Square Garden.

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Sou redator especializado em conteúdo de beleza, moda e crochê. Produzo conteúdos desde 2021, tendo experiência como colunista em sites de referência.