Steven Spielberg lista 8 séries que moldam seu olhar para a TV

8 Leitura mínima

Steven Spielberg raramente abre o jogo sobre o que assiste quando não está atrás das câmeras. Ainda assim, em entrevistas pontuais, o diretor revelou uma lista enxuta de séries que considera referências em narrativa, atuação e construção visual.

Do humor canadense de esquetes à tensão de minisséries policiais, cada escolha expõe facetas diferentes do cineasta. Confira, a seguir, as oito produções que mantêm Spielberg grudado na tela.

O que torna essas séries especiais para Spielberg?

Em comum, todas exploram personagens complexos e possuem linguagem cinematográfica apurada. Spielberg valoriza roteiros que equilibram emoção e técnica, além de elencos afinados com direções seguras. A lista mistura clássicos dos anos 1970 a minisséries recentes, revelando um cardápio eclético que dialoga com a própria filmografia do diretor.

SCTV

A comédia canadense SCTV trouxe esquetes ágeis e elenco repleto de futuros astros, entre eles John Candy, cuja performance chamou atenção de Spielberg na época original de exibição (1976-1981). O diretor elogia a inventividade dos roteiristas, que transformavam formatos de televisão em paródias inteligentes sem perder ritmo.

Na atuação, Catherine O’Hara, Eugene Levy e Martin Short criam personagens exagerados mas verossímeis, ponto que Spielberg considera crucial para que o humor resista ao tempo. A direção apostava em cortes rápidos, valorizando o timing cômico, algo que o cineasta cita como influência indireta em suas próprias cenas de alívio cômico.

Mesmo datada visualmente, a série se mantém atual pela criatividade de construção de mundo: cada esquete funcionava como “programação” de uma emissora fictícia, recurso narrativo que ampliava possibilidades e inspirava futuros formatos de mockumentary.

The Practice

Criada por David E. Kelley, The Practice explora dilemas éticos de um escritório de advocacia de Boston. Spielberg declarou admiração pela forma como Kelley equilibra debates morais e emoção sem didatismo. O roteiro mergulha na pressão financeira do escritório, forçando personagens a decisões questionáveis.

Dylan McDermott lidera o elenco com performance contida, em contraste com cenas de tribunal intensas. Spielberg costuma citar o uso de planos fechados que captam microexpressões dos advogados, técnica semelhante à que ele mesmo emprega em dramas como “Lincoln”.

A direção de episódios alterna dinamismo e introspecção, evitando o modelo “caso da semana” puro. Spielberg revelou que acompanha qualquer produção assinada por Kelley, o que se estendeu ao spin-off Boston Legal.

Deadliest Catch

Único reality show da lista, Deadliest Catch acompanha pescadores de caranguejo no Mar de Bering. Spielberg classifica a série como “prazer culposo”, mas destaca a fotografia crua que transforma ondas revoltas em set natural de suspense. O registro de risco real dialoga com o medo marítimo que o diretor já explorou em “Tubarão”.

Sem roteiros pré-definidos, a narrativa se constrói na montagem, algo que Spielberg elogia por criar tensão comparável a thrillers ficcionais. A edição intercala tempestades e conflitos internos, mantendo ritmo cinematográfico apesar do formato documental.

O carisma dos capitães, aliado à trilha sonora percussiva, garante empatia imediata. Para Spielberg, esse engajamento emocional justifica a atração do público pelo perigo autêntico.

Southland

Southland rompeu com o procedural tradicional ao focar o impacto psicológico do trabalho policial em Los Angeles. Spielberg notou o realismo bruto implementado pelo produtor John Wells, com quem já colaborara no cinema. A câmera tremida em locação acentua urgência nas patrulhas.

Ben McKenzie assume o olhar de recruta, permitindo que o espectador aprenda as regras da rua em paralelo. Regina King entrega atuação visceral, dosando autoridade e vulnerabilidade. Spielberg cita o comprometimento do elenco como fator decisivo para a imersão.

Sem trilhas heroicas, a direção aposta no silêncio pós-confronto para ressaltar consequências da violência, elemento elogiado pelo cineasta pela honestidade dramática.

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Imagem: Jennifer Graylock/INSTARs

Mad Men

Ambientada na Madison Avenue dos anos 1960, Mad Men conquistou Spielberg logo na primeira temporada. O diretor aprecia a ênfase em detalhes de produção – figurinos, cenografia e fotografia com paleta sépia – que recriam época sem fetichização.

Jon Hamm encarna Don Draper com camadas de charme e autodestruição. Spielberg compara o arco do personagem a anti-heróis clássicos do cinema, reforçando que o roteiro de Matthew Weiner foge de moralismos fáceis.

A condução de episódios privilegia subtexto: longos silêncios, closes em objetos simbólicos e cortes que sugerem vazio existencial. Tais escolhas, segundo Spielberg, mostram como a TV pode alcançar sofisticação narrativa semelhante à tela grande.

Freaks and Geeks

Produzida pela DreamWorks Television, Freaks and Geeks teve vida curta, mas Spielberg fez questão de endossar publicamente. Paul Feig cria ambiente escolar dos anos 1980 com sensibilidade, enquanto Judd Apatow reforça o humor agridoce.

Linda Cardellini e John Francis Daley conduzem tramas paralelas que retratam tanto rebeldia quanto insegurança adolescente. Spielberg valoriza esse equilíbrio, pois evita caricaturas e entrega autenticidade emocional.

A direção investe em planos abertos de corredores e festas suburbanas, captando nostalgia sem glamour excessivo. Segundo relato de Apatow, Spielberg chegou a telefonar elogiando episódios – raro gesto do diretor –, destacando a honestidade do script.

The West Wing (temporadas de Aaron Sorkin)

Spielberg acompanha The West Wing apenas no período em que Aaron Sorkin escrevia a série (1999-2003). O cineasta compara a qualidade dos diálogos de Sorkin aos roteiros de Paddy Chayefsky, ganhador de três Oscars. A verve rápida de “walk and talk” mantém energia contínua nos corredores da Casa Branca.

Martin Sheen humaniza o presidente Josiah Bartlet com carisma professoral. Spielberg admira a habilidade do ator em alternar humor seco e gravidade, sustentado por direção que valoriza encenações teatrais em planos contínuos.

Quando Sorkin deixou o cargo de showrunner, o tom mudou, e Spielberg perdeu parte do interesse. Ainda assim, ele considera o recorte escrito por Sorkin referência de excelência televisiva.

Mare of Easttown

A minissérie da HBO, Mare of Easttown, fechou a lista com elogios recentes de Spielberg no podcast “SmartLess”. Ele descreveu a direção de Craig Zobel como “belissimamente econômica”, elogiando a forma como a câmera permanece próxima das emoções da protagonista.

Kate Winslet se transforma na detetive Mare Sheehan, adotando sotaque áspero e postura cansada. Spielberg ressaltou a entrega física da atriz, comparável a performances que ele próprio dirigiu em dramas de caráter intimista.

O roteirista Brad Inglesby mantém suspense alto sem sacrificar profundidade familiar. Spielberg citou detalhes de mise-en-scène – fotos de família, ruas vazias – como responsáveis por ampliar a melancolia. Ele revelou, ainda, desejo de trabalhar em projeto seriado semelhante no futuro, inspirado pelo formato limitado de sete episódios.

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Sou redator especializado em conteúdo de beleza, moda e crochê. Produzo conteúdos desde 2021, tendo experiência como colunista em sites de referência.