Ao longo de oito temporadas, Brooklyn Nine-Nine transformou um simples desafio interno em um evento aguardado pelos fãs: os clássicos roubos de Halloween. A cada ano, o elenco elevava a aposta, entregando episódios que condensavam humor, rivalidade e, claro, reviravoltas.
A seguir, revisitamos todas as edições do roubo anual, analisando como as atuações, o trabalho dos diretores convidados e a mão firme dos criadores Dan Goor e Michael Schur mantiveram o frescor da fórmula.
A tradição dos roubos de Halloween
O primeiro embate entre Jake Peralta e o capitão Holt serviu de laboratório para a equipe criativa testar o timing cômico do elenco. O sucesso foi tão grande que o formato voltou todo ano, obrigando roteiristas a inovar sem perder a essência competitiva que define o 99º Distrito.
A lista abaixo relembra, em ordem cronológica, como cada heist se destacou no conjunto da série, sempre com foco em performance, direção e narrativa.
1. “Halloween” – Temporada 1
Andy Samberg e Andre Braugher dominam o episódio piloto da tradição, sustentando o roteiro enxuto de Luke Del Tredici com química afiada. Samberg entrega um Jake ainda imaturo, enquanto Braugher constrói um Holt contido, mas competitivo. A dinâmica de gato e rato pauta o ritmo das cenas, mantendo a tensão cômica.
A direção de Dean Holland aposta em planos fechados para capturar reações discretas, tornando piadas visuais, como o roubo da Medalha de Valor, ainda mais eficazes. Mesmo com orçamento modesto, a montagem ágil destaca o espírito de equipe já no primeiro ano.
O episódio também estabelece o tom leve que passaria a definir a produção da NBC/Universal: humor físico, one-liners velozes e a mensagem de que, no fim, todos vencem quando trabalham juntos.
2. “Halloween II” – Temporada 2
Com o elenco mais entrosado, o roteiro de Prentice Penny amplia a participação do restante da delegacia. Stephanie Beatriz (Rosa) mostra nuance ao equilibrar frieza profissional e prazer secreto pela bagunça, enquanto Melissa Fumero (Amy) assume papel de mediadora.
Michael McDonald dirige apostando em cortes paralelos que evidenciam a dobradinha Holt–Jake. A fotografia mais escura, incomum para a série, antecipa a reviravolta: todos decidem ajudar Holt só para ver Peralta ser, enfim, “humilhado”.
Esse capítulo aprofunda a amizade-rivalidade central, preparando terreno para disputas futuras e demonstrando que o jogo ficaria cada vez mais elaborado.
3. “Halloween III” – Temporada 3
A exclusão de Amy do time de Jake e Holt permite que Melissa Fumero roube a cena. Sua virada de “assistente perfeita” para mente criminosa confere ao episódio energia nova, destacando a evolução da personagem e o domínio de timing cômico da atriz.
Com roteiro de David Phillips, a história alterna flashbacks para revelar o plano de Amy, recurso bem costurado pela direção de Trent O’Donnell. A edição mantém o público um passo atrás da personagem, preservando o suspense da virada.
Apesar da surpresa previsível para alguns, o arco confirma a capacidade do elenco feminino de conduzir a trama sem depender de Jake, abrindo caminho para episódios ainda mais colaborativos.
4. “Halloween IV” – Temporada 4
Este é o show de Chelsea Peretti. Fora da ala investigativa, Gina Linetti assume o posto de “Gênio Supremo” após fingir lesão e manipular colegas e até o cachorro Cheddar. O roteiro de Justin Noble carrega humor físico — a cena do patinete e dos dentes perdidos — sem perder sagacidade.
Claire Scanlon dirige privilegiando planos abertos, ressaltando o caos do quartel-general. O contraste entre o tom blasé de Gina e a tensão dos detetives reforça o carisma da personagem, que se beneficia da liberdade criativa dada pelos roteiristas.
A vitória de uma civil redefine as regras do jogo, escapando da previsibilidade e mantendo o público engajado para o ano seguinte.
Imagem: Internet
5. “HalloVeen” – Temporada 5
O episódio mistura ação frenética e emoção genuína ao culminar no pedido de casamento de Jake a Amy. A performance comedida de Samberg no clímax mostra maturidade, enquanto Fumero transita de competitiva a comovida em segundos, sustentando o momento romântico.
Dirigido por Rebecca Asher, o capítulo dosa referências pop — as Handmaids infiltradas — com um roteiro de Lang Fisher que respeita a cronologia dos relacionamentos. O resultado é um equilíbrio raro entre farra e sentimento.
Sem vencedor oficial, o detalhe sentimental sobressai e torna o evento inesquecível para o público, reforçando o alcance emocional da série.
6. “Cinco de Mayo” – Temporada 6
Impedida pelo calendário de gravar em outubro, a produção transforma o heist em Festa de Maio, comprovando a elasticidade do conceito. Terry Crews lidera o episódio, exibindo timing cômico refinado ao revelar que orquestrou tudo para aliviar o estresse do exame de tenente.
A direção de Dan Goor, também showrunner, imprime ritmo frenético, intercalando falsas emergências com armadilhas elaboradas — destaque para Cheddar novamente em ação. O roteiro assinado por Goor e Luke Del Tredici brinca com a reputação de Terry: “heists são bobos”.
A vitória de Terry valoriza um personagem que, até então, relutava em participar, adicionando camada emocional e reiterando o lema da série: família antes de ego.
7. “The Valloweaster” – Temporada 7
Cancelada e depois resgatada pela NBC, a temporada estreia tardiamente; a solução dos roteiristas foi estender a disputa por três feriados. Rosa (Stephanie Beatriz) assume protagonismo, finalmente conquistando o título e mostrando versatilidade dramática e cômica.
Eric Filipkowski assina o roteiro que faz paródia de Vingadores, distribuindo itens a la “Manopla do Infinito”. A direção de Victor Nelli Jr. coordena múltiplas locações e mantém coesão temporal, mérito de edição precisa.
Embora a vitória de Rosa fosse esperada, o formato multi-feriado renova o interesse e comprova que, mesmo sob pressão externa, a produção encontra saídas criativas.
8. “The Last Day” – Temporada 8
Encerrar a série com um heist foi escolha natural dos criadores. O roteiro de Luke Del Tredici e Dan Goor equilibra despedidas emocionais e nostalgia, convidando ex-colegas a retornarem. A surpresa fica por conta de Hitchcock (Dirk Blocker) faturando o troféu sem planejar nada.
LaToya Morgan dirige com sensibilidade, alternando humor pastelão — Hitchcock escondido em vídeo-chamada — e momentos de despedida, como o adeus de Jake ao 99º. Andre Braugher entrega uma leitura contida, reforçando a amizade construída ao longo dos anos.
O epílogo, ambientado um ano depois, sugere que o jogo continuará fora das telas, mantendo viva a tradição que resumiu tão bem o espírito de Brooklyn Nine-Nine.
Para mais curiosidades sobre bastidores da série, confira também este especial sobre a criação do 99º Distrito. Se quiser mergulhar na carreira dos criadores, veja outra análise dedicada a Dan Goor e Michael Schur.
Assim, cada roubo consolidou-se como laboratório de atuação, playground de diretores convidados e vitrine para roteiristas testarem criatividade, garantindo que Brooklyn Nine-Nine permanecesse fresca até o último “Nine-Nine!”.

