American Horror Story voltou a assombrar a TV com sua 13ª temporada e, embora boa parte da trama ainda siga envolta em mistério, as primeiras horas já deixam claro que o elenco veterano continua sendo o motor da série.
- Atuações que fazem a nova temporada valer a pena
- Jessica Lange como Constance Langdon
- Joey Pollari como Ben DeSoto
- Evan Peters como Tate Langdon
- Sarah Paulson como Wilhemina Venable
- Emma Roberts como Madison Montgomery
- Billie Lourd como Winter Anderson
- Avantika como Ophelia
- Equilíbrio entre roteiro e direção mantém o terror em alta
Jessica Lange, Evan Peters, Sarah Paulson e companhia retomam personagens que marcaram a antologia, enquanto novos rostos provocam reviravoltas suficientes para manter a audiência grudada na tela.
Atuações que fazem a nova temporada valer a pena
Os três episódios de estreia concentram-se em apresentar a premissa — o enigmático Sr. Nas, o cuidador Ben DeSoto e o retorno inesperado de fantasmas conhecidos —, mas é a performance do elenco que sustenta o suspense.
Com roteiro de Ryan Murphy e direção dividida entre colaboradores habituais, a temporada investe em diálogos afiados e cenas que exigem entrega emocional dos atores, garantindo momentos dignos dos melhores tempos da série.
Jessica Lange como Constance Langdon
De volta ao papel que lhe rendeu status de ícone, Jessica Lange domina cada quadro. Sua Constance ganha novas nuances ao trocar a Mansão Murder House por um apartamento em Nova York, mas mantém o olhar manipulador que a tornou temida.
A atriz dosa frieza e humor ácido nas interações com Ben DeSoto, criando tensão imediata. Mesmo quando o roteiro segura informações, Lange preenche as lacunas com microexpressões que sugerem planos sombrios.
Dirigida com close-ups generosos, ela comprova que o retorno não é mero fan-service: Constance aparece vital para o enredo, e Lange demonstra controle absoluto do tempo de cena, lembrando por que ganhou tantos prêmios na série.
Joey Pollari como Ben DeSoto
Responsável por ancorar o espectador na nova história, Joey Pollari interpreta o enfermeiro traumatizado por um acidente aéreo. Sua fobia do número 13 funciona como dispositivo narrativo e, nas mãos do ator, nunca soa forçado.
Pollari equilibra vulnerabilidade e determinação, especialmente nas sequências noturnas em que investiga o apartamento. O olhar assustado ao flagrar o vômito negro do paciente diz mais que páginas de diálogo.
Com direção que aposta em planos longos e silêncio, o ator carrega o peso dramático da temporada até aqui, criando um contraponto humano para as figuras sobrenaturais que o cercam.
Evan Peters como Tate Langdon
O eterno queridinho dos fãs retorna ao assassino adolescente de Murder House. Desta vez, Tate surge fora do casarão, algo que quebra a própria mitologia da série e exige de Peters uma atuação menos contida.
O ator mantém o charme perturbador do personagem, mas acrescenta um verniz de saudade — afinal, Tate experimenta a liberdade pela primeira vez em anos. A cena em que ele circula pelo apartamento de Sr. Nas mistura curiosidade infantil e ameaça latente.
O roteiro dá poucas falas ao personagem, e Peters compensa com linguagem corporal: ombros relaxados, sorriso torto e olhar que varia entre inocência e perigo. Quem acompanha desde a 1ª temporada reconhece instantaneamente o caminho instável de Tate.
Sarah Paulson como Wilhemina Venable
Sarah Paulson volta a vestir roxo, agora liderando um grupo encapuzado no porão do edifício. Sem a postura quase robótica vista em Apocalypse, Venable exibe segurança e misticismo, indicando evolução após a reinicialização de linha do tempo.
Paulson entrega falas carregadas de ironia com voz baixa e controlada, reforçando o mistério sobre o tal “portal para o inferno”. Seu timing dramático transforma frases curtas em presságios inquietantes.
Imagem: Internet
A direção ilumina a personagem com luzes vermelhas, destacando o rosto de Paulson e potencializando cada expressão sutil. Mesmo com pouco tempo de tela, ela deixa claro que será peça-chave nos próximos episódios.
Emma Roberts como Madison Montgomery
Madison voltou — e Emma Roberts parece mais à vontade do que nunca no sarcasmo da bruxinha pop. A cena de abertura, em que a tempestade escancara janelas do coven, permite que a atriz brinque com o medo sem perder a arrogância característica.
Roberts entrega frases afiadas como quem manda um tweet venenoso, mas também insere rachaduras na fachada quando Cordelia prevê “morte vingativa”. Essa ambivalência prepara terreno para um possível arco de redenção — ou ruína.
O roteiro, assinado por Halley Feiffer, concede à personagem um retorno lógico dentro do universo, e a performance de Roberts sustenta essa escolha, mostrando maturidade após uma década interpretando Madison.
Billie Lourd como Winter Anderson
A participação de Billie Lourd reforça a ideia de temporada crossover. Sua Winter, antes presa aos horrores da seita de Cult, exibe um ar quase casual ao surgir em Nova York, fortalecendo o tom de “noite além-túmulo”.
Lourd aposta em sutilezas: pequenos sorrisos quando cita o passado com o irmão Kai, olhares de cumplicidade para Constance. A atriz cria camadas que evitam transformar a personagem em simples fantasma coadjuvante.
As cenas em grupo beneficiam-se da química entre Lourd e Mena Suvari, sugerindo alianças improváveis. A direção coletiva privilegia tomadas amplas para salientar a presença fantasmagórica do conjunto.
Avantika como Ophelia
Novata no universo Murphy, Avantika surge como Ophelia, bruxa que parece ocupar espaço de aprendiz no coven. Mesmo com poucos minutos, a atriz chama atenção graças à energia curiosa que contrapõe o cansaço das veteranas.
O roteiro lhe dá diálogos expositivos — tarefa ingrata para iniciantes —, mas Avantika injeta entusiasmo genuíno, garantindo que a avalanche de informações soe orgânica. O brilho nos olhos quando Cordelia prevê desgraças indica tanto medo quanto fascínio.
A fotografia ressalta os tons terrosos da personagem, sugerindo ligação especial com a natureza. Se a temporada cumprir a promessa, Ophelia pode se tornar a ponte entre bruxas e o mistério que ronda o Sr. Nas.
Equilíbrio entre roteiro e direção mantém o terror em alta
Com episódios dirigidos por Jennifer Lynch e Alonso Álvarez, a temporada abraça o terror gótico sem descartar o humor mordaz característico de Ryan Murphy. A câmera investe em corredores estreitos, luzes estroboscópicas e silêncio absoluto antes do susto.
O texto de Feiffer distribui pistas em diálogos aparentemente banais, exigindo atenção redobrada do público — especialmente nos momentos em que Constance cita a idade mutável do Sr. Nas ou quando Venable fala em portais.
Essa combinação — performances inspiradas, direção estilosa e roteiro que brinca com a própria mitologia — faz da 13ª temporada um retorno surpreendentemente vigoroso, sugerindo que American Horror Story ainda tem sangue novo a oferecer.

