Reimaginar a ponte da USS Enterprise sempre rende debates calorosos entre trekkies. Depois dos elencos do universo Kelvin e de Strange New Worlds, surge a pergunta: quem assumiria os papéis principais se Star Trek: A Série Clássica fosse filmada em 2026?
Com base em idade próxima aos personagens, origem semelhante e habilidades já demonstradas na tela, sete nomes despontam como apostas certeiras. A seguir, confira como cada ator poderia atualizar (sem trair) o legado criado por Gene Roddenberry e pelos roteiristas da década de 1960.
Como seria a nova tripulação da Enterprise em 2026
Da vibração juvenil de Pavel Chekov ao equilíbrio lógico de Spock, cada função na nave exige perfil técnico e carisma específicos. As escolhas abaixo consideram a química de grupo, experiências anteriores em ficção científica, domínio corporal e nuances dramáticas que marcaram a série original.
Pavel Chekov – Mark Eydelshteyn
Chekov só apareceu na segunda temporada, mas virou sinônimo da energia contagiante a bordo. Mark Eydelshteyn, revelado na comédia romântica “Anora”, entrega exatamente esse frescor. Seu controle de microexpressões, elogiado pela crítica, ajudaria a traduzir o otimismo do navegador russo em situações de alto risco.
Filho de família eslava, o ator compartilha idioma e referências culturais com o personagem, algo que favorece espontaneidade nos diálogos recheados de orgulho nacional. Em entrevistas, Eydelshteyn mostra bom humor e curiosidade científica – toque que conversa com o roteiro cheio de “tecnobabble”.
Como a direção de 2026 provavelmente buscaria tom mais naturalista, a capacidade do ator de oscilar entre leveza romântica e tensão estratégica seria essencial para cenas de ponte, missões externas e, claro, flertes ocasionais que sempre renderam humor na série clássica.
Hikaru Sulu – Kento Matsunami
Sulu exige serenidade, inteligência e domínio de artes marciais. Kento Matsunami coleciona 21 curtas e 10 longas, incluindo o premiado fan-film “Death Note” (2017), onde demonstrou disciplina marcial real. Esse histórico garante veracidade aos hobbies do timoneiro.
Filho de japoneses, o ator mantém postura centrada em cena, qualidade que George Takei eternizou. Em entrevistas, sua fala ponderada reforça a imagem de âncora emocional em momentos de crise, algo que roteiristas modernos costumam explorar para contrapor decisões impulsivas do capitão.
Visualmente, Matsunami carrega a elegância clássica de uniformes de Starfleet. Sob direção que privilegie close-ups, o olhar tranquilo dele ajudaria a transmitir a eterna prontidão de quem, com um simples comando, pode salvar a nave de colisões estelares.
Nyota Uhura – Lovie Simone
A comunicação em Star Trek vai muito além de linguística: envolve sangue-frio diante do desconhecido. Lovie Simone, vista em “The Craft: Legacy” e “Selah and the Spades”, oferece mistura rara de autoridade e empatia necessária para uma oficial que já assumiu até o posto de cientista quando a emergência exigiu.
Na série “Power Book III”, a atriz provou que consegue carregar cenas dramáticas intensas sem perder a doçura, algo vital quando Uhura traduz idiomas alienígenas sob fogo inimigo. Sua presença de tela faz com que olhares discretos digam tanto quanto diálogos inteiros.
Com direção que valorize diversidade e roteiro focado em resolver conflitos via diplomacia, Simone tem perfil perfeito para reforçar a importância de Uhura como símbolo pioneiro de representatividade na ficção científica televisiva.
Montgomery “Scotty” Scott – Martin Compston
Responsável por manter os motores de dobra operando contra todas as probabilidades, Scotty sempre alternou pragmatismo escocês e sagacidade técnica. Martin Compston, famoso por “Line of Duty”, domina a dureza necessária sem perder timing cômico – qualidade útil para alívios pontuais no roteiro.
Curiosamente, Compston quase foi escalado por J.J. Abrams para o filme de 2009. O fracasso da audição, ocasionado por jet lag e caminhos errados pelas ruas de Los Angeles, virou anedota que mostra a relação antiga dele com o papel.
Imagem: Internet
Na tela, sua fala rápida e sotaque autêntico dariam credibilidade aos jargões de engenharia. Diretamente do console principal, frases como “Eu preciso de mais potência” ganhariam impacto dramático sob a entonação cheia de urgência que o ator já exibiu em thrillers policiais.
Leonard “Bones” McCoy – Jensen Ackles
McCoy é o sarcasmo personificado, e Jensen Ackles domina essa arte desde “Supernatural”. A casca grossa que esconde um coração mole faz dele substituto natural de Karl Urban na era Kelvin, mesmo sendo alguns anos mais velho que o personagem original – diferença que o físico jovial do ator ajuda a disfarçar.
No set, Ackles teria liberdade para soltar bordões médicos com a mesma ferocidade que usava ao azedar o humor do irmão Winchester. Essa verve ácida contrasta com a lógica vulcana de Spock, garantindo faíscas dramáticas que roteiristas adoram explorar.
Para o diretor, contar com ator habituado a temporadas longas significa ganho de consistência: Ackles sabe alternar episódios mais íntimos, baseados em ética médica, com missões de alto risco onde a tensão exige viradas rápidas de humor.
Spock – Bill Skarsgård
Recriar Spock é tarefa delicada: cada microgesto indica emoções sob disciplina vulcana. Bill Skarsgård, eternizado como Pennywise em “It”, surpreende justamente pelo controle corporal que imprime em papéis soturnos. A face angulosa e a postura ereta encaixam no padrão físico concebido por Leonard Nimoy.
Em “Simple Simon”, o ator viveu um adolescente autista com sutileza, habilidade valiosa para transmitir a lógica fria de Spock sem torná-lo robótico. Nos bastidores, essa bagagem ajuda a construir personagem visto por parte do fandom autista como alter ego na ficção.
A combinação de voz grave e olhar penetrante facilitaria comunicações telepáticas ou simples levantadas de sobrancelha que, sob a lente do diretor, dizem mais que grandes discursos. Skarsgård se mostra, portanto, escolha ousada, porém tecnicamente coerente.
James T. Kirk – Taron Egerton
Kirk, na TV original, é estrategista moralmente firme, ainda que flerte com o risco. Taron Egerton provou em “Kingsman” que sabe equilibrar irreverência e tática militar. A facilidade com cenas de ação o credencia para sequências de dublê típicas de episódios que exigem combates corpo a corpo.
Em “Rocketman”, Egerton exibiu sensibilidade para camadas emocionais, lembrando que o capitão também carrega peso de decisões que envolvem vidas de tripulantes e povos inteiros. Essa profundidade impediria a caricatura do “mulherengo irresponsável” que permeia o imaginário popular.
Na cadeira do diretor, confrontos verbais entre Egerton e Skarsgård renderiam tensão dramática pura, enquanto o roteiro poderia explorar a parceria com Bones de forma quase fraterna, como acontecia com William Shatner e DeForest Kelley nos anos 60.
Com esse time, Star Trek se manteria fiel ao espírito de exploração e ciência, ao mesmo tempo em que ofereceria rostos contemporâneos capazes de dialogar com novas audiências. Uma ponte de comando renovada, mas inconfundivelmente Enterprise.

