Como seria “Cheers” em versão britânica? Veja elenco ideal para o remake

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Um dos pilares da comédia televisiva dos anos 1980, “Cheers” pode ganhar uma releitura no Reino Unido. A notícia desperta curiosidade — e certa apreensão — nos fãs que veem na série original um clássico inquestionável.

Em vez de retomar a produção americana quatro décadas depois, a proposta é criar um pub britânico com personagens inspirados nos originais, mas adequados ao humor local. Para entender como isso funcionaria, avaliamos quais atores atuais conseguiriam sustentar cada um dos nove papéis centrais.

Por que repensar “Cheers” em solo britânico?

Produções como “The Office” provaram que um remake inteligente consegue dialogar com outra cultura sem trair a essência do material de origem. No caso de “Cheers”, a adaptação permitiria novas piadas, novas tensões sociais e, claro, uma vitrine para alguns dos melhores nomes da comédia do Reino Unido.

Confira abaixo a seleção de intérpretes que, segundo especialistas, dariam conta de manter viva a química que fez do bar de Boston um ponto de encontro inesquecível para o público.

Sam Malone – Chris O’Dowd

Ted Danson eternizou Sam como o ex-jogador de beisebol convertido em barman carismático. Chris O’Dowd, conhecido por “The IT Crowd” e “Bridesmaids”, reúne o mesmo charme relaxado e um toque de vulnerabilidade necessário para humanizar o protagonista.

O sotaque irlandês de O’Dowd ajudaria a justificar raízes familiares semelhantes às do Sam original, reforçando a verossimilhança para um dono de pub nas Ilhas Britânicas. Sua experiência em humor situacional garante ritmo e timing nas cenas de balcão.

Com um diretor que valorize interações rápidas de ensemble, O’Dowd teria liberdade para improvisar, alinhando o roteiro a um estilo mais britânico de autodepreciação.

Diane Chambers – Phoebe Waller-Bridge

Em “Fleabag”, Waller-Bridge mostrou domínio absoluto de ironia, quebra de quarta parede e vulnerabilidade. Essas características convergem com a intelectualidade ansiosa de Diane, a garçonete temporária que sonha com a alta cultura.

Além da atuação, Waller-Bridge poderia contribuir na sala de roteiristas, lapidando diálogos afiados entre Diane e Sam. O conflito entre ambição intelectual e rotina do pub renderia momentos de humor autocrítico típicos do seu trabalho.

A agenda cheia da atriz-roteirista é o principal obstáculo, mas se o timing permitir, sua presença elevaria o texto a outro patamar de sofisticação cômica.

Carla Tortelli – Susan Wokoma

Rhea Perlman transformou Carla num ícone de sarcasmo e pancadas verbais. Susan Wokoma (“Enola Holmes”) possui a mesma energia combativa, aliada a uma fisicalidade vigorosa que encaixa bem em cenas de empurrões e cotoveladas em corredores apertados.

Numa adaptação britânica, a origem ítalo-americana de Carla pode ser trocada pela herança nigeriana de Wokoma, diálogo natural com a diversidade dos pubs londrinos. Isso amplia piadas culturais sem perder a essência da personagem — a mãe batalhadora que não leva desaforo para casa.

O roteiro precisaria equilibrar os insultos espirituosos com a empatia que faz do sarcasmo de Carla uma defesa contra as frustrações da vida real.

Norm Peterson – Johnny Vegas

George Wendt marcou gerações como o cliente fixo que abre a porta e recebe coro coletivo de “Norm!”. Johnny Vegas, rosto familiar em “Ideal” e “Benidorm”, domina exatamente essa presença expansiva e bem-humorada.

Apesar de mais velho que Wendt na época da série, Vegas conferiria ao personagem uma sabedoria cômica que combina cinismo e ternura. A caneca sempre cheia de chope viraria pretexto para monólogos sobre economia, futebol e a vida doméstica.

O diretor terá de dosar as tiradas para que o humor físico do ator não ofusque o lado melancólico de Norm, parte essencial do equilíbrio dramático da sitcom.

Woody Boyd – Charlie Cooper

Woody Harrelson trouxe ingenuidade quase infantil ao bartender do interior. Charlie Cooper, premiado por “This Country”, exibe exatamente a mesma perplexidade diante do mundo urbano, arrancando risadas com comentários literais.

Na versão britânica, o roteiro pode trocar a origem rural do interior dos EUA por uma pequena aldeia de Gloucestershire, espelhando a trajetória do ator. Isso faz o público crer na honestidade contagiante de Woody.

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Imagem: Internet

Cooper ainda acrescenta improviso de humor seco, típico da comédia mockumentary, garantindo cenas espontâneas de interação com fregueses habituais.

Frasier Crane – Miles Jupp

Erudito e dono de verborragia elegante, Miles Jupp (“SAS: Rogue Heroes”) é candidato natural a herdar o jaleco psicológico de Frasier Crane. Seu sotaque refinado combina com o psicanalista que, mesmo autoconfiante, vira alvo fácil do sarcasmo alheio.

Jupp domina diálogos rápidos e réplicas condescendentes, aproximando-se do espírito de Kelsey Grammer sem imitá-lo. A direção precisaria apenas modular o tom para equilibrar pedantismo e autoironia.

Uma futura expansão, nos moldes do spin-off original “Frasier”, já teria ator pronto para se aventurar em tramas solos, caso o sucesso permita.

Coach Ernie Pantusso – Bill Bailey

Nicholas Colasanto entregou ao Coach um coração ingênuo e memórias nostálgicas do beisebol. Bill Bailey, comediante e músico, atualiza o perfil: trocaria histórias esportivas por causos de turnês e bastidores de shows.

Bailey acrescenta originalidade com instrumentos em cena, criando gags musicais que servem como respiro entre diálogos acelerados. Ainda assim, mantém a doçura e o papel de mentor desajeitado para Woody e Sam.

O roteiro pode brincar com sua dificuldade de entender gírias modernas, gerando confusões lingüísticas típicas das melhores situações de “Cheers”.

Rebecca Howe – Freya Parker

Introduzida após a saída de Diane, Rebecca simboliza ambição corporativa e inseguranças mascaradas de autoconfiança. Freya Parker, co-criadora do programa “Lazy Susan”, exibe versatilidade entre soberba e fragilidade.

No contexto britânico, Parker poderia explorar o teto de vidro que mulheres enfrentam em cargos gerenciais de pubs pertencentes a grandes redes. Essa nuance crítica ampliaria a identificação contemporânea com a personagem.

Sem perder ritmo de piadas sobre dinheiro e relacionamentos, a atriz garantiria camadas emocionais que geram empatia e, ao mesmo tempo, riso nervoso.

Lilith Sternin – Simone Ashley

Parceira intelectual e sentimental de Frasier, Lilith exige olhar gélido e humor soterrado. Simone Ashley (“Sex Education”, “Bridgerton”) domina o artifício de sarcasmo contido seguido por olhares fulminantes.

Seu timing seco dialoga bem com a verborragia de Jupp, criando faíscas num casal tão inteligente quanto disfuncional. Ashley também traz frescor geracional ao papel, atualizando debates sobre carreira e maternidade.

Dentro de um pub britânico, Lilith poderia ser pesquisadora acadêmica que estuda comportamento de consumo de álcool, unindo ciência e comédia numa mistura explosiva.

Ao reunir esse elenco, o remake britânico de “Cheers” teria potencial para se firmar como comédia de ensemble que respeita a série original, mas encontra voz própria. Se bem conduzido, o projeto poderá repetir o feito de outras adaptações de sucesso, mostrando que um bom brinde sempre cabe em qualquer cultura — basta ter personagens que façam o público querer pedir “a saideira”.

Para relembrar como remakes podem surpreender, vale conferir a jornada de uma certa série britânica que virou hit mundial. E, quem sabe, torcer para que o pub mais famoso da TV volte a abrir suas portas em breve, agora do outro lado do Atlântico.

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Sou redator especializado em conteúdo de beleza, moda e crochê. Produzo conteúdos desde 2021, tendo experiência como colunista em sites de referência.