X-Men ‘97 não se limita a reviver a nostalgia do desenho dos anos 90. A nova animação da Marvel usa direção afiada e roteiros focados para dar espaço a figuras que, no cinema, quase sempre ficaram em segundo plano.
Ao longo de duas temporadas, o seriado distribui holofotes com equilíbrio, corrigindo décadas de descaso e mostrando por que esses mutantes são vitais para a mitologia dos X-Men. Abaixo, destrinchamos os dez casos mais claros de “justiça tardia”.
X-Men ‘97 reposiciona personagens clássicos
Cada herói (e um vilão) ganhou aprofundamento, vozes marcantes e sequências de ação planejadas para destacar habilidades específicas. A seguir, analisamos como direção, dublagem e roteiro trabalharam para transformar coadjuvantes em peças-chave da narrativa.
Forge
Desde o primeiro episódio, a série evidencia o gênio tático de Forge, mantendo o personagem na linha de frente das soluções tecnológicas. A animação exibe seus gadgets em detalhes, facilitando a compreensão de quem assiste.
A performance de voz reforça o equilíbrio entre arrojo e vulnerabilidade, algo que os filmes ignoraram. O roteiro lhe concede diálogos rápidos com Storm que humanizam o engenheiro, evitando esterótipos.
Em batalhas, os diretores optam por enquadramentos próximos para mostrar o manuseio de cada dispositivo, tornando suas criações parte orgânica do combate. O resultado: Forge finalmente soa indispensável.
Storm
A animação devolve a Ororo o status de força da natureza. Sequências que mesclam 2D tradicional e cenários 3D destacam trovões e rajadas, ampliando o impacto visual.
No texto, roteiristas exploram conflitos internos — medo de perder o controle e responsabilidades com a equipe. Isso gera arcos pessoais que extrapolam o simples “deusa do clima”.
A dublagem brasileira reforça autoridade e compaixão, equilibrando firmeza e ternura. Assim, Storm volta a ocupar o espaço que faltou em adaptações live-action.
Psylocke
Apresentada como agente letal, Psylocke ganha coreografias de luta que misturam telecinese a katanas, tudo em cortes rápidos. A direção de animação usa cores neon para sublinhar suas lâminas psíquicas.
O roteiro oferece missões paralelas com a X-Force, evitando que ela vire figurante. Na dublagem, a personagem transita entre introspecção e sarcasmo, mantendo mistério.
Esse equilíbrio reforça o potencial que já era evidente nos quadrinhos, mas jamais fora explorado com tanta clareza em tela.
Bishop
Bishop surge como líder improvisado em viagens temporais, e a direção garante que cada descarga de energia absorvida seja entendida pelo público. Efeitos sonoros graves sublinham o poder.
O texto destaca dilemas morais: sacrificar poucos para salvar muitos. Essa faceta pragmática aprofunda o personagem sem torná-lo frio.
As interações com Forge criam dupla dinâmica e oferecem humor pontual, suavizando o tom pesado das missões temporais.
Gambit
A série trabalha o charme de Remy LeBeau com close-ups em expressões faciais e acentos cajun bem marcados. Isso fortalece a química com Rogue, pilar emocional da primeira temporada.
Seu sacrifício contra os Sentinelas é construído com trilha sonora crescente e cortes que alternam drama e ação, garantindo impacto máximo.
A ausência de Gambit nos episódios seguintes gera um vazio palpável, influência direta de uma boa construção narrativa.
Imagem: Internet
Jubilee
De sidekick a voz moral do time, Jubilee recebe episódios que mostram evolução de poder e maturidade. As explosões de plasma ganham paleta colorida e ritmo inspirado na cultura pop dos anos 90.
Roteiristas aproveitam a juventude da mutante para refletir sobre preconceito e otimismo. Sua relação com Sunspot adiciona leveza sem soar forçado.
Essa abordagem deixa claro por que Jubilee é essencial para conectar público jovem à franquia.
Noturno
Nightcrawler ganha destaque pela empatia, reforçada por close-ups em seus olhos amarelos durante conselhos amigos. A animação de teleporte usa fumaça purple bamf em transições suaves.
O roteiro equilibra fé, humor e habilidade de espadachim, resgatando a complexidade clássica do personagem. Dialogar sobre religião sem pesar o clima é mérito da equipe de escritores.
Com cenas de ação coreografadas para usar teleporte estrategicamente, Noturno deixa de ser “efeito visual legal” e vira peça tática dos X-Men.
Apocalipse
O vilão recebe design imponente, paleta fria e vozes sobrepostas que ampliam a sensação de entidade. Flashbacks revelam origem e ligação com Charles e Magneto, expandindo motivação.
A direção faz uso de enquadramentos de baixo para cima, reforçando superioridade física. Trilha orquestral sombria acompanha cada aparição.
Graças a esse tratamento, Apocalipse se consolida como ameaça quase invencível, algo que o filme de 2016 falhou em estabelecer.
Cable
O filho de Scott e Jean assume protagonismo estratégico. A dublagem mistura dureza militar com calor familiar nas cenas com os pais, humanizando o guerreiro do futuro.
Visualmente, os diretores destacam o braço tecno-orgânico em lutas corpo a corpo, enquanto HUDs holográficos explicam suas táticas.
Essa combinação faz de Cable uma ponte narrativa entre a cronologia futura e o presente da equipe, recurso que funciona melhor do que em aparições anteriores no cinema.
Ciclope
Scott Summers volta ao posto de líder completo: terno, mas disposto a peitar Xavier quando preciso. O roteiro inclui decisões difíceis que reforçam senso de responsabilidade.
A animação dá atenção especial ao visor, usando close em raios ópticos que preenchem a tela. Isso passa a noção de poder contido, algo pouco explorado nos filmes.
O relacionamento com Jean sustenta a espinha emocional da série, tornando Ciclope o equilíbrio entre coração e estratégia nos X-Men.
A forma como a obra reabilita esses personagens demonstra a força de roteiros bem focados e direção consciente das expectativas do público, fatores que fazem de X-Men ‘97 um dos pontos altos do universo animado Marvel. Para saber onde assistir à série no Brasil, confira nosso guia de streaming. Já quem quer se aprofundar na cronologia dos mutantes pode ver o especial Linha do Tempo X-Men.

