Quando o sucesso não sobrevive: 8 animes que derraparam feio na segunda temporada

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Nem todo fenômeno do streaming consegue manter o fôlego depois do primeiro lote de episódios. Nos animes, essa máxima é ainda mais cruel: basta um tropeço na arte ou um deslize de roteiro para a audiência debandar.

A seguir, revisitamos oito produções que chegaram a ser celebradas como “a próxima grande série”, mas viram o encanto se perder na segunda temporada. O foco está em como escolhas de direção, roteiro e até performances do elenco de voz abriram caminho para a decepção.

Da promessa ao tropeço: o que arruinou essas segundas temporadas?

De mudanças drásticas de estúdio a decisões criativas que afastaram o material original, cada título desta lista traz lições valiosas sobre continuidade e consistência. Veja, anime por anime, onde cada equipe errou a mão.

Tower of God

A estreia dirigida por Takashi Sano chamou atenção pelo traço estilizado e pela dublagem que dava vida ao drama de Bam e Rachel. No Japão, a bilheteria de produtos licenciados disparou após a primeira exibição.

Arte oficial de Tower of God

Com a troca de direção de arte na segunda leva, o webtoon de SIU perdeu identidade visual. Fundos menos detalhados e cortes bruscos quebraram a atmosfera épica. A edição, antes cadenciada, passou a parecer apressada.

O elenco de voz manteve o empenho, mas a animação genérica minou o impacto emocional das falas. Resultado: o que era diferencial virou problema e a recepção despencou nos fóruns especializados.

One-Punch Man

Shingo Natsume comandou a primeira temporada com lutas fluídas e humor afiado, valorizando o trabalho vocal de Makoto Furukawa (Saitama). O público abraçou a sátira ao universo de super-heróis imediatamente.

Saitama em One-Punch Man

A mudança de estúdio para J.C. Staff na continuação trouxe quedas de frames e enquadramentos confusos. Mesmo com roteiro fiel ao mangá, a coreografia caiu de patamar, esvaziando os socos “de um golpe só”.

Furukawa continuou carismático, mas a falta de impacto visual fez piadas e vilões parecerem menores. A crítica notou o deslize, embora reconheça que, narrativamente, a série ainda se sustenta.

The Rising of the Shield Hero

Naofumi conquistou fãs com a voz contida de Kaito Ishikawa e a direção certeira de Takao Abo. A ambientação medieval trazia textura e ritmo encaixados, valorizando cada reviravolta.

Naofumi em The Rising of the Shield Hero

Três anos depois, o retorno tentou condensar muitos arcos em poucos episódios. Kinema Citrus acelerou tramas, sacrificando momentos de construção que justificavam as motivações do herói.

O elenco seguiu dedicado, mas a pressa no roteiro diluiu o peso dramático das falas. Sequências de ação ficaram mais estáticas, e a segunda temporada acabou soando tanto arrastada quanto corrida.

Aldnoah.Zero

Dirigida por Ei Aoki, a primeira parte apostou em realismo militar e reviravoltas chocantes. A trilha de Hiroyuki Sawano, somada à atuação de Natsuki Hanae (Inaho), entregou tensão constante.

Mechas de Aldnoah.Zero

O choque veio logo no primeiro episódio do segundo ano: mortes marcantes foram desfeitas sem explicação plausível. O roteiro de Gen Urobuchi deu lugar a soluções de fan service, enfraquecendo conflitos.

Com isso, cenas antes decisivas passaram a soar artificiais. A interpretação do elenco perdeu intensidade porque o texto já não sustentava o drama, e a complexidade política evaporou.

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Imagem: Internet

Tokyo Ghoul

Sui Ishida criou um terror psicológico que, em anime, ganhou vida com direção de Shuhei Morita e a voz visceral de Natsuki Hanae (Kaneki). A adaptação inicial capturou a dualidade humana x monstruosa.

Ken Kaneki em Tokyo Ghoul

Na segunda temporada, o estúdio ignorou o mangá e seguiu por um enredo original. Sem o lastro da obra-fonte, a narrativa perdeu coesão e deixou pontas soltas.

A performance de Hanae seguia intensa, mas conflitos mal desenvolvidos tiraram força de suas cenas. A suspeita de “mais do mesmo” afastou antigos fãs, e nem o retorno parcial à história original na terceira leva reverteu o estrago.

The Devil is a Part-Timer!

A comédia sobrenatural de Naoto Hosoda brilhou ao misturar slice-of-life e ação demoníaca, apoiada no timing cômico de Ryota Ohsaka (Sadao). O cotidiano no “MgRonald” rendia piadas certeiras.

Sadao Maō em The Devil is a Part-Timer!

De volta após longa espera, a sequência trocou batalhas e ritmo leve por um arco de “família improvisada” escancarado. A criança Alas Ramus dominou o enredo e reduziu o espaço para o humor que definiu a série.

Ohsaka manteve carisma, mas o roteiro excessivamente fofo desviou do tom satírico inicial. Muitas cenas pareciam servir apenas para exibir a nova personagem, o que frustrou quem buscava a mistura original de gêneros.

Black Butler

Com direção de Toshiya Shinohara, a primeira fase explorava a química tensa entre Ciel (Maaya Sakamoto) e Sebastian (Daisuke Ono). O roteiro equilibrava mistério vitoriano e suspense sobrenatural.

Ciel e Sebastian em Black Butler

No segundo ano, a série soltou as rédeas: criou demônios extras, desviou do mangá e introduziu reviravolta sobre a alma de Ciel que soou gratuita. A coesão temática se rompeu.

Embora o elenco continuasse afiado, a sobrecarga de personagens diluiu diálogos antes certeiros. Tanto fãs quanto produtores reconheceram o equívoco, a ponto de a própria franquia ignorar essa fase em temporadas posteriores.

The Promised Neverland

Dirigida por Mamoru Kanbe, a primeira temporada usou sombras, enquadramentos fechados e vozes infantis autênticas para realçar o terror de um orfanato que, na verdade, era curral de humanos.

Emma em The Promised Neverland

Na sequência, a CloverWorks acelerou eventos, cortou o arco “Goldy Pond” — considerado o ápice do mangá — e resolveu conflitos complexos sem esforço. Vilões e subtramas simplesmente desapareceram.

Os jovens dubladores mantiveram emoção, mas perigos resolvidos de forma conveniente tiraram peso de cada cena. Críticos classificaram o resultado como o pior downgrade recente de uma adaptação.

Seja por decisões de estúdio, mudanças de equipe ou arrojo sem planejamento, cada anime acima demonstra que manter a qualidade em uma segunda temporada exige mais do que a boa vontade de fãs; requer direção firme, roteiro coeso e respeito à própria identidade.

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Sou redator especializado em conteúdo de beleza, moda e crochê. Produzo conteúdos desde 2021, tendo experiência como colunista em sites de referência.