Astros que brilharam duplamente: 10 atores indicados ao Oscar e ao Emmy no mesmo ano

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Ser lembrado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas já é um marco. Entrar na lista da Academia de Televisão no mesmo período, então, coloca qualquer intérprete em um grupo privilegiado. Poucos conseguem dominar a telona e a telinha de forma tão convincente no mesmo calendário.

A seguir, revisitamos dez casos em que essa façanha aconteceu, analisando como cada ator se destacou em projetos distintos, sob a batuta de diretores e roteiristas experientes, sem perder de vista as circunstâncias de cada produção.

A maratona entre o Dolby Theatre e o Microsoft Theater

Enquanto o Oscar concentra-se em filmes lançados durante o ano anterior, o Emmy premia programas exibidos entre junho e maio. Essa defasagem de elegibilidade exige que o artista entregue dois trabalhos completos, muitas vezes quase simultâneos, sob linguagens diferentes. Quando isso se concretiza, o resultado costuma ser uma vitrine de versatilidade e preparo.

Lee Grant – The Landlord & The Neon Ceiling (1971)

Veterana dos palcos, Lee Grant ressurgiu no cinema como Joyce Enders em “The Landlord”. Sob direção de Hal Ashby, a atriz explora conflitos de classe ao lado de Beau Bridges e garante presença na disputa pelo Oscar de coadjuvante. O roteiro satírico reforça sua habilidade em equilibrar humor e tensão social.

Na TV, Grant lidera “The Neon Ceiling” como uma dona de casa sem nome que abandona a vida suburbana. O telefilme dirigido por Frank Pierson cria espaço para seu olhar contido e, ao mesmo tempo, penetrante, rendendo indicação ao Emmy de atriz principal. A dupla de papéis comprova sua elasticidade dramática.

Lee Grant em The Neon Ceiling

Burgess Meredith – Rocky & Tail Gunner Joe (1977)

Em “Rocky”, dirigido por John G. Avildsen, Burgess Meredith encarna Mickey Goldmill, o treinador rabugento e afetivo de Sylvester Stallone. Sua figura franzina, mas repleta de autoridade, valeu nomeação ao Oscar de coadjuvante, ajudando a humanizar a jornada do boxeador.

No telefilme “Tail Gunner Joe”, comandado por Jud Taylor, Meredith assume o papel do advogado Joseph N. Welch, adversário de Joseph McCarthy. A atuação contida, mas firme, conquistou o Emmy e mostrou seu domínio do drama histórico. Dois mentores, dois registros, mesma excelência.

Burgess Meredith em Rocky

Paul Newman – Road to Perdition & Our Town (2003)

Em seu último grande trabalho no cinema, Paul Newman vive John Rooney em “Road to Perdition”, de Sam Mendes. O roteiro de David Self permite que Newman explore a culpa e o afeto paternal num cenário de máfia irlandesa, garantindo indicação ao Oscar de coadjuvante.

No mesmo ano, o astro assume o Stage Manager na adaptação televisiva de “Our Town”. A direção de James Naughton privilegia o meta-teatro, e Newman conduz a audiência com carisma sóbrio, gerando lembrança no Emmy. A dobradinha coroa décadas de carreira multifacetada.

Paul Newman em Road to Perdition

Glenn Close – Albert Nobbs & Damages (2012)

Transformada fisicamente, Glenn Close interpreta o mordomo Albert em “Albert Nobbs”, projeto que ela mesma desenvolveu ao lado do diretor Rodrigo García. A sutileza no gestual convenceu a Academia, rendendo nova nomeação a Melhor Atriz.

Na quarta temporada de “Damages”, Patty Hewes retorna ainda mais impiedosa. A criação de Todd A. Kessler, Glenn Kessler e Daniel Zelman dá a Close espaço para diálogos afiados e viradas de roteiro. Sua presença na categoria Drama do Emmy foi quase automática.

Glenn Close em Damages

Melissa McCarthy – Bridesmaids & Mike & Molly (2011)

“Bridesmaids”, dirigido por Paul Feig, entrega a Melissa McCarthy a anárquica Megan. Com timing calibrado pelo roteiro de Kristen Wiig e Annie Mumolo, a atriz conquista indicação inédita ao Oscar numa comédia, feito raro desde os anos 90.

Paralelamente, ela brilha na sitcom “Mike & Molly” como a professora Molly Flynn. Sob o olhar de criador Chuck Lorre, McCarthy alterna humor físico e vulnerabilidade, gesto que lhe rendeu o Emmy. A performance comprovou a amplitude entre o pastelão e a doçura cotidiana.

Melissa McCarthy em Bridesmaids

Astros que brilharam duplamente: 10 atores indicados ao Oscar e ao Emmy no mesmo ano - Imagem do artigo original

Imagem: MovieStillsDB

Chiwetel Ejiofor – 12 Years a Slave & Dancing on the Edge (2014)

No drama histórico “12 Years a Slave”, de Steve McQueen, Chiwetel Ejiofor vive Solomon Northup com dor contida e intensidade crescente. O roteiro de John Ridley lhe oferece monólogos poderosos que impressionaram o Oscar.

Já na minissérie britânica “Dancing on the Edge”, dirigida por Stephen Poliakoff, Ejiofor interpreta Louis Lester, líder de banda de jazz. O ambiente de supremacia britânica realça seu carisma e rendeu nomeação ao Emmy, mostrando domínio sobre narrativas musicais.

Chiwetel Ejiofor em 12 Years a Slave

Matthew McConaughey – Dallas Buyers Club & True Detective (2014)

“Dallas Buyers Club”, comandado por Jean-Marc Vallée, transformou Matthew McConaughey em Ron Woodroof, eletricista texano soropositivo que desafia o FDA. A perda de peso extrema e o sotaque áspero garantiram o Oscar de Melhor Ator.

No mesmo embalo, o intérprete fez história como Rust Cohle na primeira temporada de “True Detective”, criada por Nic Pizzolatto e dirigida por Cary Joji Fukunaga. A investigação filosófica no sul dos EUA cravou indicação ao Emmy e consolidou o “McConaissance”.

Matthew McConaughey em True Detective

Viola Davis – Fences & How to Get Away with Murder (2017)

Dirigido por Denzel Washington, “Fences” adapta a peça de August Wilson e escancara a força de Viola Davis como Rose Maxson. Suas pausas e lágrimas contidas lhe renderam o Oscar de coadjuvante, coroando uma interpretação íntima.

Na TV, Davis dominou “How to Get Away with Murder” como Annalise Keating, criação de Peter Nowalk. A complexidade moral da advogada valeu nova indicação ao Emmy e reforçou o alcance dramático da atriz. Entenda a evolução do Emmy e veja como papéis de prestígio impulsionam carreiras.

Viola Davis em Fences

Andrew Garfield – Tick, Tick… Boom! & Under the Banner of Heaven (2022)

Em “Tick, Tick… Boom!”, primeiro longa de Lin-Manuel Miranda como diretor, Andrew Garfield vive Jonathan Larson com energia explosiva e voz afinada, garantindo indicação ao Oscar. O roteiro musical revela frustrações e ambições do compositor de “Rent”.

Na minissérie “Under the Banner of Heaven”, comandada por Dustin Lance Black, Garfield interpreta o detetive Jeb Pyre, dividido entre fé mórmon e investigação brutal. A interiorização do conflito moral chamou atenção do Emmy.

Andrew Garfield em Tick, Tick… Boom!

Lily Gladstone – Killers of the Flower Moon & Under the Bridge (2025)

“Killers of the Flower Moon”, dirigido por Martin Scorsese, permitiu a Lily Gladstone encarnar Mollie Burkhart com olhar sereno e resistência silenciosa. O roteiro de Eric Roth e Scorsese expõe abusos contra o povo Osage, gerando indicação ao Oscar para Gladstone.

Simultaneamente, a atriz lidera “Under the Bridge” como Cam Bentland, em narrativa baseada em crime real trazida à tela por Quinn Shephard. A performance sensível rendeu nomeação ao Emmy, consolidando sua presença na temporada de premiações. Confira todos os indicados ao Oscar 2025.

Lily Gladstone em Killers of the Flower Moon

De Lee Grant a Lily Gladstone, cada caso evidencia como roteiros bem escolhidos, direção inspirada e entrega total do elenco podem atravessar formatos. Quando cinema e televisão se alinham, o reconhecimento duplo se torna mais do que possível: vira símbolo de excelência artística.

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Sou redator especializado em conteúdo de beleza, moda e crochê. Produzo conteúdos desde 2021, tendo experiência como colunista em sites de referência.