Ser lembrado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas já é um marco. Entrar na lista da Academia de Televisão no mesmo período, então, coloca qualquer intérprete em um grupo privilegiado. Poucos conseguem dominar a telona e a telinha de forma tão convincente no mesmo calendário.
- A maratona entre o Dolby Theatre e o Microsoft Theater
- Lee Grant – The Landlord & The Neon Ceiling (1971)
- Burgess Meredith – Rocky & Tail Gunner Joe (1977)
- Paul Newman – Road to Perdition & Our Town (2003)
- Glenn Close – Albert Nobbs & Damages (2012)
- Melissa McCarthy – Bridesmaids & Mike & Molly (2011)
- Chiwetel Ejiofor – 12 Years a Slave & Dancing on the Edge (2014)
- Matthew McConaughey – Dallas Buyers Club & True Detective (2014)
- Viola Davis – Fences & How to Get Away with Murder (2017)
- Andrew Garfield – Tick, Tick… Boom! & Under the Banner of Heaven (2022)
- Lily Gladstone – Killers of the Flower Moon & Under the Bridge (2025)
A seguir, revisitamos dez casos em que essa façanha aconteceu, analisando como cada ator se destacou em projetos distintos, sob a batuta de diretores e roteiristas experientes, sem perder de vista as circunstâncias de cada produção.
A maratona entre o Dolby Theatre e o Microsoft Theater
Enquanto o Oscar concentra-se em filmes lançados durante o ano anterior, o Emmy premia programas exibidos entre junho e maio. Essa defasagem de elegibilidade exige que o artista entregue dois trabalhos completos, muitas vezes quase simultâneos, sob linguagens diferentes. Quando isso se concretiza, o resultado costuma ser uma vitrine de versatilidade e preparo.
Lee Grant – The Landlord & The Neon Ceiling (1971)
Veterana dos palcos, Lee Grant ressurgiu no cinema como Joyce Enders em “The Landlord”. Sob direção de Hal Ashby, a atriz explora conflitos de classe ao lado de Beau Bridges e garante presença na disputa pelo Oscar de coadjuvante. O roteiro satírico reforça sua habilidade em equilibrar humor e tensão social.
Na TV, Grant lidera “The Neon Ceiling” como uma dona de casa sem nome que abandona a vida suburbana. O telefilme dirigido por Frank Pierson cria espaço para seu olhar contido e, ao mesmo tempo, penetrante, rendendo indicação ao Emmy de atriz principal. A dupla de papéis comprova sua elasticidade dramática.
Burgess Meredith – Rocky & Tail Gunner Joe (1977)
Em “Rocky”, dirigido por John G. Avildsen, Burgess Meredith encarna Mickey Goldmill, o treinador rabugento e afetivo de Sylvester Stallone. Sua figura franzina, mas repleta de autoridade, valeu nomeação ao Oscar de coadjuvante, ajudando a humanizar a jornada do boxeador.
No telefilme “Tail Gunner Joe”, comandado por Jud Taylor, Meredith assume o papel do advogado Joseph N. Welch, adversário de Joseph McCarthy. A atuação contida, mas firme, conquistou o Emmy e mostrou seu domínio do drama histórico. Dois mentores, dois registros, mesma excelência.
Paul Newman – Road to Perdition & Our Town (2003)
Em seu último grande trabalho no cinema, Paul Newman vive John Rooney em “Road to Perdition”, de Sam Mendes. O roteiro de David Self permite que Newman explore a culpa e o afeto paternal num cenário de máfia irlandesa, garantindo indicação ao Oscar de coadjuvante.
No mesmo ano, o astro assume o Stage Manager na adaptação televisiva de “Our Town”. A direção de James Naughton privilegia o meta-teatro, e Newman conduz a audiência com carisma sóbrio, gerando lembrança no Emmy. A dobradinha coroa décadas de carreira multifacetada.
Glenn Close – Albert Nobbs & Damages (2012)
Transformada fisicamente, Glenn Close interpreta o mordomo Albert em “Albert Nobbs”, projeto que ela mesma desenvolveu ao lado do diretor Rodrigo García. A sutileza no gestual convenceu a Academia, rendendo nova nomeação a Melhor Atriz.
Na quarta temporada de “Damages”, Patty Hewes retorna ainda mais impiedosa. A criação de Todd A. Kessler, Glenn Kessler e Daniel Zelman dá a Close espaço para diálogos afiados e viradas de roteiro. Sua presença na categoria Drama do Emmy foi quase automática.
Melissa McCarthy – Bridesmaids & Mike & Molly (2011)
“Bridesmaids”, dirigido por Paul Feig, entrega a Melissa McCarthy a anárquica Megan. Com timing calibrado pelo roteiro de Kristen Wiig e Annie Mumolo, a atriz conquista indicação inédita ao Oscar numa comédia, feito raro desde os anos 90.
Paralelamente, ela brilha na sitcom “Mike & Molly” como a professora Molly Flynn. Sob o olhar de criador Chuck Lorre, McCarthy alterna humor físico e vulnerabilidade, gesto que lhe rendeu o Emmy. A performance comprovou a amplitude entre o pastelão e a doçura cotidiana.
Imagem: MovieStillsDB
Chiwetel Ejiofor – 12 Years a Slave & Dancing on the Edge (2014)
No drama histórico “12 Years a Slave”, de Steve McQueen, Chiwetel Ejiofor vive Solomon Northup com dor contida e intensidade crescente. O roteiro de John Ridley lhe oferece monólogos poderosos que impressionaram o Oscar.
Já na minissérie britânica “Dancing on the Edge”, dirigida por Stephen Poliakoff, Ejiofor interpreta Louis Lester, líder de banda de jazz. O ambiente de supremacia britânica realça seu carisma e rendeu nomeação ao Emmy, mostrando domínio sobre narrativas musicais.
Matthew McConaughey – Dallas Buyers Club & True Detective (2014)
“Dallas Buyers Club”, comandado por Jean-Marc Vallée, transformou Matthew McConaughey em Ron Woodroof, eletricista texano soropositivo que desafia o FDA. A perda de peso extrema e o sotaque áspero garantiram o Oscar de Melhor Ator.
No mesmo embalo, o intérprete fez história como Rust Cohle na primeira temporada de “True Detective”, criada por Nic Pizzolatto e dirigida por Cary Joji Fukunaga. A investigação filosófica no sul dos EUA cravou indicação ao Emmy e consolidou o “McConaissance”.
Viola Davis – Fences & How to Get Away with Murder (2017)
Dirigido por Denzel Washington, “Fences” adapta a peça de August Wilson e escancara a força de Viola Davis como Rose Maxson. Suas pausas e lágrimas contidas lhe renderam o Oscar de coadjuvante, coroando uma interpretação íntima.
Na TV, Davis dominou “How to Get Away with Murder” como Annalise Keating, criação de Peter Nowalk. A complexidade moral da advogada valeu nova indicação ao Emmy e reforçou o alcance dramático da atriz. Entenda a evolução do Emmy e veja como papéis de prestígio impulsionam carreiras.
Andrew Garfield – Tick, Tick… Boom! & Under the Banner of Heaven (2022)
Em “Tick, Tick… Boom!”, primeiro longa de Lin-Manuel Miranda como diretor, Andrew Garfield vive Jonathan Larson com energia explosiva e voz afinada, garantindo indicação ao Oscar. O roteiro musical revela frustrações e ambições do compositor de “Rent”.
Na minissérie “Under the Banner of Heaven”, comandada por Dustin Lance Black, Garfield interpreta o detetive Jeb Pyre, dividido entre fé mórmon e investigação brutal. A interiorização do conflito moral chamou atenção do Emmy.
Lily Gladstone – Killers of the Flower Moon & Under the Bridge (2025)
“Killers of the Flower Moon”, dirigido por Martin Scorsese, permitiu a Lily Gladstone encarnar Mollie Burkhart com olhar sereno e resistência silenciosa. O roteiro de Eric Roth e Scorsese expõe abusos contra o povo Osage, gerando indicação ao Oscar para Gladstone.
Simultaneamente, a atriz lidera “Under the Bridge” como Cam Bentland, em narrativa baseada em crime real trazida à tela por Quinn Shephard. A performance sensível rendeu nomeação ao Emmy, consolidando sua presença na temporada de premiações. Confira todos os indicados ao Oscar 2025.
De Lee Grant a Lily Gladstone, cada caso evidencia como roteiros bem escolhidos, direção inspirada e entrega total do elenco podem atravessar formatos. Quando cinema e televisão se alinham, o reconhecimento duplo se torna mais do que possível: vira símbolo de excelência artística.











