The Expanse encerrou sua trajetória em 2022 como uma das produções mais elogiadas do gênero, especialmente por tratar a ciência com rigor. Ainda assim, há séries que, por diferentes caminhos, alcançaram um patamar ainda mais alto em termos de narrativa, personagens e impacto.
A lista a seguir destaca oito títulos que, cada um à sua maneira, conseguem superar o drama da tripulação da Rocinante. O foco está na performance do elenco, na visão dos criadores e em como esses elementos se combinam para entregar experiências únicas de ficção científica.
Séries que ultrapassam a viagem da Rocinante
Do dilema corporativo de Severance ao épico militar de Battlestar Galactica, as produções abaixo demonstram que o universo sci-fi vai muito além de naves realistas e disputas políticas dentro do Sistema Solar.
Severance
Dirigida por Ben Stiller e criada por Dan Erickson, Severance transforma um conceito simples — separar vida pessoal e profissional através de um procedimento cerebral — em suspense angustiante. A direção aposta em enquadramentos frios e corredores intermináveis para reforçar a sensação de prisão.
O elenco liderado por Adam Scott entrega atuações contidas, mas carregadas de tensão, enquanto Patricia Arquette rouba a cena como supervisora implacável. A química entre eles sustenta o mistério por trás da Lumon Industries.
No roteiro, cada pista é dosada com precisão, mantendo o espectador alerta para os desdobramentos da terceira temporada. Sem alienígenas ou batalhas espaciais, Severance prova que a boa ficção científica também nasce de dilemas humanos profundos.
Andor
Tony Gilroy assume os roteiros de Andor e oferece um olhar sombrio sobre o surgimento da Rebelião no universo Star Wars. Diferente do tom aventuresco clássico, a série mergulha em temas como fascismo e sacrifício.
Diego Luna vive Cassian com nuances de cansaço e revolta, enquanto Stellan Skarsgård, em monólogos hipnotizantes, personifica a paranoia revolucionária. A fotografia granulada e os cenários práticos adicionam realismo inédito à franquia.
Com estrutura de thriller político, Andor expande o legado da galáxia muito, muito distante, algo analisado em outras produções do universo Star Wars. É a prova de que maturidade temática pode coexistir com sabres de luz — mesmo que aqui eles fiquem fora de cena.
Lost
Produzida por J.J. Abrams e Damon Lindelof, Lost inaugurou em 2004 a era das teorias online. Já no piloto, a série mostra domínio de ritmo, alternando ação e mistério com flashbacks que aprofundam cada sobrevivente do voo Oceanic 815.
Matthew Fox, Evangeline Lilly e Terry O’Quinn entregam performances capazes de sustentar reviravoltas envolvendo fumaça negra, viagens no tempo e realidades paralelas. O elenco numeroso recebe atenção rara na TV, algo que The Expanse só atinge com seus protagonistas.
Por explorar conceitos científicos como eletromagnetismo e paradoxos temporais sem perder o foco em dilemas pessoais, Lost permaneceu no debate cultural mesmo após seu final — hoje visto com mais simpatia que à época da exibição.
Foundation
Baseada na obra de Isaac Asimov, Foundation ganhou vida pelas mãos de David S. Goyer para a Apple TV+. A adaptação assume escopo grandioso, saltando séculos em poucos episódios para mostrar o colapso de um Império Galáctico.
Lee Pace se destaca como o imperador clonado Brother Day, misturando fragilidade e arrogância em tela. Ao lado dele, Jared Harris confere peso dramático ao matemático Hari Seldon, cujo plano de prever o futuro move toda a trama.
Visualmente, a série abraça o espetáculo espacial, investindo em cenários que competem com superproduções de cinema. A temporada inicial foi apenas a fundação: a seguir, o roteiro mergulha em intrigas políticas capazes de fazer The Expanse parecer modesta.
Imagem: Internet
For All Mankind
Criada por Ronald D. Moore, a série imagina um mundo em que a corrida espacial nunca terminou. O realismo técnico e a pesquisa histórica lembram o cuidado científico de The Expanse, mas com foco na disputa geopolítica dos anos 1970 em diante.
Joel Kinnaman lidera um elenco que envelhece junto aos personagens, reforçando a passagem do tempo em tela. As cenas dentro dos módulos lunares e, depois, em Marte, equilibram tensão e verossimilhança.
Com roteiros que abordam temas sociais — inclusão feminina e questões raciais na NASA —, o drama se expande para além da tecnologia. A recepção calorosa rendeu até o spin-off Star City, aclamado com 100% de aprovação no Rotten Tomatoes.
Dark
Produção alemã criada por Baran bo Odar e Jantje Friese, Dark usa apenas um elemento sci-fi: viagem no tempo. A repetição de cenários em diferentes épocas e a trilha sonora inquietante constroem atmosfera quase hipnótica.
Louis Hofmann, Andreas Pietschmann e o restante do cast interpretam várias gerações da mesma família, exigindo atenção extrema do público. Apesar da complexidade, o roteiro nunca perde o fio emocional.
O resultado é um quebra-cabeça narrativo recompensador, cuja conclusão fechada ressalta a ambição estética e intelectual da obra — algo que poucos títulos no streaming conseguiram replicar.
Star Trek: The Next Generation
Lançada em 1987, a série comandada por Gene Roddenberry e herdada por Rick Berman redefiniu o universo Star Trek. Patrick Stewart incorpora o capitão Jean-Luc Picard com autoridade serena e carisma surpreendente.
Com roteiristas como Ronald D. Moore, a produção equilibra episódios autônomos e arcos filosóficos, discutindo temas como inteligência artificial e ética médica. Os efeitos podem datar, mas a ousadia das tramas permanece contemporânea.
Décadas depois, o retorno do personagem em Star Trek: Picard reforçou a relevância da série original, que continua sendo parâmetro para avaliar qualquer novo projeto de ficção científica televisiva.
Battlestar Galactica (2004)
Também sob comando de Ronald D. Moore, o reboot de Battlestar Galactica aplica um filtro militarista e dramático à saga de humanos fugindo dos ciborgues Cylons. A direção opta por câmeras documentais, conferindo urgência às batalhas.
Edward James Olmos e Mary McDonnell formam núcleo de lideranças em conflito, enquanto a ambígua Número Seis de Tricia Helfer questiona o que significa ser humano. Os roteiros não se furtam a temas como terrorismo, fé e política.
Com impacto que ultrapassa a cultura nerd, a série influenciou desde roteiristas de TV até designers de games, consolidando-se como marco da era moderna da ficção científica e justificando seu lugar acima de The Expanse.
Essas oito produções demonstram que, embora The Expanse tenha deixado sua marca com ciência rigorosa e ótimas cenas de ação espacial, ainda há muito universo sci-fi a ser explorado — cada um com estrelas, diretores e roteiristas que elevam o gênero a novos patamares.

