Desde a estreia em 2022, The Bear ganhou espaço no cardápio das produções de TV segundo o portal Salada de Cinema, ao misturar tensão culinária, humor ácido e personagens com muita vida interna. A série criada por Christopher Storer para a FX chegou ao quinto ano mantendo a cozinha aquecida e, principalmente, colocando à prova o elenco liderado por Jeremy Allen White e Ayo Edebiri.
Com o encerramento da trama, já é possível pesar todos os ingredientes e apontar quais temporadas entregaram o sabor ideal entre roteiro, atuação, direção e ritmo narrativo. A seguir, veja como cada ano de The Bear se comporta no ranking, do ponto mais fraco ao mais marcante.
Como ficam as 5 temporadas no nosso ranking
O critério de avaliação considera a performance do elenco principal, a mão firme de Storer e da co-showrunner Joanna Calo no comando dos episódios, além da capacidade de cada ano manter a tensão dramática sem perder o tempero cômico que tornou a série única.
5º lugar — Temporada 3
A terceira fase marca o primeiro ciclo completo após a reinauguração do restaurante The Bear. Jeremy Allen White continua preciso ao exibir a ansiedade crônica de Carmy, mas o roteiro aposta em episódios mais contemplativos e simbólicos que, na prática, reduzem a velocidade da trama.
Storer assume a cadeira de direção em capítulos quase experimentais, recheados de fotografia estilizada e trilha sonora pouco convencional. Apesar do esforço artístico, a temporada sofre com a falta de contraponto cômico — até Richie, vivido por Ebon Moss-Bachrach, perde parte do brilho sarcástico que costumava quebrar a tensão.
Entre os respiros, destacam-se o episódio do nascimento do bebê de Sugar (Abby Elliott) e o flashback que apresenta o primeiro encontro de Tina (Liza Colón-Zayas) com Mikey. Mesmo assim, o saldo geral é de um ano que privilegia a forma em detrimento do avanço dramático, deixando o público com a sensação de prato requentado.
4º lugar — Temporada 4
Após o ritmo arrastado do ano anterior, a quarta temporada devolve energia à série. A atuação de Jeremy Allen White ganha novas camadas, mostrando um Carmy mais disposto a sair da própria concha emocional. Ayo Edebiri, por sua vez, carrega com sensibilidade o dilema de Sydney entre ficar ou não no restaurante.
O roteiro de Joanna Calo foca no conceito de família escolhida, tema que ganha coro na sequência do casamento de Tiff (Gillian Jacobs). A direção alterna planos frenéticos na cozinha com momentos de silêncio que valorizam as expressões do elenco, equilibrando emoção e comicidade.
Ainda assim, alguns episódios retomam a cadência lenta do terceiro ano, o que cria um conjunto irregular. A temporada cumpre bem a função de reacender o interesse, mas não alcança a coesão narrativa dos anos de estreia.
3º lugar — Temporada 5
Concebido como o ato final, o quinto ano condensa quase toda a ação em um único dia de serviço. A estratégia devolve à série a atmosfera de panela de pressão que encantou na estreia, impulsionada por cortes rápidos e som crescente de frigideiras batendo.
Jeremy Allen White mostra o auge de Carmy, equilibrando genialidade culinária e fragilidade emocional. Edebiri, Moss-Bachrach e o restante do elenco encontram pequenas vitórias em meio ao caos, algo que dá sabor agridoce aos minutos finais.
Imagem: Internet
Embora o desfecho amarre arcos de forma satisfatória, a temporada funciona mais como homenagem aos elementos que fizeram The Bear se destacar no começo. Por isso, fica atrás das pioneiras, ainda que mantenha um nível técnico e interpretativo altíssimo.
2º lugar — Temporada 2
O segundo ano eleva a aposta ao mostrar a transformação do The Beef em The Bear. Além de atuar, Jeremy Allen White revela evolução dramática ao transmitir esperança e exaustão ao mesmo tempo. A direção investe em planos-sequência ousados, ampliando o sentimento de descontrole da equipe.
Entre os destaques, o episódio “Fishes” reúne o clã Berzatto em um jantar caótico que expõe traumas familiares, enquanto “Forks” apresenta um Richie em estágio no Ever — arco que dá respiro cômico e profundidade ao personagem. O roteiro mantém balanço fino entre caos e contemplação, sem perder o fio narrativo.
Algumas passagens mais artísticas, como o treinamento de Marcus (Lionel Boyce) em Copenhague, sinalizam o estilo que seria criticado futuramente, porém aqui encontram contraponto eficiente nas cenas de gritaria e nos cortes acelerados da cozinha.
1º lugar — Temporada 1
A temporada de estreia continua imbatível. Christopher Storer apresenta Carmy chegando ao modesto The Original Beef e usa o choque de culturas para extrair humor orgânico, sem comprometer o drama do luto de Mikey. Jeremy Allen White entrega um protagonista contido, enquanto Ayo Edebiri surge como contraponto metódico e sonhador.
A direção aposta em longos planos na cozinha, somados a cenas quase surreais — como a aparição simbólica de um urso — que ampliam a ansiedade do espectador. O roteiro equilibra piadas rápidas e diálogos cortantes, impulsionando a curva de cada personagem.
Comédia e tensão se misturam de forma orgânica, e o elenco coadjuvante — de Ebon Moss-Bachrach a Liza Colón-Zayas — brilha em cada centímetro de tela. O resultado é uma temporada inaugural que define a identidade da série e serve de referência para toda a experiência degustada nos anos seguintes.
Ao final, The Bear se despede deixando um legado de atuações intensas, direção inventiva e roteiros que, mesmo com oscilações, provaram que a cozinha é palco perfeito para emoções em ponto de fervura.






